Os anos 90 foram um terreno fértil para os filmes de vampiros, com produções que reinventaram o mito à luz da estética da época. Saindo do puro terror gótico e abraçando novos tons, os vampiros dos anos 90 ganharam contornos mais humanos, eróticos, filosóficos e até cômicos. Foi uma década em que o sangue andava lado a lado com o desejo, o existencialismo e o estilo, em obras que exploravam a imortalidade sob perspectivas modernas e, muitas vezes, ousadas.
De grandes superproduções como ‘Entrevista com o Vampiro‘ e ‘Drácula de Bram Stoker‘ a cults ousados como ‘O Vício‘, e a ressignificação do gênero em longas como ‘Um Vampiro no Brooklyn‘ e ‘Blade‘, o cinema vampírico noventista oscilou entre o refinado e o trash, entre o drama introspectivo e a ação desenfreada. Houve espaço para vampiras sensuais, caçadores brutais, crises existenciais e muito couro preto. Foi uma década em que os vampiros saíram das tumbas góticas e entraram definitivamente para a cultura pop, com dentes afiados, estilo próprio e muito carisma sombrio. Confira abaixo a seleção que separamos para você.
Entrevista com o Vampiro (1994)

Dirigido por Neil Jordan e baseado no romance de Anne Rice, é um marco no cinema de vampiros que combina horror gótico com um drama intenso e sofisticado. O filme explora a imortalidade através dos olhos do vampiro Louis (Brad Pitt), que narra sua longa e torturada existência ao jornalista interpretado por Christian Slater. Com uma atmosfera sombria, cenários exuberantes e performances memoráveis — incluindo a carismática e perturbadora interpretação de Tom Cruise como Lestat —, o filme mergulha nas angústias, desejos e conflitos dos seres noturnos, humanizando-os de forma profunda e complexa. ‘Entrevista com o Vampiro‘ é reconhecido não só por revitalizar o gênero na década de 90, mas também por seu visual estilizado e narrativa envolvente, conquistando fãs além dos limites do horror tradicional.
Drácula de Bram Stoker (1992)

Com Gary Oldman brilhando no papel do icônico Conde Drácula, o filme combina romance, horror gótico e drama em uma narrativa que explora tanto o terror sobrenatural quanto a trágica história de amor do vampiro. Sob o comando de Francis Ford Coppola, trata-se de uma adaptação luxuosa e visualmente deslumbrante do clássico literário de Bram Stoker. Coppola investiu em cenários exuberantes, figurinos ricos e efeitos práticos que deram vida a uma atmosfera sombria e envolvente, respeitando o espírito da obra original ao mesmo tempo em que adicionava camadas emocionais profundas. A produção se destaca por sua fidelidade ao texto, performances intensas — incluindo Winona Ryder e Anthony Hopkins — e uma trilha sonora marcante, tornando-se um dos filmes de vampiro mais reverenciados e visualmente icônicos da década de 90.
Um Drink no Inferno (1996)

Aqui temos algumas das inspirações de ‘Pecadores‘ – ao menos narrativamente. O filme segue dois irmãos, Seth e Richie Gecko (George Clooney e Quentin Tarantino), que acabam se envolvendo com vampiros sedentos de sangue em uma cidadezinha do Texas. Com uma estética estilizada, cenas de violência exagerada e diálogos afiados, o longa celebra o cinema B com muita irreverência e energia contagiante. Dirigido por Robert Rodriguez e escrito por Tarantino, é uma mistura explosiva de horror, ação e humor negro que se tornou um clássico cult instantâneo. A combinação do estilo único dos dois cineastas resultou em uma obra divertida, sangrenta e cheia de personalidade, que conquistou fãs pelo mundo e influenciou gerações de cineastas e fãs do gênero.
Blade: O Caçador de Vampiros (1998)

