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Dica | ‘Mickey All Stars’ é uma Graphic Novel essencial para os fãs da Disney


A Bienal do Livro do Rio de Janeiro está acontecendo e vai até o próximo dia 21. Dentre os descontos os estandes, a Panini vem se destacando com descontos muito interessantes nos volumes da coleção BD Disney, que integram uma série bastante curiosa para os fãs dos personagens clássicos da empresa, como o Mickey Mouse, o Pato Donald e o Tio Patinhas, por exemplo. No Brasil, cada exemplar da coleção costuma ser lançado, em média, por R$ 69,90. Só que a editora está disponibilizando os volumes por valores a partir dos R$ 34,90.

Iniciada há cerca de quatro anos no Brasil, a linha BD Disney traz um tratamento de luxo para edições que trazem histórias publicadas originalmente pela editora francesa Glénat. Com essa pegada europeia, as Graphic Novels da Disney abraçam o tradicionalismo, mas sem perder a ousadia francesa. Ou seja, são fascículos espetaculares que trazem histórias cujos volumes não dialogam entre si. É uma publicação antológica, voltada exclusivamente para apreciação individual de cada trama.

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‘A Ilha do Terror’ foi o 11º volume da coleção ‘BD Disney’, lançada no Brasil pela Panini e que também está em promoção na Bienal do Rio. Foto: Divulgação.

Dito isso, a dica é de uma Graphic Novel espetacular para todos os fãs do ‘boss’ Mickey Mouse. Lançada por aqui em fevereiro de 2024, Mickey All Stars é uma publicação ousadíssima que chegou ao Brasil com um atraso de seis anos, mas sem perder o brilho. Ela foi lançada na França para celebrar os 90 anos do Mickey, em 2018, com a proposta de homenageá-lo da forma mais artística possível: misturando os estilos de 47 ilustradores diferentes nas páginas.



A trama é ridiculamente simples e foi criada apenas para chancelar a realização da proposta. Mickey vai a um parque de diversões, onde encontra um brinquedo que supostamente o fará vivenciar dezenas de realidades diferentes em um único passeio. Ele adentra a porta com seu otimismo padrão e acaba passando por quase 50 histórias, enquanto seus amigos preparam uma festa surpresa para ele ao fim da viagem.

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Foto: Divulgação.

A proposta para fazer esse projeto virar realidade foi a seguinte: 47 artistas diferentes deveriam ilustrar uma história de uma página, cada, que tivesse início com o Mickey adentrando por uma porta, vivenciasse alguma experiência e terminasse saindo por outra porta. Nenhum ilustrador saberia de onde o camundongo veio nem para onde ele iria a seguir. O que valia mesmo era contar uma história simples, mas que exibisse seus estilos artísticos e suas próprias visões acerca do personagem.

“Em 2018, aceitei colaborar com este projeto porque ele me pareceu estimulante, dada a liberdade criativa prometida. A única obrigação era desenhar uma prancha autoconclusiva cujo fio condutor estava nos painéis inicial e final. Na primeira vez que tive a chance de ver o livro, fiquei desconcertado com a magnitude da liberdade usada, inesperada para mim. Mas esse sentimento desapareceu lentamente quando admirei o álbum em sua completude, apreciando o estilo gráfico – ora refinado, ora grotesco – das ilustrações. Observando-o com mais atenção, entendi que se tratava de uma tentativa visceral de trazer nosso herói de volta ao seu caráter original: exuberante, brincalhão, moleque. Portanto, considero envolvente esta ‘releitura’ do personagem, também graças à amplitude da criatividade gráfico-narrativa dos autores. Pessoalmente, aplaudo a iniciativa porque é preciso coragem para confeccionar uma obra do gênero. Conheci o Mickey em 1949. E logo gostei dele: foi amor à primeira vista! Certamente, não imaginei que tal ‘amor’ duraria tanto.
Hoje, muito tempo depois, sinto-me afortunado ao constatar que o sentimento continua vivo. Obrigado, Mickey!”, contou o ilustrador Marco Rota.

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Foto: Reprodução.

A beleza da obra se encontra justamente nessa mistura de estilos artísticos e narrativos. Há páginas com diálogos, enquanto outras trazem apenas ilustrações. Umas seguem o padrão dos quadrinhos de contar histórias, outras apostam nas setas para contar suas tramas explorando ao máximo o espaço da página. Os artistas convidados foram: Alfred, Batem, Federico Bertolucci, Guillaume Bouzard, Frédéric Brémaud, Brüno, Silvio Camboni, Éric Cartier, Giorgio Cavazzano, Florence Cestac, Joris Chamblain, Jean-Christophe Chauzy, Clarke, Nicolas Dab’s, Dav, Pieter De Poortere, Mathilde Domecq, Massimo Fecchi, Cèsar Ferioli, Denis-Pierre Filippi, Flix, Godi, Éric Hérenguel, Nicolas Juncker, Nicolas Kéramidas, Antonio Lapone, Marc Lechuga, Thierry Martin, Boris “BenGrrr” Mirroir, José-Luis Munuera, Alexis Nesme, Fabrice Parme, Mike Peraza, Fabrizio Petrossi, Jean-Philippe Peyraud, Johan Pilet, Michel Pirus, Arnaud Poitevin, Nicolas Pothier, Pascal Regnauld, Francisco “Paco” Rodriguez, Marco Rota, Olivier Supiot, Tebo, Ulf K., Sascha Wüstefeld Zanzim.

“Foi um trabalho aparentemente fácil, mas, na verdade, a extrema liberdade não era tanta assim, pois o enredo tinha de se vincular ao conceito comum de todas as páginas e suas portas. Nenhum desenhista sabia qual seria a página precedente, nem a sucessiva. Isso tornava a coisa ainda mais complicada porque era preciso apresentar uma trama com narrativa coerente e aceitável. Inicialmente, procurei explorar temas diversos ligados ao aniversário do Mickey, ao presente dado pela Minnie e à festa surpresa organizada pelos amigos do ratinho para a ocasião. No final, abordei a ideia da porta como um jogo, e foi a opção que funcionou melhor, inclusive com a ajuda do texto”, explicou Fabrizio Petrossi.

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Foto: Reprodução.

Com 56 páginas, Mickey All Stars também traz depoimentos, rascunhos e esboços de alguns dos artistas que compuseram o projeto. É uma edição de capa dura com acabamento sensacional, ressaltando o luxo da publicação de aniversário do maior ícone da Disney.

É uma leitura obrigatória para os fãs do camundongo mais famoso dos cinemas, que pode ser feita em qualquer lugar, já que é bastante dinâmica e divertida.

Pedro Sobreirohttps://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.
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