‘Game of Thrones’ – A evolução dos personagens: Brandon Stark

‘Game of Thrones’ – A evolução dos personagens: Brandon Stark



Parece mentira, mas o fim chegou para ‘Game of Thrones’. Foram dez anos de dedicação dos fãs assistindo e comentando cada episódio, e muita coisa aconteceu nessas 8 temporadas. Por isso, vamos recapitular a origem de alguns personagens e como, com base no primeiríssimo episódio da série (que também foi de fundamental importância para a elaboração da season finale), já tínhamos todo um indicativo de que esses mesmos personagens se tornariam aquilo que vieram a ser. Vamos começar nossa análise por Brandon Stark (Isaac Hempstead-Wright)– a quem eu, de início, não dava nada.

Na primeira cena em que ele aparece, ainda garotinho, ele está treinando arco e flecha com seus irmãos – Robb (Richard Madden) e o bastardo Jon Snow (Kit Harington), e o espólio de guerra, Theon Greyjoy (Alfie Owen-Allen). Brandon é péssimo com o arco e flecha, porém, Ned Stark (Sean Bean), seu pai, o observa da parte de cima da fortaleza de Winterfell, e o menino sabe disso – a bem da verdade, Jon Snow o lembra disso. Nesse primeiro momento nós ficamos sabendo que o garoto não tem a menor aptidão para os treinos de guerra, mas a opinião do pai é importante pra ele.

Também ficamos sabendo que Brandon é um menino muito espoleta, que adora correr e escalar as coisas. É ele quem vê a comitiva do rei Baratheon (Mark Addy), chegando em Winterfell. Percebam que neste ponto ele funciona como um corvo de recados – é ele quem vê e avisa que o grupo chegou – e, novamente, é ele quem vê a comitiva se aproximar, o que já sinaliza que algo o conduzirá a ser sempre o primeiro a ver e a comunicar os acontecimentos.


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É ele também que vê (novamente) o maior e principal segredo dos Lannister: a relação íntima entre os irmãos Cersei (‎Lena Headey) e Jamie (Nikolaj Coster Waldau), flagrados por Bran na torre do castelo. Brandon só consegue ver a cena porque escala a parte de fora da torre – sendo que poucos minutos antes ele prometera à sua mãe, Lady Catelyn (Michelle Fairley), que nunca mais iria escalar nada –, porque durante anos treinara para subir nos pontos mais altos de Winterfell para poder enxergar longe.

E é justamente por isso que ele é punido, por “ver demais”: Jamie o empurra da janela da torre, no final do primeiro episódio, pronunciando a célebre frase “As coisas que nós fazemos por amor” (que volta a ser repetida na 8ª temporada). Ao cair, Bran fica paraplégico para sempre. Também neste momento entendemos que Cersei é o elo mais poderoso da família Lannister, é ela quem dá as ordens, e Jamie é apenas um pau mandado dela. Também dá pra presumir que Cersei não medirá esforços para proteger sua família e seus segredos – e isso ficou bem claro ao longo das temporadas. Vale apontar, então, que o primeiro episódio da 1ª temporada termina com Brandon e Jamie, assim como o primeiro episódio da 8ª temporada também termina com Brandon e Jamie.

Sem poder andar, Brandon fica limitado, mas, aos poucos, desenvolve o sentido da visão, melhorando suas habilidades ao ponto de começar a enxergar fatos tanto do passado quanto do futuro. Então, finalmente ele se encontra com o Corvo de Três Olhos (Isaac Hempstead-Wright‎) e tem um brevíssimo treinamento com ele, ao final do qual Brandon Stark se torna ele mesmo o Corvo de Três Olhos, o Último Vidente Verde. Este acontecimento é simbolizado pela marca que o Rei da Noite (Richard Brake) deixa em seu braço – quando o jovem tenta se afastar dele em uma de suas visões –, e também por uma das mortes mais sentidas da série: a de Hodor (Kristian Nairn), que se sacrifica para poder salvá-lo.

Como pudemos observar, o destino de Brandon Stark sempre caminhou na direção de ele se tornar o Corvo de Três Olhos, cuja função é ser, literalmente, uma testemunha ocular dos fatos. Considerando que ele é um personagem de um livro de ficção, tecnicamente ele funcionaria como um narrador, como um contador de histórias, aquele que registra e reproduz oralmente os feitos dos heróis. Ou seja, sem Brandon Stark, o Corvo de Três Olhos, não teríamos história.


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