Aos 36 anos, a atriz cearense Fátima Macedo vem conquistando seu espaço no competitivo cenário artístico brasileiro. Formada em Licenciatura em Teatro pelo IFCE e com formação técnica em Dança, a artista já integrou o elenco de dez produções cinematográficas — entre curtas, médias e longas-metragens. Seu talento ganhou projeção nacional com o papel marcante no aclamado Manas, dirigido por Marianna Brennand.
Durante sua participação no Bonito CineSur 2025, onde representa o filme, Fátima conversou com a gente sobre esse trabalho emblemático em sua carreira. Ela também adiantou detalhes de novos projetos que em breve estarão disponíveis em plataformas de streaming de grande alcance — e também nas telas dos cinemas pelo país.
Você já chegou a rever ‘Manas’?
Fátima Macedo: Já assisti algumas vezes… Umas dez, eu acho (risos). E o curioso é que, a cada nova vez, descubro algo diferente — uma camada que antes estava escondida sob outra. É muito interessante como a Marianna Brennand conseguiu construir esse filme com tanta sensibilidade, criando múltiplas camadas nos personagens, nas relações e também na conexão com a natureza. Manas tem tocado profundamente as pessoas. É uma obra que fala sobre silêncios, sobre ciclos de violência, e principalmente sobre a quebra desses ciclos por meio do próprio silêncio. O silêncio, nesse contexto, se torna um instrumento poderoso para abordar esse tabu.
Você também participou recentemente da novela Guerreiros do Sol, do Globoplay. Como foi para você trabalhar nesse projeto?
Fátima Macedo: Foi uma emoção enorme! Foi meu primeiro trabalho na Globo/Globoplay, e mesmo sendo uma participação, minha personagem tem uma importância na trama — ela guia um certo curso da história modificando caminhos de personagens. Foi uma experiência incrível conhecer tantas pessoas e contracenar com artistas que eu jamais imaginei estar ao lado, como o Irandhir Santos. Lá estava eu no mesmo set que Irandhir! E teve um momento em que, durante um ensaio, fiz uma observação sobre a cena, e ele respondeu: “Gostei disso. Vamos usar.” Na hora eu pensei: nossa, quanta generosidade! Foi realmente mágico. Um sonho mesmo fazer parte desse projeto.
Você está num projeto novo que será lançado na Netflix, Pssica. Conta um pouco pra gente o que podemos esperar desse trabalho.
Fátima Macedo: Pssica é uma minissérie de quatro episódios, dirigida pelo Fernando Meirelles e pelo Quico Meirelles. Ela é inspirada no livro homônimo do autor paraense Edyr Augusto e traz à tona questões sociais intensas e urgentes que permeiam a região do Marajó, no Pará — como o tráfico humano e outras realidades duras daquela região. É uma obra densa, com temas pesados, mas muito necessária. Eu já assisti ao trailer e está impressionante. É uma série que promete.
Você estará no novo filme do Petrus Cariry, A Praia do Fim do Mundo. Conta um pouco desse projeto.
Fátima Macedo: A gente gravou em 2021 e foi uma experiência muito especial. As filmagens duraram cerca de um mês, e o longa trata de questões ambientais bastante urgentes. A história gira em torno da Alice, minha personagem, que é filha da Helena, interpretada pela Marcélia Cartaxo. A Alice representa uma força de contraposição naquele lugar, que está sendo diretamente afetado pelo avanço do mar — as águas estão invadindo o território e chegando até a casa delas. A maioria das pessoas já foi embora dali, e a Alice também quer partir, mas a mãe dela simboliza esse apego à terra, essa resistência em deixar o lugar onde construiu a vida. O filme está muito bonito. A estreia é agora, no dia 4 de setembro.

E pro futuro? O que vem por aí na sua carreira?
Fátima Macedo: Recentemente, fiz uma participação na terceira temporada da série Os Outros — que, aliás, promete muito! E também estou prestes a iniciar um novo trabalho no Ceará, o que me deixa muito feliz. É ótimo fazer projetos fora, mas atuar na minha terra também. O projeto se chama Terra Natal e é um especial de Natal dirigido por três cineastas cearenses: Déo Cardoso, Wagner Nogueira e Leão Neto. Cada um vai dirigir um episódio, mas juntos eles formam um longa-metragem. Vai ser muito bonito! É uma comédia inteligente.
