Enquanto lançava ‘Corrida dos Bichos‘ no SXSW, o diretor indicado ao Oscar Fernando Meirelles falou em entrevista exclusiva ao CinePOP sobre ‘O Agente Secreto‘ ter saído do Oscar sem levar nenhum prêmio.
Meirelles foi indicado ao Oscar em 2004 por ‘Cidade de Deus‘.
“Pra mim o Oscar foi um divisor de águas na minha carreira, por que comecei a receber projetos. E eu fiz uma carreira internacional. Ali foi o ponto de virada que deu. E o Oscar, mesmo sem o prêmio, você tá indicado e faz toda uma campanha, a quantidade de shows que o Kleber e o Wagner apareceram, é uma grande visibilidade”
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O diretor Kleber Mendonça Filho divulgou em suas redes sociais que ‘O Agente Secreto‘ foi o filme Indicado ao Oscar com MAIOR BILHETERIA no Brasil entre os concorrentes na mesma categoria.
A produção estrelada por Wagner Moura ultrapassou a marca histórica de 2,4 milhões de espectadores nas salas brasileiras.
Confira o TOP 8 e siga o CinePOP no Youtube:
1) O Agente Secreto (Vitrine): 2.464.071 ingressos
2) F1 – O filme (Warner) 1.428.094
3) Pecadores (Warner): 866.571
4) Hamnet: A vida antes de Hamlet (Universal): 499.180
5) Marty Supreme (Diamond): 407.091
6) Uma batalha após a outra (Warner): 403.808
7) Valor sentimental (Retrato Filmes): 195.725
8) Bugonia (Universal): 74.216
‘O Agente Secreto’ disputava em quatro categorias do Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator para Moura, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco.
Pernambuco, 1977. Um homem dirige um carro no interior em direção à capital. É Marcelo (Wagner Moura), que busca abrigo na casa de Sebastiana (Tânia Maria). Uma vez lá, Marcelo encontra trabalho numa repartição que emite carteiras de identidade e ele busca se reaproximar do filho, que ficou morando com os avós enquanto ele estivera ausente. Porém, enquanto Marcelo vai se ambientando na cidade, recebe notícias de que está sendo procurado por dois matadores de aluguel (Augusto [Roney Villela] e Bobbi [Gabriel Leone]). A partir de agora, todo passo seu precisa ser calculado, numa questão de vida e morte.
As mais de duas horas e vinte de duração podem assustar inicialmente, mas, ao final, a sensação que fica é que precisávamos de um pouco mais. Um pouco mais de tempo com aqueles personagens, com aqueles fatos, com aquela cidade, com aquela época. Porque Kleber Mendonça Filho faz de seu filme um recorte de um tempo que é ficção mas também é realidade, e o faz de uma maneira brilhantemente refinada que só os pacientes se dispõem a fazê-lo.
E é aí que vem a grande questão do filme: ele não termina em si mesmo. É preciso ter referências externas (de tempo, de espaço, e, acima de tudo, de Recife), e isso pode ser solucionado caso o espectador conheça e acompanhe o trabalho do diretor ou seja morador local. Do contrário, algumas informações cruciais se perdem no longa, pois elas não são explicadas embora apareçam com recorrência. Exemplo disso é a tal “perna cabeluda” (aliás, utilizada até mesmo no marketing do filme), que não é uma mera notícia de jornal dos anos 70 mas sim uma referência local à forma como episódios de violência policial eram noticiados nos jornais. Algo que provavelmente só sabe quem viveu naquele lugar, naquela época.

