InícioDestaque‘Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado’ (1998) –...

‘Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado’ (1998) – Relembrando a sequência que levou o terror para as Bahamas


O mês de julho reservou a volta de um dos maiores slasher saídos dos anos 90. Falamos de ‘Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado’, thriller que pegou o rastro de ‘Pânico’ e surgiu como o segundo grande representante do gênero na época. O novo filme funciona tanto como um reboot, apresentando a história para toda uma nova geração, como também uma continuação tardia, criando elo com os fãs antigos graças ao retorno de veteranos como Jennifer Love Hewitt como Julie James e Freddie Prinze Jr. como Ray Bronson. A nova versão do clássico, que possui o mesmo título do original, já está em exibição nos cinemas.

Para entrar no clima do reboot, iremos revisitar a primeira continuação do novo clássico, que saiu logo no ano seguinte, aproveitando o hype que o original gerou junto aos aficionados. Mas para onde seguir com a sequência? Que tal levar os personagens para um resort em uma ilha paradisíaca nas Bahamas, mantendo assim o clima praiano do slasher. Confira abaixo os detalhes sobre a produção de ‘Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado‘ (1998) – ou seria “dois verões no passado”, mas  tudo bem.

Leia também: Você sabia que existe ‘Eu SEMPRE Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado’?



Na segunda metade dos anos 90, o cinema de terror adolescente vivia um verdadeiro revival. Graças ao sucesso estrondoso de ‘Pânico (1996), dirigido por Wes Craven e escrito por Kevin Williamson, Hollywood voltou a investir em jovens bonitos correndo de assassinos mascarados. Foi nesse embalo que surgiu ‘Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), uma mistura de suspense, mistério e terror com roupagem de novela teen da CW. O filme foi um sucesso de bilheteria, agradando em cheio ao público jovem. E, como manda a tradição hollywoodiana: se um filme dá lucro, é hora de preparar a sequência o quanto antes. E foi assim, com gancho em punho, que nasceu ‘Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1998).

A proposta da continuação era clara: repetir a fórmula do primeiro, mas com novos cenários, novas vítimas e, se possível, mais sustos. Só que ao mesmo tempo, o estúdio queria algo maior – afinal, sequências tendem a ir além. A ideia de manter a ação na mesma cidade foi rapidamente descartada, assim como outros roteiros iniciais que colocariam os personagens na faculdade ou investigando os crimes do passado por conta própria. Um rascunho inclusive envolvia Julie (Jennifer Love Hewitt) trabalhando como conselheira de um acampamento de verão – Jason Voorhees curtiria isso. Por fim, a trama tropical venceu, com a clássica desculpa de uma “viagem paradisíaca em que dá tudo errado”. Um toque de ironia: a ilha caribenha foi, na verdade, filmada no México, em locações bem mais acessíveis e com garantia de chuva cenográfica.

O roteiro ficou a cargo de Trey Callaway, um roteirista ainda em começo de carreira, e a direção passou para Danny Cannon. Cannon tinha no currículo ‘O Juiz (1995), aquele blockbuster futurista com Sylvester Stallone e Rob Schneider que, bem, conhecemos bastante. Aqui, ele tentou manter um clima mais sombrio que o do primeiro filme, mas não resistiu ao apelo pop que a franquia já trazia embutida. O resultado foi uma direção com mais planos dramáticos, chuva constante e takes de Jennifer Love Hewitt andando de biquíni.

O elenco reuniu rostos familiares e algumas novidades que chamaram atenção. Jennifer Love Hewitt voltou como Julie James, agora ainda mais abalada, insegura e com crises de pânico diárias. A atriz, na época, era uma das maiores estrelas teen, graças ao sucesso da série ‘Party of Five e sua crescente carreira no cinema. Freddie Prinze Jr. também retornou como Ray, o namorado que virou suspeito no primeiro filme e agora aparece mais distante – literalmente, já que ele passa metade do filme tentando chegar à ilha.

Entre os novos personagens, Brandy Norwood, estrela pop da música e atriz em ascensão, chega como Karla, a amiga leal e animada que serve tanto de alívio cômico quanto de apoio emocional. Mekhi Phifer surge como Tyrell, o típico namorado que só pensa em “atividade física no quarto”, e Matthew Settle como Will Benson, o simpático rapaz misterioso que conquista Julie, mesmo tendo um nome suspeitíssimo (Ben’s son… pega essa). E claro, temos Jack Black em uma participação totalmente aleatória (e não creditada) como um maconheiro rastafári que entrega exatamente o que você espera… ou menos.

