Durante a San Diego Comic-Con, fãs de DC, Marvel e ‘Star Wars’ uniram vozes para analisar o momento delicado das maiores franquias da cultura pop. Em meio a tropeços recentes nas bilheterias e críticas ao excesso de produções, a Variety conversou diretamente com o público no evento para entender o que falta para esses universos recuperarem o prestígio de outrora.
O novo momento da DC Studios gera opiniões divididas.
“Acho que a nova ‘Supergirl’ é uma droga”, diz John (nome fictício), de 39 anos, natural de Oklahoma City e fã dedicado da editora. “Acho que eles estão se esforçando demais. Estão tentando ser como a Marvel, quando deveriam apenas seguir o próprio caminho”.
Por outro lado, Nathan, um fã de 28 anos vestido como Lobo, admite ter ficado desconfiado quando James Gunn assumiu o comando, temendo que ‘Superman’ virasse apenas uma versão de ‘Guardiões da Galáxia’.
“Mas eu adorei o filme. Acho que a visão do James Gunn é muito bem-intencionada. Gosto da ideia de que cada filme reflita o personagem e o diretor responsável por ele. Adorei saber que ‘Cara-de-Barro’ será um terror de verdade”, afirmou.
Na visão dele, o fracasso comercial de ‘Supergirl’ foi consequência de intervenções do estúdio: “Os espectadores comuns não sabem exatamente o que querem. Se você mostrar algo realmente diferente, eles vão gostar justamente por isso. Mesmo que o filme não tenha sucesso, pelo menos será a visão original do diretor”.

Para os admiradores de ‘Star Wars’, a saturação de conteúdos é o principal obstáculo. Jermaine, californiano de 36 anos, acredita no potencial da franquia e cita a série ‘Andor’ como uma obra-prima. No entanto, Kyle, de 29 anos, enxerga no excesso de lançamentos no Disney+ o motivo do desgaste da marca.
“Acho que, se Star Wars voltasse a focar nos cinemas e tivesse mais tempo para desenvolver suas histórias, conseguiria recuperar aquele espírito clássico. Hoje parece que tudo é produzido pensando primeiro no streaming”, afirma.
Curiosamente, nem Kyle nem Jermaine assistiram a ‘Mandaloriano e Grogu’, reforçando a percepção de que o modelo de streaming acostumou até os fãs mais fervorosos a consumir a franquia apenas em casa.

No Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), o sentimento varia entre empolgação com o futuro e frustração com os rumos criativos. Cameron enxerga o momento de transição com otimismo: “É emocionante ver a Marvel encontrando um novo caminho”.
Nate concorda: “Estou muito animado para ‘Vingadores: Doutor Destino’. Finalmente vamos ver os X-Men e os Vingadores juntos”.
Contudo, a direção adotada pelo estúdio também colhe críticas severas. Jordan, de 33 anos, destaca que, embora a marca continue forte por conta de ‘X-Men ’97’ e do jogo “Marvel Rivals”, a falta de protagonismo feminino em produções futuras diminuiu seu interesse.
“Olhe os pôsteres de ‘Doutor Destino’: são cerca de 25 homens e apenas cinco mulheres. Personagens importantes, como a Mulher-Hulk, simplesmente ficaram de fora”, afirmou.
Já Ferlie, ex-policial de 56 anos, reconhece que nada repetirá o impacto histórico de ‘Vingadores: Ultimato’, mas aponta que os filmes do ‘Homem-Aranha’ seguem como o grande pilar da franquia.
Já sobre os grandes anúncios do evento, como Ryan Gosling interpretando o Motoqueiro Fantasma e David Jonsson anunciado como o novo Pantera Negra.
Joshua, de 33 anos, aprovou: “Foi incrível. A Marvel está reunindo alguns dos maiores heróis dos últimos 20 anos”.
Porém, nem todos se deixaram levar pelo entusiasmo. Marissa, de 28 anos, e seu pai Froylan, de 57, saíram decepcionados. Para ela, a Marvel tem apostado apenas no apelo de nomes famosos: “É claro que todo mundo vai vibrar quando anunciam o Ryan Gosling”.
A discussão se estende também ao modelo atual da indústria cinematográfica. Crystal, de 44 anos, avalia que o formato das plataformas prejudicou a experiência do público:
“Os serviços de streaming destruíram muita coisa. A arte foi feita para ser consumida coletivamente. Ela tem mais valor assim. As pessoas estão divididas. Tudo precisa ser classificado como liberal ou conservador”, destacou.
Ruby resumiu a desconfiança que paira sobre os grandes anúncios da indústria: “Foi um bom painel. Eles sempre fazem grandes anúncios. Mas também já prometeram muitos filmes que nunca aconteceram. É legal anunciarem Motoqueiro Fantasma, mas será que esse filme realmente vai sair? Eu ainda estou esperando ‘Blade'”.
O cenário reflete o desafio das gigantes do setor. A Marvel tenta se reestruturar após resultados abaixo do esperado em títulos como ‘Thunderbolts*’, ‘Quarteto Fantástico’ e ‘Capitão América: Admirável Mundo Novo’. A DC Studios busca estabilidade após o sucesso de ‘Superman’ e o tropeço de ‘Supergirl’. Enquanto isso, ‘Star Wars’ lida com uma recepção morna em seu retorno aos cinemas com ‘Mandaloriano e Grogu’.



