sexta-feira, janeiro 9, 2026

Entre os silêncios da empatia e as rupturas do abismo moral: Três destaques do FESTIVAL DE CINEMA FRANCÊS DO BRASIL

DestaqueEntre os silêncios da empatia e as rupturas do abismo moral: Três destaques do FESTIVAL DE CINEMA FRANCÊS DO BRASIL

Quem não gosta de um bom filme francês? Apresentando um recorte profundo e contemporâneo de uma das filmografias mais aclamadas por cinéfilos de todo o mundo, o Festival de Cinema Francês do Brasil 2025 trouxe na bagagem um leque filmes interessantes de novos e experientes cineastas, que vem adicionando emoção e reflexão ao panorama atual  desse país que todos nós amamos.



Entre os títulos que serão exibidos até o dia 10 de dezembro, em diversas cidades brasileiras, três filmes logo se tornaram um grande destaque por conta de uma temática em comum: as emoções e os comportamentos nas relações interpessoais, que rapidamente se transformam em um mar de reflexões sobre a sociedade atual.

Cena do filme: 'O Apego', um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil
Cena do filme: ‘O Apego’, um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil

Um deles é O Apego (leia a crítica do filme aqui). Dirigido pela parisiense Carine Tardieu e baseado na obra L’Intimité, de Alice Ferney, o filme apresenta uma narrativa que consegue se posicionar entre o dito e o sentido, traduzindo o interior dos personagens e suas emoções conflitantes. Consegue chegar em pontos de rasgar o coração com uma leveza poética pronta para distribuir reflexões ligadas às complexidades do desamor.

Sandra (Valeria Bruni Tedeschi) é uma mulher solteira que vive seus dias dedicada ao trabalho como administradora de uma livraria. Um dia, sua vizinha da frente precisa que ela cuide de seu filho pequeno, Elliot, pois está em trabalho de parto e precisa ir ao hospital. Quando a vizinho morre durante o parto, o marido dela, Alex (Pio Marmaï), enfrenta a dor dessa perda, e Sandra passa a fazer cada vez mais parte dessa família, acompanhado situações pelos meses que se seguem após o ocorrido.

Cena do filme: 'O Apego', um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil
Cena do filme: ‘O Apego’, um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil

Outro título que chamou nossa atenção foi Mãos à Obra (leia a crítica do filme aqui). Esse longa-metragem nos mostra um homem e sua série de decepções e aprendizados ao decidir por uma grande virada na vida: trocando a estabilidade e encontrando desilusões. O protagonista dessa história se coloca como observador do que gira ao seu redor, sem nunca perder a esperança – mesmo diante de dificuldades evidentes.

Paul (Bastien Bouillon) deixou uma carreira de relativo sucesso na fotografia para se arriscar no universo literário. Pressionado a realizar um grande romance – com seus trabalhos anteriores sendo um sucesso com os críticos e um fracasso de vendas – e com as contas se acumulando, ele precisa enfrentar a situação enquanto lida com a distância dos filhos, que estão indo com a ex-esposa morar no Canadá, além dos questionamentos e preocupações do pai. Enfrentando essas e outras questões para manter seu novo desejo vivo, Paul luta para sobreviver junto a seus sonhos e acaba se cadastrando em um aplicativo que funciona como um leilão de trabalhos mal pagos.

Cena do filme: 'Mãos à Obra', um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil
Cena do filme: ‘Mãos à Obra’, um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil

E vale mencionar também, talvez, o filme mais impressionante e certeiro de todos esses – dentro do recorte mencionado. O Estrangeiro (leia a crítica completa aqui) do cultuado cineasta francês François Ozon expõe de forma brilhante o ‘melô da indiferença’. A natureza das relações interpressoais, sob o ponto de vista de um personagem com uma indiferença alarmante, é o alicerce desse longa-metragem denso que destrincha a morte moral do incômodo, em vez do arrependimento. Nada em O Estrangeiro, é rasteiro: do amor às hipocrisias, vamos caminhando pelas camadas que revelam através de um observador apático diante do que está ao seu redor.

Em uma Argélia do início dos anos 1930, com grande desigualdade social entre franceses e argelinos nativos, conhecemos Meursault (Benjamin Voisin, em atuação irretocável), um homem que vive seus dias com um distanciamento emocional latente em relação a toda construção de relações que estabelece. Após sua mãe morrer em um asilo, ele se reaproxima de Marie (Rebecca Marder), uma conhecida de outros tempos com quem acaba se envolvendo. No entanto, distante de qualquer vínculo mais próximo, se vê envolvido em um assassinato a sangue frio, sendo julgado e condenado.

Cena do filme: 'O Estrangeiro', um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil
Cena do filme: ‘O Estrangeiro’, um dos destaques do Festival de Cinema Francês do Brasil

O Cinepop está fazendo a cobertura do Festival de Cinema Francês do Brasil, não deixem de conferir todas nossas matérias no site e pelas redes sociais.

author avatar
Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS