Em junho de 2025 a Warner Bros. me convidou para uma experiência única e imersiva: Viajar até a Irlanda para visitar o set de um filme de terror. E não era um filme de terror qualquer. Era a grande aposta do estúdio em um diretor que tinha se destacado como uma das mentes mais criativas dos últimos anos. O filme ainda estava sendo concebido, tudo muito sigiloso. O que eu sabia apenas é que não seria uma filme de aventura de ‘A Múmia‘, clássico com Brendan Fraser que cresci assistindo. Era um novo filme sobre Múmia da mente do diretor irlandês Lee Cronin, que alcançou reconhecimento pela primeira vez com seu curta-metragem de terror ‘Ghost Train‘ (2013), e se popularizou com o ótimo ‘The Hole in the Ground‘ (2019).
Mas foi com ‘A Morte do Demônio: A Ascensão‘, de 2023, que eu realmente me apaixonei pelo trabalho de Lee.
Em pouco tempo, Lee provou que sabe como aterrorizar a audiência, então eu estava super empolgado para conhecer um pouco mais do seu trabalho dirigindo agora o filme sobre uma franquia famosa, mas tomando sua própria visão e se afastando daquilo que eu e o público conhecia.

Chegando na Irlanda, um país que sempre sonhei em visitar, já percebi que estava literalmente do outro lado do mundo. O sol se põe na Irlanda muito tarde, geralmente entre 21h45 e 22h00, devido ao solstício de verão. Os dias são longos, com luz solar durando até 18 horas, e o escurecimento completo só ocorre por volta das 23h. Eu tinha muito dia para aproveitar e me encantar com a magia do cinema.
Acordei pronto para conhecer os bastidores de ‘Maldição da Múmia‘, que em inglês se chama ‘Lee Cronin’s The Mummy‘, deixando claro que realmente é a visão do diretor sobre A Múmia. O terror acompanha a jovem Katie, filha de um jornalista que desaparece no deserto sem deixar rastros. Oito anos depois, a dilacerada família fica chocada quando ela retorna para casa, e o que deveria ser um reencontro feliz se transforma em um pesadelo vivo.
O set visit começou logo cedo, no Ardmore Studios, em Bray, no condado de Wicklow, o estúdio de cinema mais antigo da Irlanda em funcionamento contínuo. Lá que alguns dos set pieces haviam sido montados para as filmagens, como a casa em que a família passa por todo o terror.
A casa foi construída dentro do estúdio, e era realmente assustadora. Quando você entra em um Studio Stage, um galpão gigante aonde eles montam os sets, você sente o cheiro de serragem. Um galpão gigante que recria um outro cenário, um outro país. De repente você entra em uma casa no meio do Texas, construída exclusivamente para as filmagens. Dentro da casa você vê montanhas do lado de fora, mas algo está estranho. Você entra na cozinha e vê várias frutas podres, comida embolorada, flores mortas. O teto tem um líquido preto vazando.
Sim, é realmente o cenário de um filme de terror. Chegando na sala tem um caixão aberto e várias fotos da família ao redor. É sinistro até para quem é fã do gênero, mas com aquele gostinho de estar passando por um lugar que será eternizado no cinema.

Após passear pelo set com um grupo exclusivo de sete jornalistas de países diferentes, sentamos para conversar com Lee Cronin e entender um pouco daquilo que estávamos vendo.
“Bem-vindos a todos. Tenho certeza de que vocês estão aqui há algumas horas conversando com as pessoas em geral. Esta é a primeira vez que faço isso enquanto estou no meio das filmagens de um filme. Não apenas filmando um filme, mas filmando o último dia e meio da parte final do final deste filme agora, antes de arrumarmos as malas e irmos para a Espanha filmar mais um monte de coisas. Então, minha voz ainda está resistindo, e sim, estamos nos divertindo muito, mas é hardcore, uma filmagem realmente séria. Vocês viram algum material, certo?”, disse Lee.
Ao respondermos que sim, ele brincou:
“Entediou vocês?”
Claro que não, Lee! Queremos ver mais…
“Este não é um filme de múmia que as pessoas vão esperar. Acho que essa é a coisa mais importante, mas eu nunca procuro fazer nada que seja… ou tento não fazer nada que seja esperado de qualquer forma. Mas, sim, por favor, sintam-se à vontade para cavar e explorar, e vocês terão respostas ao vivo muito honestas agora”, ele disse.
Logo pergunto a ele: “Gostaria de saber quais filmes fizeram você querer se tornar um diretor e dirigir filmes de terror, e como surgiu a ideia para ‘Maldição da Múmia’?
“Minhas influências são meio simples e restritas, e não mudam, que são: ‘Tubarão‘ (Jaws) foi a primeira vez que me lembro de ter ficado assustado — a cabeça de Ben Gardner saindo do casco do barco — e eu percebi: “Oh, toda essa coisa que eu assisto também pode me assustar”. ‘Tubarão‘, ‘Uma Noite Alucinante 2‘ (The Evil Dead 2), ‘O Iluminado‘ (The Shining) eu vi em uma idade muito impressionável. Mas, sabe, acho que muitos dos filmes de terror que eu gosto também são fortes em personagens, como ‘O Bebê de Rosemary‘, por exemplo. Então sempre fui atraído por filmes onde você se importa com as pessoas e depois as coloca em situações terríveis. Acho que essas são as versões mais eficazes de histórias de terror. E eu amo drama também, e amo comédia. É muito interessante, no meu último filme algumas pessoas disseram “é muito sombrio” e outras dizem “é muito engraçado”. Acho que é algo entre os dois. Mas gosto de adicionar um pouco de leveza; os filmes de John Hughes tiveram uma grande influência em mim quando criança, como Antes Só do que Mal Acompanhado (Planes, Trains and Automobiles), até Esqueceram de Mim (Home Alone), sabe? E eu amo uma boa comédia romântica também. Então, acho que minhas histórias… eu gosto do atalho de como você pode usar o terror para se conectar diretamente com as pessoas e colocá-las em lugares muito familiares. É por isso que este filme, embora seja um filme de múmia e todos tenham uma expectativa, o que eu gostei nele foi que é um filme de múmia ambientado em um cenário doméstico, algo que ninguém viu antes.”
Sobre a mitologia do filme, que segue uma história inédita, Lee revelou que partiu de sua própria mente.
“Eu inventei tudo sozinho! Bem, o que eu diria sem entregar muito é que todos conhecemos o conceito de mumificação ou múmias; é algo histórico, é real, faz parte do nosso mundo e da história. E sempre o vemos, especialmente em termos cinematográficos, através de uma lente específica, que é em relação aos Faraós, aos ricos ou às pessoas importantes. Este filme é sobre a mumificação que acontece com uma pessoa “sem importância” na escala geral das coisas e o impacto que isso pode ter. Esse foi o ponto de partida para o filme.”, ele disse.
Lee ainda explica como conseguiu criar uma nova versão de uma franquia tão famosa e ter liberdade total do estúdio.
“Como eu convenci o estúdio? Fazendo um filme de sucesso anteriormente! Eles dizem “sim” com muito mais facilidade depois disso, normalmente. Mas, sabe, o risco foi não fazer uma sequência do meu último filme. Isso teria sido muito fácil para mim, e eu disse não, porque queria fazer outra coisa e gosto de arriscar e apostar. O outro fator de risco é que existem filmes brilhantes chamados A Múmia, e eles estão por aí desde os anos 30. Não se trata apenas de Brendan Fraser há 25 anos. Há um risco porque a cultura moderna provavelmente olha para esses filmes de uma forma, talvez o do Tom Cruise não tenha sido tão bem recebido (embora eu tenha gostado). Mas, para mim, o risco foi quebrar o molde do que as pessoas esperam.”, ele continua.

E acredite… ele REALMENTE quebrou o molde do que as pessoas esperam. E um dos principais fatores de ter feito um filme tão aterrorizante foi ter preferido usar efeitos práticos ao invés de CGI.
“Em termos de efeitos práticos, eu sempre acho que, dentro do melhor das suas habilidades, colocar algo real na frente da câmera é melhor do que algo que não existe. Sou atraído por isso desde que vendi minha bateria aos 15 anos para comprar uma filmadora e comecei a tentar fazer efeitos especiais antes mesmo de entender como contar histórias. A forma como opero com o “sobrenatural” que crio nos meus filmes é: é prático até que falhe. Claro que, no cinema moderno, usamos efeitos digitais, mas uso para aprimorar, não para definir algo. É ótimo para os atores ter algo real na frente deles. E eu gosto do processo de criar monstros, próteses e pensar: “como vamos criar esse ferimento?”. Tem um momento legal neste filme onde alguém é empalado pelo olho, e fazer tudo aquilo foi muito divertido.”, concluiu.
Fique ligado para a parte 2 do nosso set visit nos próximos dias.
O terror será lançado nos cinemas nacionais no dia 16 de abril.
