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[EXCLUSIVO] Lara Suleiman e o desafio de dar nova vida a personagens icônicas do cinema no palco — e na dublagem


Lara Suleiman tem se destacado como uma das artistas mais versáteis da cena atual. Atriz, cantora e dubladora, ela transita com fluidez entre palcos e estúdios, e tem chamado atenção por dar vida – e voz – a personagens que marcaram gerações no cinema.

De Janis, sua personagem atual em ‘Meninas Malvadas’, a Lydia (Beetlejuice), passando pela princesa Jasmine na versão brasileira do live-action Aladdin, Lara vem construindo uma carreira marcada por clássicos do cinema, ao mesmo tempo que os reinventa com identidade própria. Depois de uma temporada rebelde no Colégio North Shore, ela já se prepara para voltar aos anos 60 e dar vida a Lorraine em ‘Jersey Boys’, musical da Broadway e também conhecido das telas, que referia a biografia da banda The Four Seasons e ganha montagem brasileira a partir de agosto, em São Paulo.

Para ela, o grande desafio de interpretar figuras tão conhecidas do cinema está justamente em evitar a imitação.



“Meu primeiro impulso foi preservar a essência dessas personagens, aquilo que fez com que o público se apaixonasse por elas. A partir daí, procuro construir uma versão que traga também o meu olhar, minha personalidade e minha compreensão do papel”, explica. Essa busca por equilíbrio entre fidelidade ao material original e autenticidade artística tem sido sua bússola criativa.

E não faltam exemplos. Lara já foi Lydia duas vezes – em ‘Beetlejuice’ e em ‘Uma Babá Quase Perfeita’ -, personagens que, apesar de pertencerem a universos distintos, compartilham algo em comum: a inquietude diante das mudanças da vida. Ambas lidam com o luto, seja pela morte ou pela separação dos pais.

“Sou muito atraída por personagens com uma veia rebelde, que questionam o mundo à sua volta”, diz. Em seu processo criativo, Lara recorreu às cinco fases do luto para mapear emocionalmente essas jornadas, adaptando-as às especificidades de cada texto e contexto. “Em Beetlejuice’, a Lydia é protagonista e vive uma jornada do herói clara. Já em Uma Babá Quase Perfeita’, a Lydia Hillard é coadjuvante, e a história gira mais em torno da transformação do pai. Ainda assim, foi uma personagem rica, com nuances emocionais que adorei explorar.”

A amplitude do repertório da atriz impressiona. Do peso dramático de Eponine em ‘Os Miseráveis’ ao sarcasmo afiado de Janis em ‘Meninas Malvadas’, Lara já atravessou os mais variados estilos e épocas.

“Já estive na Revolução Francesa, na Áustria, já fui uma estudante rebelde e até tive duas cabeças. Já fui pobre, rica, já morri, sobrevivi, passei de Shakespeare a Tina Fey, do clássico ao teatro musical autoral brasileiro”, analisa, em referência ao seus papéis. Para ela, essa diversidade é libertadora. “No nosso meio, é comum sermos colocados em caixinhas, com outras pessoas decidindo o que somos ou não capazes de fazer. Eu mesma nunca imaginei que um dia interpretaria uma princesa da Disney. Sempre ouvi que minha voz era grave demais, que eu não era ‘delicada o suficiente'”.

Mas foi justamente essa voz que levou Lara a dublar a princesa Jasmine no live-action de Aladdin. Um marco em sua trajetória. Desde então, ela também integrou elencos de dublagem de animações como Encanto’ e Moana 2′.

“Embora as linguagens do palco e do estúdio sejam bastante distintas, elas se complementam. A dublagem me ajuda a ser mais atenta aos detalhes, a focar na emoção transmitida apenas pela voz. Já o teatro me dá presença cênica, escuta, entrega. As duas experiências se alimentam.”

Lara também observa de perto a crescente onda de adaptações cinematográficas para o teatro musical — movimento que, para ela, tem um impacto direto na renovação do público. “É muito especial revisitar histórias que já fazem parte do imaginário coletivo e, ao mesmo tempo, apresentá-las a uma nova geração. Em Meninas Malvadas, vejo de tudo na plateia: desde fãs nostálgicos do filme original até crianças e adolescentes que estão conhecendo a trama pela primeira vez. Isso amplia o alcance do teatro e o torna mais atual, acessível e diverso.”

Com o olhar afiado de quem navega por diferentes formatos narrativos, Lara revela suas apostas: adoraria ver O Iluminado’ transformado em musical. “Não tenho ideia de como fariam um musical desse filme, mas eu com certeza assistiria.”

Já entre os espetáculos teatrais que merecem ganhar as telas, ela escolhe ‘Donatello’, musical autoral brasileiro de Victor Rocha: “acho que seria um filme belíssimo e emocionante.”

Entre blockbusters e produções autorais, Lara Suleiman tem se firmado como uma artista de atravessamentos. Seja dublando, cantando ou atuando, seu trabalho mostra que o cinema e o teatro podem — e devem — se encontrar, gerando novas narrativas para novas gerações.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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