A trama começa com Julie ainda sofrendo com os traumas do verão passado (o primeiro filme). Ela sonha com o assassino, ouve coisas, vê sombras, mas ninguém leva muito a sério. Karla, querendo animá-la, ganha uma promoção de rádio com uma pergunta de cultura geral absurdamente fácil: “Qual é a capital do Brasil?” (eles respondem Rio de Janeiro. Sim, o erro é proposital, e sim, esse é o nível de lógica do roteiro).

A viagem leva as meninas, Will e Tyrell para um resort no Caribe, que está praticamente vazio por conta da temporada de furacões. Clima perfeito para um assassino reaparecer. Ray, desconfiado desde o início, se recusa a ir e acaba sofrendo um atentado na estrada, passando o filme tentando sobreviver e alcançar sua amada.

Na ilha, o clima fica cada vez mais sinistro: hóspedes e funcionários começam a desaparecer misteriosamente, a tempestade isola a ilha do resto do mundo e Julie passa a desconfiar que o passado está de volta para assombrá-la – de novo. E está mesmo: Ben Willis, o pescador com o gancho assassino, está de volta. E como todo bom vilão de filme slasher, ele é praticamente imortal, silencioso, e praticamente tem superpoderes de locomoção invisível.

O ponto alto (ou baixo, dependendo do ponto de vista) é a revelação de que Will, o novo pretendente, é na verdade o filho de Ben. Sim, Will Benson. Ben’s son. Dizer isso em voz alta é quase uma piada de ‘Todo Mundo em Pânico. Aliás, provavelmente foi.

A crítica, no geral, torceu o nariz. Muitos apontaram que o filme era uma sequência preguiçosa, com sustos reciclados, personagens que tomam decisões absurdas e um roteiro que beira o nonsense. O The New York Times chegou a chamá-lo de “um episódio esticado de uma série adolescente com sangue falso”. Outros reclamaram da previsibilidade e da forçação de barra do twist final. Ainda assim, o público adolescente compareceu, principalmente pela presença de astros jovens em alta e pela curiosidade com o destino dos sobreviventes. E claro, porque naquela época não havia streaming – o cinema era a saída de sexta-feira à noite.

Em seu fim de semana de estreia, na sexta-feira 13 de novembro de 1998, o longa estreou em segunda posição do ranking com US$16.5 milhões, atrás do campeão da semana anterior e fenômeno da época: a comédia ‘O Rei da Água‘, que transformou Adam Sandler em uma força em Hollywood. Por outro lado, ‘Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado‘ foi a melhor estreia da semana, embarreirando ‘Encontro Marcado‘, com Brad Pitt e Anthony Hopkins, que teve que se contentar com a terceira posição do ranking.

O filme arrecadou cerca de US$84 milhões mundialmente, com um orçamento de aproximadamente US$24 milhões. Foi lucrativo, mas não alcançou o mesmo impacto do primeiro filme – que somou US$125 milhões mundiais. De qualquer forma, seu sucesso poderia ter gerado uma terceira parte, para encerrar a trilogia ainda em 1999.

A trilha sonora do longa fez relativo sucesso, trazendo faixas de Brandy, Orgy e Adam Cohen, filho de Leonard Cohen (!). Mas o verdadeiro legado do filme veio anos depois: piadas eternas sobre o nome “Will Benson”, listas de piores continuações e um carinhoso status de “guilty pleasure” para os fãs de terror dos anos 90.

E mesmo com o final sugerindo que Julie ainda seria perseguida, a franquia tomou um rumo diferente, com ‘Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2006), um terceiro filme direto para DVD com elenco novo e nenhuma conexão direta com os dois primeiros. A essa altura, o pescador já tinha aposentado o gancho… e ninguém mais ligava.

Hoje, ‘Eu Ainda Sei’ é visto com uma dose de nostalgia. Talvez não seja um bom filme, mas é um excelente retrato de uma era: roupas largas, diálogos exagerados, jovens correndo sem cobertura de celular, e vilões com motivações confusas, mas presença marcante. Além de, claro, servir como boa ponte para o novo filme, lançado hoje nos cinemas. Se você quer uma noite de terror leve com amigos, pipoca e alguns bons gritos seguidos de risadas, este é um prato cheio. Porque, afinal, o verão pode passar, mas as lembranças – e o pescador vingativo – sempre voltam.

MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS