[EXCLUSIVO] Wasp Network | Diretor, produtor e atores falam sobre as dificuldades de filmar em Cuba

[EXCLUSIVO] Wasp Network | Diretor, produtor e atores falam sobre as dificuldades de filmar em Cuba



Filme de abertura da 43ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Wasp Network é dirigido pelo cultuado cineasta francês Olivier Assayas e produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, um dos nomes mais quentes do mercado audiovisual nacional e internacional. No elenco, nomes como Édgar Ramírez, Penélope Cruz, Leonardo Sbaraglia, Wagner Moura, Ana de Armas e Gael García Bernal.

O CinePOP conversou com exclusividade com Assayas, Teixeira e com a dupla de atores Édgar Ramírez e Leonardo Sbaraglia. O quarteto falou sobre o novo trabalho e sobre as dificuldades e restrições de se rodar um grande projeto em Cuba. Adaptação para os cinemas do livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais, o filme acompanha agentes do governo de Fidel Castro que se infiltram nos movimentos de resistência localizados na Flórida, no início dos anos 90.

Segundo a equipe, a primeira grande dificuldade foi conseguir filmar em Cuba. A produção chegou a iniciar a procura por outras locações diante da negativa do governo cubano em autorizar as gravações na ilha. “Foi muito divertido fazer Wasp Network, mas também muito difícil, pois estávamos diante de um sistema que não estava disposto a nos ajudar. Tudo era complicado em Cuba, afinal existe o embargo, muitas pessoas vivem na miséria. A experiência foi incrível pela oportunidade de poder conhecer o povo cubano. Trabalhamos com uma grande equipe cubana e atores maravilhosos. A maior parte foi incrível, mas, ao mesmo tempo, você está fazendo um grande filme em um país que não possui experiência com isso. Muitas vezes, eles não entendiam o que pretendíamos fazer. Então, todos os dias tínhamos que encontrar soluções”, afirmou Assayas. O cineasta disse ainda que as gravações foram monitoradas pelo governo local, embora sem interferência direta.

Produtor de obras como Ad Astra, Me Chame pelo Seu Nome e A Vida Invisível, Rodrigo Teixeira classificou a produção como maluca, e completou: “Para levantar tudo foi algo bem difícil. Em Cuba, existem muitas limitações tecnológicas para acessar o mundo exterior e ainda o embargo econômico que faz com que o dinheiro não chegue na ilha. Foi algo muito intenso e não sei como te dizer como foi feito. Foi um processo difícil e paguei muito caro em minha vida pessoal por causa disso.

O projeto chegou para Teixeira há aproximadamente nove anos, quando Fernando Morais apresentou a ideia e solicitou uma bolsa para a realização do livro. O produtor gostou e ofereceu a bolsa, possibilitando que o autor se mudasse para Cuba para pesquisar melhor sobre a história. Dois anos depois, com o livro pronto, Teixeira foi em busca de um diretor. “Eu tenho um amigo em comum com o Assayas, um produtor francês que me disse que ele estava procurando um novo projeto. Eu apresentei o livro e ele respondeu muito bem”, disse o brasileiro, que foi também o responsável por apresentar Wagner Moura ao cineasta.

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Após uma série de dramas intimistas como Acima das Nuvens e Vidas Duplas, Assayas estava com vontade de realizar uma obra de maior amplitude, nos moldes que havia feito em Carlos. E Wasp Network foi o projeto ideal para isso. Inclusive, acabou convocando seu protagonista de Carlos, Édgar Ramírez, para assumir a figura central na nova obra.

Conhecido pelo trabalho em The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, Ramírez falou ao CinePOP que seu principal interesse no projeto foi voltar a trabalhar com Assayas e poder estudar a humanidade de seu personagem. “Sempre me atrai quando a natureza do personagem é testada pelas circunstâncias políticas e históricas de um tempo. Neste caso, quis fazer uma exploração pela mente dessas pessoas. Estes personagens, geralmente, são reduzidos a caricaturas, como se fossem vilões ou meros peões em um tabuleiro de xadrez. Foi muito importante explorar essas pessoas por uma perspectiva humana”, apontou o ator.

Após trabalhar com Teixeira em O Silêncio do Céu e O Hipnotizador, o argentino Leonardo Sbaraglia também foi uma indicação do produtor ao diretor. O ator revelou que entrou para o projeto de última hora. “Foi algo bem repentino. O Rodrigo me chamou e dois dias depois já estava viajando para Cuba. Lá, tive um mês de trabalho para poder aprimorar o sotaque e a construção do personagem. Foi ótimo poder trocar experiência com todo o elenco, mas principalmente com o povo e os artistas cubanos”, disse. 

Wasp Network é um filme rodado em Cuba, com diretor, autor e atores politizados. Em um momento de polarização política no Brasil, Rodrigo Teixeira não se preocupa com eventuais ataques ao longa: “Eu não me preocupo com ignorância, sinceramente. Ignorante não me atinge e não me aflige. Não leio comentário ignorante e evito ficar dando ouvido para ignorante. O que pretendo é estar perto de gente sensível, inteligente e educada.

O filme ainda não possui previsão de lançamento nos cinemas brasileiros, embora o produtor tenha a expectativa que a estreia aconteça entre dezembro de 2019 e março de 2020.



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