segunda-feira, fevereiro 9, 2026
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Festival do Rio | Victoria e Abdul – Esse tem cheiro de Oscar





Amizade Cativante

O cineasta Stephen Frears já foi mais ousado e subversivo em sua carreira. Filmes como Ligações Perigosas (1988), Os Imorais (1990) e Alta Fidelidade (2000) provam isso. Ultimamente, no entanto, o diretor indicado para dois Oscar (Os Imorais e A Rainha) parece estacionado numa zona de conforto, aonde entrega uma produção politicamente correta atrás da outra. Para provar tal argumento, é só lembrar de Philonema (2013) e Florence – Quem é Essa Mulher? (2016), dois dos últimos trabalhos de Frears.

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Vale dizer também que embora tais filmes sejam leves como plumas, emplacaram no gosto dos votantes ao ponto de renderem indicações ao maior prêmio do cinema – Philomena indicado para 4 Oscar, incluindo melhor filme, e Florence para dois. Agora, Frears recobra a parceria com a protagonista de Philomena, Judi Dench, para uma nova produção que tem toda pompa de encontrar os amigos prestigiados recentemente em outro passeio na maior noite da sétima arte.

O monstro sagrado Judi Dench, no auge de seus 82 anos (já soando um pouco abatida), interpreta a Rainha Victoria (soberana do Reino Unido e Imperatriz da Índia, de 1837 até 1901). Curiosamente, a consagrada atriz britânica havia interpretado a mesma personagem no filme Sua Majestade, Mrs. Brown (1997), em outra fase de sua vida, narrando outra história. Esta é focada na relação de sentimentos mistos que nasce entre a governante e um servente indiano, inicialmente enviado para lhe entregar um prêmio.

De rainha aborrecida, esperando apenas o dia da morte, uma nova faísca é solta quando a monarca acidentalmente conhece Abdul (Ali Fazal). O nível de intimidade é acelerado e logo estes dois seres humanos se conectam de uma forma espiritual muito intensa. O indiano se torna tutor da Rainha, deixando o resto da corte inteira, incluindo seu filho e herdeiro do trono, o príncipe Bertie (Eddie Izzard), indóceis com a situação.

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Victoria e Abdul é um filme muito competente, dono de uma direção de arte impecável, que remete à era de ouro do cinema. Além disso, conta com atuações mais que satisfatórias, em especial da protagonista, que mesmo com a idade avançada exibe pleno domínio de cena – não me espantarei se a atriz receber indicações pelo trabalho. O roteiro adaptado por Lee Hall (Billy Elliott e Cavalo de Guerra), baseado no livro de Shrabani Basu, que por sua vez pega como fonte os diários do verdadeiro Abdul (descobertos muito tempo depois), é seguro e não apresenta surpresas, resultando no tipo de filme que passaria sem precisar de cortes na Sessão da Tarde. Ou seja, esta é uma produção agradável, leve e correta.

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