J.C. Lee, filha de Stan Lee (1922 – 2018) e de Joan, quebrou o silêncio recentemente sobre as acusações de maus-tratos aos pais em idade avançada. Em uma declaração, ela classificou como “mentiras” as alegações de que teria explorado e agredido fisicamente o casal.
Em entrevista à Variety, J.C. admitiu ter elevado a voz em discussões com os pais, mas negou veementemente qualquer tipo de agressão física.
“Eu nunca, jamais toquei nos meus pais. Tudo mentiras. Aquela foto é insana. Eu nunca fiz aquilo”, afirmou J.C., referindo-se a evidência fotográfica apresentada nas acusações.
Na mesma entrevista, J.C. expressou o sentimento de que, nos últimos anos de vida de seu pai, seus associados “tomaram tudo”.
“Sinto que essas pessoas tomaram minha vida, e agora estão comendo com talheres de ouro, enquanto eu como com talheres de plástico”, desabafou.
Ela também revelou ter sido aconselhada, na época da publicação das primeiras denúncias, a não emitir uma negação pública, algo de que hoje se arrepende profundamente.
Relembre o caso
As alegações de abuso contra idosos vieram à tona em novembro de 2018, em uma investigação que apontava tanto associados de negócios quanto J.C. Lee como possíveis perpetradores.
A reportagem descrevia a relação entre pai e filha como uma “bomba-relógio” e alegava que J.C. perdia o controle quando seus pedidos de dinheiro não eram atendidos. Um incidente específico de 2014 foi mencionado, no qual a filha teria agredido os pais ao descobrir que seu novo Jaguar estava registrado no nome do pai.
De acordo com a investigação, J.C. teria “agarrado com força” o braço de sua mãe, causando um hematoma (com fotos), e também teria batido a cabeça de Stan Lee contra a parte de trás de uma cadeira.
A investigação apurou que os idosos optaram por não acionar a polícia por acreditarem que J.C. se encontrava em um estado emocionalmente frágil.
O então empresário de Stan Lee, Keya Morgan, chegou a ser formalmente acusado de:
- Cárcere privado de idoso
- Três acusações de furto qualificado contra idoso
- Uma acusação de abuso de idoso.
No entanto, as acusações de abuso e cárcere privado foram arquivadas antes do julgamento, em novembro de 2022. Durante o julgamento, as acusações de furto também foram retiradas após o júri não alcançar um veredito.
Após a morte de Stan Lee, sua empresa POW! Entertainment assumiu os direitos sobre seu nome, imagem e propriedade intelectual.
Em 2019, J.C. Lee moveu um processo contra a empresa para tentar reaver esses direitos, mas a ação foi arquivada. Em 2020, a Kartoon Studios estabeleceu uma joint venture com a POW! para criar o Stan Lee Universe, responsável pelos direitos e licenciamento da imagem do icônico criador da Marvel.
Em 2023, J.C. Lee voltou a processar a POW!, alegando que uma série de “transações suspeitas” diluiu sua participação na empresa e que ela não recebeu os pagamentos devidos conforme o contrato anterior de propriedade intelectual.
Vale lembrar que o documentário ‘Stan Lee: The Final Chapter’ abordará os últimos dias do aclamado autor.
Assista ao trailer:
