A atriz Julie Newmar, eternizada por interpretar a Mulher-Gato na icônica série de televisão do ‘Batman’ nos anos 1960, gerou forte repercussão ao tecer duras críticas ao movimento #MeToo e defender que os homens deveriam continuar no comando da indústria cinematográfica.
Em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, a artista de 92 anos foi questionada sobre ter interpretado papéis hipersexualizados ao longo de sua trajetória e sobre a atenção masculina que atraía na época.
Newmar foi direta em sua resposta: “Por sorte, eu gostei. Foi bom. Eu… não sou a primeira da fila do #MeToo”.
A veterana também afirmou que o comportamento dos homens que controlam os grandes estúdios de Hollywood não precisa ser corrigido por pressões externas, minimizando as críticas históricas à cultura corporativa do setor:
“Eu amo demais os homens. Eu os entendo. E os chefes dos estúdios, sim, eles arrombam portas e fazem isso ou aquilo. É assim que eles agem. Você acha que vai mudar as coisas? Não muita coisa… E sabe de uma coisa? Funciona. Funciona maravilhosamente bem porque os homens são muito bons para as mulheres”, acrescentou.
Ao ser questionada especificamente se o mercado do entretenimento global deveria ser integralmente gerido por homens, a atriz reforçou seu posicionamento polêmico: “Deveria ser. Eles fazem isso melhor do que ninguém”.
As declarações de Julie Newmar colidem diretamente com as transformações estruturais promovidas pelo #MeToo, movimento social global de combate ao assédio e ao abuso sexual que ganhou projeção mundial em 2017. Impulsionada por graves denúncias contra o outrora poderoso produtor Harvey Weinstein, a mobilização encorajou milhares de vítimas a quebrarem o silêncio, gerando impactos profundos no sistema jurídico dos Estados Unidos.
Graças ao movimento, diversos estados norte-americanos proibiram o uso de acordos de confidencialidade (NDAs) em casos de violência sexual, eliminaram prazos prescricionais para denúncias e forçaram a criação de novas diretrizes para garantir ambientes de trabalho mais seguros na indústria do entretenimento. Alvo de mais de 80 acusações formais de má conduta ao longo dos anos, Harvey Weinstein foi condenado por estupro e atualmente cumpre pena de 16 anos de prisão.