‘Blade‘ (1998), dirigido por Stephen Norrington e estrelado por Wesley Snipes, se tornou um marco no gênero de ação com vampiros, que misturou elementos de horror, fantasia e artes marciais em uma produção moderna e estilizada. O filme acompanha Blade, um meio-vampiro com habilidades sobre-humanas, que luta para proteger a humanidade dos vampiros tradicionais. Com uma atmosfera sombria, cenas de ação intensas e um visual noir, ‘Blade‘ inovou ao trazer um protagonista negro forte e complexo, quebrando padrões do gênero na época. Seu sucesso abriu caminho para uma nova onda de filmes de super-heróis mais sombrios e influenciou significativamente o cinema pop dos anos 2000, consolidando-o como um clássico cult.
Vampiros de John Carpenter (1998)

Você acha que o mestre do terror John Carpenter, no auge de sua atividade nos anos 90, ficaria de fora da abordagem deste monstro clássico do gênero? Carpenter nunca havia usado vampiros em suas histórias e a escolha foi com este thriller de horror que mistura ação e elementos sobrenaturais, colocando o espectador no meio de uma caçada implacável contra criaturas sanguinárias. O filme segue um grupo de caçadores liderados pelo durão Jack Crow (interpretado por James Woods), que enfrenta uma seita de vampiros perigosos no Novo México. Com um ritmo acelerado, cenas de tiroteio intensas e o estilo característico de Carpenter — direto, sombrio e eficiente —, ‘Vampiros‘ oferece uma visão mais brutal e realista do mito vampírico. Apesar de não ter sido um grande sucesso comercial, o filme conquistou fãs pela combinação de horror com ação e pela atmosfera tensa, consolidando-se como um título cult dentro da filmografia do diretor.
Cronos (1993)

Você sabia que o primeiro filme do mestre Guillermo del Toro foi este filme de vampiros bem diferente? É claro que ele voltaria ao gênero na sequência ‘Blade II‘ (2002). Aqui ele apostava em elementos sobrenaturais com uma reflexão profunda sobre a imortalidade, a morte e a humanidade. A trama acompanha um antiquário que encontra um dispositivo mecânico antigo capaz de conceder vida eterna, mas que vem acompanhado de uma maldição vampírica. Com sua estética única, que combina o gótico com o realismo mágico, Del Toro constrói uma narrativa sensível e visualmente rica, explorando temas como o desejo de viver e as consequências do poder sobrenatural. ‘Cronos‘ é considerado um marco no cinema mexicano e o início promissor da carreira de um dos diretores mais aclamados do gênero fantástico.
O Vício (1995)

De um filme cult pouco conhecido para outro. ‘O Vício‘ é dirigido por Abel Ferrara – cineasta independente norte-americano. Este é um filme de vampiros fora do comum, que mistura horror com reflexão filosófica sobre o vício, seja por sangue ou qualquer outro. A trama acompanha Kathleen Conklin (Lili Taylor), uma estudante de filosofia em Nova York que é mordida por uma misteriosa mulher vampira e passa a lutar contra seu novo estado de existência. A ideia funciona como uma poderosa metáfora para o vício em drogas e a perda do controle sobre si mesma. Filmado em preto e branco, o filme cria uma atmosfera sombria e claustrofóbica, reforçando o tom introspectivo e existencial da narrativa.
Drácula – Morto, mas Feliz (1995)

Comédia dirigida por Mel Brooks e estrelada por Leslie Nielsen, o filme é uma paródia hilária dos clássicos de vampiros, especialmente do Drácula de Bram Stoker, brincando com os clichês do gênero e fazendo piadas irreverentes sobre monstros, mistérios e romances góticos. Leslie Nielsen interpreta o Conde Drácula com seu humor característico, trazendo um tom leve e absurdo que se tornou marca registrada do ator. Com situações exageradas, diálogos espirituosos e muitas referências engraçadas, o filme é um entretenimento divertido para fãs de comédia que gostam de uma boa zoação dos clássicos do terror.
Buffy: A Caça-Vampiros (1992)

Não, não estamos falando sobre a série estrelada por Sarah Michelle Gellar (que irá ganhar reboot em breve) e sim sobre o filme (pouquíssimo conhecido) que deu origem a ela. Se trata de uma comédia de horror que mistura ação e sátira, estrelada por Kristy Swanson no papel da jovem Buffy Summers. Antes de se tornar a heroína cult da série de TV, Buffy foi uma estudante colegial aparentemente comum que descobre seu destino como uma caçadora de vampiros, encarando criaturas sobrenaturais com humor e estilo. O filme traz um tom leve e divertido, com muitas cenas exageradas, diálogos espirituosos e um toque de paródia aos filmes de terror tradicionais. Embora não tenha alcançado o sucesso crítico ou popular da série que viria depois, ‘Buffy, a Caça-Vampiros‘ de 1992 é lembrado como uma produção divertida, que abriu caminho para o universo expandido da personagem e conquistou fãs pelo carisma da protagonista e pela mistura de horror e comédia.
Um Vampiro no Brooklyn (1995)

Eddie Murphy fazendo filme de terror com vampiros? Sim, querido leitor, os anos 90 nos presentearam com isso. Mas não um filme de vampiros qualquer, e sim um dirigido por ninguém menos que o mestre Wes Craven, criador de ‘A Hora do Pesadelo‘ e ‘Pânico‘. É claro que Murphy também conseguiu espremer bastante humor no longa, com um toque da cultura urbana dos anos 90. Murphy estrela no papel do vampiro prussiano Maximillian, e o filme acompanha a chegada do personagem a Nova York em busca de uma noiva humana para continuar sua linhagem. Com um equilíbrio entre cenas engraçadas e momentos assustadores, o filme aposta no carisma de Murphy e em situações inusitadas para criar um entretenimento leve e divertido. Embora tenha recebido críticas mistas, ‘Um Vampiro no Brooklyn‘ conquistou seu público por trazer uma abordagem diferente do mito vampírico, combinando horror com comédia e elementos culturais únicos.
O Bordel de Sangue (1996)

‘O Bordel de Sangue‘ é, na verdade, o segundo filme derivado da série antológica ‘Tales from the Crypt‘. O filme é uma comédia de terror que mistura humor negro e elementos sobrenaturais, centrando-se em um detetive particular que investiga um bordel misterioso onde clientes desaparecem. Com um tom irreverente e exagerado, o longa traz atuações divertidas e cenas sangrentas que satirizam clichês do gênero, alinhando-se ao estilo característico da franquia Contos da Cripta. Apesar de não ter sido um grande sucesso de crítica, o filme conquistou fãs entre os admiradores do terror com humor e se tornou uma curiosidade cult dos anos 90. Uma pena que não deu continuidade aos filmes baseados na série.
Inocente Mordida (1992)

John Landis já havia revolucionado os filmes de lobisomem com ‘Um Lobisomem Americano em Londres‘ (1981). Onze anos depois, ela partia para fazer o mesmo com vampiros – porém, o resultado ficaria bem longe do mesmo sucesso. O filme gira em torno de Marie (Anne Parillaud), uma vampira moderna que só se alimenta de criminosos. Com um tom entre o sensual e o grotesco, o filme traz a marca registrada de Landis: violência gráfica estilizada, humor sombrio e uma série de participações especiais de nomes conhecidos do terror e do cinema policial. Embora não tenha sido um sucesso comercial, ‘Inocente Mordida‘ ganhou certo status cult por seu estilo ousado, trilha sonora jazzística e a forma inusitada como mistura o vampirismo clássico com a estética dos filmes de máfia.
A Sedução do Mal (1995)

Um thriller erótico de horror, que ficou marcado por ser uma transição ousada da atriz Alyssa Milano do universo das sitcoms para papeis adultos. Na trama, Milano interpreta Charlotte, uma jovem tímida e reprimida sexualmente que vive em um campus universitário e começa a ter visões perturbadoras e sonhos eróticos com um misterioso vampiro (Martin Kemp), que a persegue e a seduz através de um elo psíquico. A atmosfera é carregada de erotismo gótico e visual estilizado. O filme se apoia na dualidade entre inocência e tentação, explorando temas como o despertar sexual e a perda de controle. Embora tenha sido criticado por sua ênfase em cenas sensuais em detrimento da narrativa, o longa acabou se tornando um cult nos anos 90.
