O cineasta Guillermo del Toro falou recentemente sobre o debate crescente referente ao uso da Inteligência Artificial (IA) em Hollywood. Ele destacou que é importante “diferenciar o termo IA como ferramenta e IA como proposta de geração de criatividade”.
Em entrevista à Variety, Del Toro fez a distinção: “Se você observar um sistema de partículas usado em animação há mais de 15 anos, verá que ele contém elementos que podem ser considerados IA. IA generativa é uma conversa diferente”.
Questionado sobre sua posição em relação à IA criativa, Del Toro foi enfático: “Há alguns meses, alguém me escreveu em um alto cargo. Perguntou: ‘Qual é a sua posição sobre IA?’ E eu respondi o e-mail dizendo: ‘Prefiro morrer'”.
O diretor de ‘Pinóquio’ argumentou que a indústria da animação é “muito frágil” porque tem a ver com custo e tempo, e defendeu a arte que exige paciência.
“Adoro fazer ‘Pinóquio’ porque tenho mais de dois anos para mudar de ideia. É como assistir a um acidente em câmera lenta. Você tem tempo para sair do carro”, brincou Del Toro. Ele comparou o stop motion ao “equivalente ao slow food na indústria culinária” e destacou que “a ideia de que mais rápido é melhor é algo sempre vendido por grandes interesses industriais”.
Del Toro ainda destacou a unicidade do stop motion: “Em uma era em que a IA pode interferir em qualquer outra forma de animação, o stop motion é à prova de IA”.
Guillermo del Toro anuncia criação de estúdio de animação em stop motion em nova parceria
Em contraste, Ted Sarandos, CEO da Netflix, disse que ele vê “a IA como uma ferramenta do criador, não uma ferramenta criativa por si só”.
“Acho que a ideia de que a IA superará as coisas e os humanos é bastante improvável. É a antítese do que ela foi criada para fazer”, disse Sarandos. Ele concluiu: “A IA foi criada para pegar tudo o que já foi feito e oferecer o resultado mais previsível possível, o que é o oposto do que os escritores tentam fazer quando escrevem um roteiro ou do que um cineasta tenta fazer quando conta uma história. Então, não fico muito nervoso com a possibilidade de isso substituir a criatividade”.
Vale lembrar que o próximo longa-metragem do cineasta é ‘Frankenstein’.
O longa está programado para estrear nas telonas no dia 23 de outubro, e chegará ao catálogo da Netflix duas semanas depois – no dia 7 de novembro.
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Vale lembrar que a adaptação foi confirmada na seleção oficial da 49ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
O longa-metragem, inspirado no revolucionário romance homônimo de Mary Shelley, integra uma sólida escolha de títulos que inclui ‘O Agente Secreto‘ e ‘Jay Kelly‘. Detalhes sobre os dias de exibição ainda não foram divulgados.
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“Na trama, o brilhante e egoísta cientista Victor Frankenstein dá vida a uma criatura em um experimento monstruoso que, no fim das contas, leva à ruína tanto do criador quanto de sua trágica criação.”
O filme, que teve um orçamento estimado em US$ 120 milhões.
Oscar Isaac interpretará Victor Frankenstein, enquanto Jacob Elordi dará vida ao seu monstro. O elenco ainda contará com Mia Goth e Christoph Waltz como Elizabeth e Dr. Pretorius, respectivamente.
“Este filme tem estado na minha mente desde que eu era criança. Tenho tentado dirigi-lo por mais de 20 anos. Algumas pessoas acham que eu sou um pouco obcecado com ‘Frankenstein’, e eles provavelmente estão certos. Com o passar das décadas, o personagem se fundiu com a minha mente que sua história é basicamente uma autobigrafia. Não há nada mais pessoal do que isso,” declarou o diretor.

