Na profissão há 30 anos, o ator paulista Fernando Alves Pinto já nos presenteou com personagens marcantes tanto no teatro, na tv e no cinema. Quem não lembra de Edgar, do excelente longa-metragem Dois Coelhos, ou de Paco, do clássico do nosso cinema Terra Estrangeira?

Ele foi um dos homenageados da Mostra de Cinema de Fama e convidado a integrar a calçada da fama do evento. Durante o festival, um dos seus filmes mais conhecidos, Pra Minha Amada Morta, de Aly Muritiba, foi exibido, e até rolou um debate após a sessão. Em um dos quatro dias da intensa programação do evento, conseguimos falar com ele sobre alguns assuntos bem legais em torno da sétima arte:
1) Qual a importância dos festivais de cinema para vocês artistas? E também fala sobre a alegria de ser homenageado aqui na Mostra de Cinema de Fama.
Fernando Alves Pinto: “Festivais são importante pra caramba, em qualquer lugar do mundo. É a primeira vez que uma obra chega ao público. Os festivais são uma festa que leva as pessoas ao cinema e coloca em exibição muito mais do que você consegue assistir no circuito. O simples fato de ir ao cinema é mágico, você fica imerso naquilo ali, naquela tela enorme. É de uma força indescritível. Tem muitos filmes que vão para festivais e não chegam ao circuito exibidor. E o mais legal é que, em casos como o deste de Fama, numa cidade que não tem cinema, o evento se transforma num presente maravilhoso pra cidade.”
“Sobre a homenagem, foi uma surpresa. Eu faço cinema há 30 anos, é uma das coisas mais maravilhosas que tem na vida. Eu entrei por uma porta maravilhosa: o Terra Estrangeira, uma obra das mais importantes da história do cinema brasileiro. Achei lindo ser homenageado, mas o que mais me comoveu foi ver meus amigos falando sobre mim na tela, como a Dira Paes e a Yara de Novaes.”

2) Dois Coelhos é um dos filmes mais emblemáticos da sua carreira. Como foi pra você realizar esse trabalho? Você já voltou até essa obra, reviu? Qual a importância desse filme na sua carreira?
Fernando Alves Pinto: “Dois Coelhos foi uma delícia de fazer. Quando o Afonso (Poyart) me deu o roteiro pra ler, eu pensei: ‘esse roteiro é bom pra caramba mas é difícil montar isso aqui, completamente maluco!’ Ai falei pra ele: ‘dá pra fazer?’ ‘Então, tô dentro!’ Uma coisa interessante pra mim foi que o Edgar (personagem) aparece em menos de 50% das cenas mas é ele quem narra e está presente em toda a narrativa. E sim, foi muito interessante pra minha carreira. É um dos filmes mais queridos por todos que assistiram. Ele não foi um blockbuster na época, mas o legal é que o filme se tornou atemporal: vão descobrindo ele pela qualidade dele.”
3) Como você tá vendo o atual cenário do cinema brasileiro?
Fernando Alves Pinto: “Cinema nunca foi fácil, não acho que tá mais fácil agora ou mais difícil do que sempre foi. É sempre uma batalha. De vez em quando a gente consegue uma porta aberta mas a gente vai estar sempre lutando pra fazer. Estamos conseguindo fazer um cinema cada vez melhor. Cinema é muito bom de fazer, a gente não vai parar nunca.”

4) A inteligência artificial vem ganhando espaço em muitas áreas. O que você acha sobre esse universo novo que está chegando em todos nós? Como você acha que isso atinge o cinema?
Fernando Alves Pinto: “Por mais realista que pareça, não é. Não é humano, não vai ter a profundidade que o humano pode dar. Pode até parecer mas a profundidade é a tela. É um tipo de animação hiper-realista: não tem como ser humano, não tem como deixar de ser raso.”

5) O que você pode falar sobre seus próximos projetos?
Fernando Alves Pinto: “Tem um seriado que vou gravar essa semana, chamado Quando ela Desaparecer. Tem também um filme lindo do Francisco Ramalho, que está pra ser lançado, chamado A Prisioneira. Além disso tem uma peça chamada A Ilíada, tradução de um maranhense que fez a primeira tradução da obra pra língua portuguesa. Se Deus quiser vamos viajar com essa peça.”
