Fátima, filha do ícone da televisão Laura Cardoso, falou abertamente sobre os últimos momentos da mãe, falecida recentemente aos 98 anos.
Em entrevista ao Fantástico, Fátima revelou que a despedida aconteceu exatamente da forma como a artista desejava: em casa, cercada pelo afeto da família.
“Ela ficou em casa. No quarto dela e do meu pai. Ela se foi nos braços da Adriana [neta]. Todos nós ao lado dela”, contou Fátima durante o depoimento.
Para a neta Adriana, o tempo acabou vencendo o corpo da atriz, mas jamais a sua essência: “Sempre nos pareceu que o corpo cedeu à idade, ao tempo, mas a Laura não”.
Fátima reforçou esse sentimento ao destacar a autenticidade da mãe até o fim: “Ela foi ela até o último minuto”.
Quando questionada sobre como gostaria que o público se lembrasse da artista, resumiu emocionado: “Do ser humano bacana que ela foi, do ser humano verdadeiro que ela foi”.
A própria Laura Cardoso deixou registrada uma reflexão que a família preserva como uma espécie de mensagem de despedida: “Todos esses que aí estão, atravancando meu caminho, eles passarão. Eu passarinho”.

Nascida em São Paulo, Laura Cardoso consolidou-se como uma das referências mais importantes da dramaturgia nacional, abrindo caminhos para diversas gerações. Seu pioneirismo teve início nas radionovelas durante a década de 1940, e a chegada da televisão acelerou sua projeção em todo o país. Como contratada pioneira da TV Tupi, fez sua estreia oficial em telenovelas em 1958, interpretando a personagem Cosette na adaptação do clássico ‘Os Miseráveis’.
Ao longo de mais de sete décadas de carreira, Laura deu vida a dezenas de personagens marcantes no imaginário popular, como a doce Dona Isaura em ‘Mulheres de Sand’ (1993), a rígida Guiomar em ‘A Viagem’ (1994), a sábia Dona Carmem em ‘Chocolate com Pimenta’ (2003) e a tradicionalista Dorotéia no remake de ‘Gabriela’ (2012).
Reconhecida de forma unânime pelo público e pela crítica, a atriz acumulou as premiações mais prestigiadas do país, incluindo três Prêmios Grande Otelo, cinco Prêmios APCA, dois Prêmios Shell e dois Troféus Imprensa. Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural em homenagem à sua inestimável contribuição às artes brasileiras.
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