Arquiteto de formação, o ator Alexandre Barillari logo se viu fascinado pelo universo das artes. Depois de fazer um curso de teatro, e, em seguida, se encantar pela obra de William Shakespeare, decidiu apostar todas suas fichas na carreira de ator – escolha que se mostrou mais do que acertada! Rosto conhecido por seus trabalhos em dezenas de novelas, com papéis emblemáticos como o Guto de Alma Gêmea, hoje, aos 52 anos, o ator retorna ao cinema num filme baseado em um livro escrito por Walcyr Carrasco.

Durante a Mostra de Cinema de Fama, na qual foi júri e também homenageado, conversamos com o artista, que, sempre muito inteligente, nos conduziu por suas reflexões sobre o mercado audiovisual brasileiro e sua relação com os festivais de cinema.

1) Queria saber a importância que os festivais de cinema tem para vocês artistas e realizadores? E também sobre sua relação com a Mostra de Cinema de Fama.
Alexandre Barillari: “Sou adepto da ideia de que, se fosse possível realizar um festival de cinema em cada um dos 34 municípios que margeiam o lago de furnas, isso seria o ideal. Independente de serem pequenas ou grandes, é um novo público que você forma através desses eventos. O festival preenche o espaço de carência de nos conhecermos através de uma produção feita no Brasil. O cinema se apoia em quatro grandes pilares: a produção, a distribuição, a profissionalização e a preservação. O mais instável, ainda hoje, é o da profissionalização. Por isso, tenho insistido para que os festivais ofereçam sempre oficinas voltadas ao cinema. Eu sou um bardólatra (em referência ao apelido usado carinhosamente para se referir à William Shakespeare). Shakespeare é uma paixão na minha vida. Afinal, não existe psicologia do personagem em qualquer lugar da dramaturgia ocidental que não passe por Shakespeare.”

2) Como você está vendo o momento atual do mercado audiovisual brasileiro?
Alexandre Barillari: “O que estamos vendo é muita espuma e pouco champanhe. Por sorte, temos uma produção muito rica. Mas ainda há um certo desapoio do governo, que não consegue fazer com que nossas grandes produções cheguem mais longe. O que há em Ainda estou Aqui que não encontramos em outros filmes? Temos centenas de obras. Acho a gestão do ministério da cultura ainda muito tímida nesse fomento. Há muitas reclamações: falta de incentivo, até mesmo falta de exibição e janelas para exibições de curtas-metragens.”

3) Sobre o novo longa-metragem que você vai lançar como ator, baseado numa obra de Walcyr Carrasco, conta um pouco pra gente sobre esse projeto.
Alexandre Barillari: “Rodamos o filme inteiro em Campos do Jordão. O argumento é do Walcyr Carrasco, baseado em seu livro homônimo, e a direção é de Adolpho Knauth. O título do filme é Juntos para Sempre. A trama se passa em um mundo medieval e suas atrocidades – não por acaso chamado a Idade das Trevas – e se conecta, por meio das encarnações, com alguém da nossa contemporaneidade. Essa pessoa passa por uma sessão de regressão e, através dessa pesquisa sobre um problema que a atormentava, descobre quase como em um diagnóstico, a origem de agonias e transtornos. Nessas recordações passadas, interpreto um carrasco medieval responsável por girar a manivela das atrocidades que desencadeiam os renascimentos das pessoas. Soube há pouco que o filme já está em processo de finalização e, se não for lançado no final deste ano, deve chegar aos cinemas no início de 2026. O elenco conta com: Marcelo Serrado, Ernani Morais, Carlos Vereza, Flávio Tolezani e outros grandes artistas.”
