Em Home Vídeo | Homens de Coragem – Josh Brolin e Jeff Bridges no melhor filme catástrofe em anos

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Nota:


Cortina de Fogo

Em anos recentes, vimos alguns dos melhores lançamentos do cinema norte-americano ficarem renegados a um lançamento em vídeo no Brasil. Um dos casos mais notórios foi o da ficção científica icônica e cultuada Ex-Machina: Instinto Artificial (2014). E nem estamos falando dos lançamentos da Netflix. O que acontece é que nosso país possui poucas salas de cinema e a competição do circuito é alta. Assim, através de algum sistema de avaliação, distribuidoras ponderam sobre qual produção trará mais retorno a seus cofres. É pura questão de números. Tudo bem que nem sempre acertam…

É uma pena que assim – neste jogo de azar (no qual não existem verdadeiramente culpados) – filmes do calibre de Homens de Coragem (Only the Brave) não tenham oportunidade de ser exibidos nas grandes salas de cinema do país. E este é um que merecia muito uma Imax. Homens de Coragem é apenas o melhor filme dentro do gênero cinema catástrofe dos últimos anos – o que é dizer muito. Produzido e distribuído pela Sony (Columbia Pictures), o filme já pode ser conferido nos canais da rede HBO na TV a cabo.

Homens de Coragem soma 87% de aprovação da imprensa no agregador Rotten Tomatoes – o que é um feito impressionante. O problema foi que o longa falhou em chamar atenção do público em seu país, e com um orçamento de US$38 milhões (que podem ser sentidos na tela), arrecadou apenas um pouco mais de US$6 milhões em sua estreia nos EUA (ficando em quinto lugar no ranking semanal) e depois um total de US$18 milhões em seu fim de carreira por lá. Com mais US$7 milhões em territórios estrangeiros, o longa chegou a uma bilheteria final de US$25 milhões, ainda bem abaixo de seu orçamento. Essa é a explicação mais lógica para seu lançamento em home vídeo por aqui – no entanto, poderia ter feito sucesso no Brasil – já que este é um tipo de filme que tem forte apelo com o público daqui.

Visualmente, Homens de Coragem impressiona tanto quanto o aguado Evereste (2015), porém, aqui temos um roteiro mais encorpado e atuações mais comprometidas. O segredo de Homens de Coragem é o desenvolvimento de personagens, e situações dignas de uma obra que busca vaga no Oscar. Baseado numa história real, que gerou o artigo de Sean Flynn na revista GQ, o filme narra a jornada diária da equipe de bombeiros florestais de elite, arriscando suas vidas para evitar grandes tragédias, nas imediações da pequena cidade de Prescott, Arizona. Falando assim, soa como mais um genérico do tipo, mas acredite, é puro drama e duelos entre personagens ricos.

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Josh Brolin comanda a equipe e o elenco na pele do chefe Eric Marsh, cujo trabalho chega antes do que qualquer outro elemento de sua vida. Sua esposa, papel da vencedora do Oscar Jennifer Connelly, entende bem os termos do relacionamento, mas após mudanças resultantes de anos de conexão, a dinâmica está prestes a ser abalada. Os embates entre a dupla são alguns dos pontos altos – extremamente realista para qualquer filme que vislumbre a vida a dois. E esse não é um projeto no qual atrizes que interpretam “a esposa” estão ligadas no automático – vide Keira Knightley no citado Evereste. Connelly tem função fundamental na trama e imprime sua marca nas telas.

Completando o elenco principal, o veterano Jeff Bridges traz o peso de seu prestigiado nome numa participação afetuosa, e o jovem subestimado Miles Teller é um dos chamarizes como o problemático recruta Brendan McDonough, ex-viciado em busca de redenção. Sim, em determinados trechos Homens de Coragem pode soar exatamente como um filme religioso, já que o principal mote aqui talvez seja a melhoria de vida e o aprimoramento do espírito humano. Porém, o faz com tanta propriedade e talento, que só conseguimos enxergar as excitantes performances e os desdobramentos aflitivos de cada cena.

Por falar em momentos nervosos, a maior parte dos créditos deve ir para o diretor Joseph Kosinski, em seu melhor trabalho no comando de uma produção. Vindo de comerciais de TV, o cineasta tem no currículo dois filmes de ficção pop: Tron – O Legado (2010) e Oblivion (2013). Agora, em sua obra mais séria e adulta, Kosinski tira de seus atores o melhor de si – como dito, soam como se buscassem prêmios -, mas não esquece dos impressionantes visuais que se tornaram sua marca registrada. Aqui, a fotografia do chileno Claudio Miranda (O Curioso Caso de Benjamin Button e As Aventuras de Pi) cresce a cada nova cena, dando a dimensão exata e o escopo de magnitude que, mesmo ao assistir o filme de casa (de nossa TV), chama atenção.

Homens de Coragem pode não ser a biografia mais ousada e criativa da atualidade (isso deixamos para as obras de Adam McKay), mas sem dúvida é cinema entretenimento de altíssima qualidade, que escreve de volta o nome dos filmes catástrofe na seara das produções a serem levadas a sério. A lição que os realizadores deixam é que os efeitos, a tensão e a ação deve servir ao roteiro, como adendos bem-vindos, sopros refrescantes. E não o oposto, como tem apostado constantemente o cinemão Hollywoodiano. Uma bela homenagem a verdadeiros super-heróis…



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