Em Home Vídeo | Massacre no Texas – A prequel da prequel do ‘Massacre da Serra Elétrica’

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Nota:

Quem Sou Eu?

Tudo começou há um tempo atrás na ilha do sol em 1974, quando chegava aos cinemas o filme anunciado como o mais perturbador já produzido na história. A produção independente capitaneada pelo cineasta Tobe Hooper de fato traumatizou toda uma geração. Com seu ar amador, O Massacre da Serra Elétrica soa quase como um documentário, banhado numa insanidade crescente e, até então, sem precedentes. De fato, o filme demorou a ser permitido no Brasil, e durante a minha infância, já na década de 1980 e 1990, a fita causava frisson nas vídeo locadoras. O aviso antes do início da projeção de que tudo se tratava de uma história real, deixava a obra ainda mais lendária para a garotada.

Três continuações, uma refilmagem, uma pré-sequência desta refilmagem, e um reinício para a série depois, e finalmente temos no Brasil a pré-sequência da pré-sequência desta franquia de terror adorada. Massacre no Texas – título que pode tirar os mais desavisados de jogada (sem perceberem se tratar de um Massacre da Serra Elétrica) – é o oitavo filme oficial sobre a louca família de canibais, que vive mudando seus membros de um filme para o outro. O longa aporta sem muito barulho no mercado de home vídeo, sem passar previamente pelos cinemas, trazido pela Califórnia Filmes. A produção já pode ser encontrada no Telecine On Demand na TV a cabo.

Massacre no Texas, título nacional para Leatherface – no original, fazendo referência ao infame psicopata que se tornou icônico no submundo – marca também o último trabalho do saudoso Tobe Hooper, falecido em 2017, aos 74 anos. Hooper é o produtor do longa. Curiosamente, o terceiro filme da franquia, de 1990, já havia usado o nome do assassino “cara de couro” em seu título. Outra curiosidade é pensar que o filme original é praticamente o irmão gêmeo do clássico Psicose (1960), de Alfred Hitchcock. Explico. Os dois foram baseados na história verdadeira do psicopata Ed Gein, adaptados livremente, cada um a sua maneira.



Massacre no Texas é o início de tudo. O mote do filme é nos mostrar a infância do cruel e desmiolado canibal ao lado de seus entes. Assim, vemos Jedidiah (a identidade do maníaco) ainda menino, enquanto sua família, encabeçada pela matriarca Verna (Lili Taylor) o ensina o gosto pela carne e atrocidades no dia a dia. As autoridades chegam a tempo para tirar o jovem dos cuidados da mulher desequilibrada e do antro de lunáticos – para dizer no mínimo. Ou quase, já que no meio tempo uma jovem acaba sendo morta por eles (pagando por agir de forma tão idiota) – ao que descobrimos se tratar da filha do xerife, papel de Stephen Dorff.

Assim, Jed é logo institucionalizado num hospital psiquiátrico, para tentar apaziguar seus traumas, e por lá fica durante anos. Enquanto sua mãe / tia (Taylor) faz de tudo para tirá-lo do local e leva-lo de volta ao seio familiar, para que possa fazer mais insanidades, obviamente, o xerife faz força contrária, lutando para que o jovem permaneça o mais longe possível destas pessoas, ligadas a ele pelo sangue. E é agora que chega o grande lance deste roteiro, escrito por Seth M. Sherwood. Ao invés de focar nas inúmeras mortes e perseguições com a serra elétrica, Massacre no Texas se dá ao trabalho de tentar mudar de subgênero, criando um suspense para que se descubra qual dentre alguns candidatos bem promissores é o futuro Leatherface.

Acontece que o filme dá um salto no tempo, e quando encontramos de novo os personagens, o menino já se tornou um jovem rapaz. Ninguém na instituição revela sua verdadeira identidade, já que segundo o diretor do hospital, lá eles recebem novos nomes para se desvincularem de vez das vidas que levavam. Nem mesmo a parente consegue aponta-lo ou distingui-lo, e esta dúvida é imposta ao espectador. Ao longo da jornada, cabe a nós perceber quem de fato tem mais propensão a se tornar nosso querido assassino serial da máquina cortante. Ele pode ser Bud (Sam Coleman), o jovem com sobrepeso calado – claramente dono da força física necessária. Ele pode ser Ike (James Bloor), o mais instável e violento. Ele pode ser Jackson (Sam Strike), o mais controlado e racional.

O trio consegue escapar do sanatório, e carregam consigo a enfermeira Lizzy (a carismática Vanessa Grasse) e a descontrolada Clarice (papel da ótima Jessica Madsen), em quem eu até apostaria ser Leatherface se existisse a mínima possibilidade nesta história para mudança de sexo.

Fora esse gimmick (artifício) até interessante, que se mantém até quase o desfecho, confeccionado para prender nossa atenção, o longa é apenas mais do mesmo, sem qualquer diferencial em sua narrativa ou parte técnica que o faça sobressair a outro filme de terror extremamente violento, sem muitos conflitos ou tensões reais. Existem também certas incoerências das quais o roteiro não consegue fugir, surgindo como amarras – como, por exemplo, as inúmeras chances que Jackson e Lizzy possuem de se separarem do resto da turma e seguirem seu próprio caminho. Uma inclusive bem óbvia no restaurante.

O desfecho é o banho de sangue esperado, feito para deixar os fãs satisfeitos. O que marca mais, porém, é a tentativa de impacto com o destino de alguns personagens e a visceralidade de mortes inesperadas, subvertendo relacionamentos, como quando Leatherface resolve assumir de vez sua persona muito conhecida. Perambulando por tudo isso, encontramos um Finn Jones (o personagem título da série Marvel/Netflix Punho de Ferro) meio perdido na pele de um policial, assim como os diretores responsáveis pela obra, Julien Maury e Alexandre Bustillo. O Massacre da Serra Elétrica mostra com este novo exemplar que quando tudo já foi tentado e parece não ter dado certo, é preciso deixar o cadáver descansar. Mesmo que este cadáver seja de um querido monstro da sétima arte.





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