Após o tremendo sucesso de ‘High School Musical’, a Disney percebeu que estava com uma mina de ouro nas mãos – e aproveitou para expandir o panteão musical de East High para um segundo longa-metragem. Dito e feito, ‘High School Musical 2’ estreou no Disney Channel em 2007 e não apenas conseguiu repetir o feito ao conquistar o público, como superou o capítulo original com investidas mais ousadas e uma narrativa bem construída que eternizou ainda mais os personagens que aprendemos a amar.
Após meses bastante corridos, os alunos de East High se veem prontos para as férias de verão – e resolvem aceitar empregos temporários em um imponente clube privado no interior chamado Lava Springs. O grupo de amigos vê uma oportunidade de estreitar mais os laços que forjaram durante o ano letivo, principalmente Troy Bolton (Zac Efron) e Gabriella Montez (Vanessa Hudgens), que firmaram relacionamento e são acompanhados pelos respectivos melhores amigos Chad Danforth (Corbin Bleu) e Taylor McKessie (Monique Coleman). Porém, as coisas começam a escalar a um nível de tensão considerável quando Sharpay Evans (Ashley Tisdale) resolve chamar Troy para participar do show de talentos local que está produzindo ao lado do irmão, Ryan Evans (Lucas Grabeel).

Visto que os personagens principais já nos foram apresentados e estabelecidos, o diretor Kenny Ortega vê espaço de sobra para arquitetar tramas um pouco mais complexas e que, de certa forma, antecipam um terceiro capítulo dessa franquia que chegaria aos cinemas em 2008. Dessa maneira, o cineasta, retornando às rédeas de mais um divertido e despretensioso projeto, alia-se ao roteiro de Peter Barsocchini para pincelar os arcos outrora arquetípicos com mais drama, mais humor e mais músicas. O resultado, como mencionado nos parágrafos acima, superou nossas expectativas ao se comprometer de maneira concisa com o que foi prometido – e que refletiu nos inúmeros recordes quebrados pelo longa-metragem.
É notável como o escopo do projeto passa por uma mudança significativa, migrando dos corredores de East High para um suntuoso clube recheado de atividades recreativas e de gente com muito dinheiro. E, assim, um dos jogos cênicos que toma conta dos holofotes é o contínuo embate entre a ambiciosa Sharpay, que permanece com um certo ressentimento pelo que aconteceu durante o musical da primavera, e a ingenuidade de Troy, Gabriella e os outros. Afinal, como fica bem claro, Sharpay tem uma quedinha amorosa por Troy e sente que precisa vencer ao menos uma vez, minando a confiança e o relacionamento dos dois – chegando, inclusive, a proibir que os funcionários participassem do show de talentos.

Ao contrário do que imaginamos, não existe uma batalha entre o bem e o mal a ser travada na narrativa; na verdade, Ortega, mesmo exagerando em alguns momentos e beirando um non-sense que logo se justifica, brinca com as atribulações da adolescência e os erros que cometemos durante nosso processo de amadurecimento. E, como fica bem claro, Sharpay não é a única a cometer erros, visto que cada um deles pisa na bola e mostra que está passível de decepcionar as pessoas – trazendo eventuais mensagens de confiança, perdão e amizade que, como bem sabemos, são marcas registradas da Casa Mouse.
Barsocchini e Ortega aparam algumas pontas soltas do filme anterior e garantem que outros personagens tenham seu momento de brilhar além do sexteto protagonista. Nomes como Olesya Rulin e Kaycee Stroh recebem mais espaço ao retornarem como Kelsi Nielsen e Martha Cox, respectivamente, enquanto Chris Warren Jr. e Ryne Sanborn reprisam seus papéis como Zeke Baylor e Jason Cross. Mark L. Taylor, reunindo alguns trejeitos dos clássicos antagonistas de comédias românticas dos anos 1990, encarna Thomas Fulton, gerente do Lava Springs e uma espécie de “assecla” dos caprichos de Sharpay. E, obviamente, nosso corpo de atores e atrizes principal é o ponto de foco e a força-motriz que nos guia por mais uma humilde e honesta aventura musical.

E, falando em canções, não podemos deixar de mencionar a incrível trilha sonora que nos encanta do começo ao fim – desde a explosiva celebração pop de “What Time Is It?”, passando por cândidas baladas como “You Are the Music in Me” e “Gotta Go My Own Way”, e culminando no antêmico dueto de “Everyday”. É claro que algumas escolhas são duvidosas e não fazem muito sentido dentro do que nos é mostrado, mas os pontos positivos são maiores que os negativos – com destaque merecido para “Fabulous”, a melhor música original do longa-metragem que traz todos os exagerados elementos sonoros e orquestrais que ressoam “Sharpay Evans” e cuja sequência presta homenagem à icônica Esther Williams.
‘High School Musical 2’ chegou aos cinemas mundiais quase duas décadas atrás e, estendendo o legado deixado pelo capítulo anterior, superou nossas expectativas e se sagrou como um dos melhores DCOMs de todos os tempos – nos engolfando em uma ótima jornada de amadurecimento e amizade cuja revisitação é sempre bem-vinda.
