InícioMatérias‘Jurassic Park III’ (2001) – Revisitando o Filho “Bastardo” da Franquia

‘Jurassic Park III’ (2001) – Revisitando o Filho “Bastardo” da Franquia


Jurassic World: Recomeço’, o sétimo filme de uma das maiores franquias do cinema, já arrecadou US$ 600 milhões mundialmente. Estrelado pela duas vezes indicada ao Oscar Scarlett Johansson e pelo duas vezes vencedor do Oscar Mahershala Ali, o longa promete ser o reinício de uma nova saga jurássica nas telonas – e oferece para toda uma nova audiência a maravilha de ter dinossauros realistas nas telonas.

E quando falamos em dinossauros realistas precisamos voltar ao filme onde tudo começou: o ‘Jurassic Park’ original, de 1993. Nada jamais poderá ser comparado ao que foi ter pela primeira vez os dinossauros “vivos” de novo no cinema. Um verdadeiro divisor de águas, que só quem estava vivo na época pôde experienciar. Para irmos aquecendo os motores para o novo ‘Jurassic World’, continuaremos com nossa série de matérias revisitando todos os filmes da saga. Confira agora a segunda sequência de ‘Jurassic Park‘, que chegou em 2001, com ‘Jurassic Park III‘.

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Jurassic Park III‘ (2001) surgiu, é claro, após o enorme sucesso dos dois primeiros filmes da franquia, ‘Jurassic Park (1993) e ‘O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997). Inicialmente, Steven Spielberg não tinha planos imediatos para uma terceira parte, mas com o crescimento do interesse dos fãs e a possibilidade de explorar mais histórias dentro do universo dos dinossauros, a Universal Pictures decidiu avançar com uma sequência. Dessa vez a trama de ‘Jurassic Park III (2001) não foi baseada em nenhum livro de Michael Crichton. O filme apresenta uma história original, criada especialmente para o cinema, embora traga alguns elementos descartados dos livros anteriores (Jurassic Park e O Mundo Perdido).

Inicialmente, várias versões de roteiro foram escritas e descartadas. A versão final que chegou às telas foi escrita por Peter Buchman, com reescritas de Alexander Payne e Jim Taylor. Apesar de não seguir um livro específico, o filme reaproveita ideias e cenas dos romances de Crichton que não haviam sido usadas nos dois primeiros filmes. Como por exemplo: O barco abandonado, depois de ter sido atacado por dinossauros no começo lembra passagens de O Mundo Perdido (livro). A sequência com os pteranodontes na jaula vem diretamente de uma cena do primeiro livro (Jurassic Park), mas que não foi usada no filme de 1993. E o uso dos velociraptores com comunicação mais avançada é inspirado em teorias mencionadas brevemente nos livros.

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Antes da versão final, houve ideias envolvendo caçadores de dinossauros, híbridos de dinossauros e humanos e até um grupo de adolescentes presos na ilha. Todas foram abandonadas. A versão com Alan Grant foi escolhida por trazer familiaridade e conexão com o filme original. Ou seja, ‘Jurassic Park III traz uma história nova, mas construída a partir de fragmentos das ideias de Crichton que não tinham sido usadas antes — adaptadas para uma aventura mais direta e com foco na ação.

Em ‘Jurassic Park III(2001), o paleontólogo Dr. Alan Grant é surpreendido quando um casal, Paul e Amanda Kirby, o contrata para um voo turístico sobre a misteriosa Isla Sorna, apesar de suas reservas quanto ao perigo da ilha. Durante o sobrevoo, o avião sofre uma pane e cai na ilha, deixando-os presos em território dominado por dinossauros ferozes. Para sobreviver, Grant precisa unir forças com os Kirbys e enfrentar perigos como o imponente Espinossauro, que ameaça constantemente o grupo. Enquanto isso, uma equipe de resgate é enviada para encontrá-los, mas a ilha se mostra ainda mais traiçoeira do que imaginavam.

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No desenrolar da trama, descobrimos que os Kirbys mentiram sobre o verdadeiro motivo da viagem: eles procuram seu filho perdido, Eric, que caiu de parapente na ilha meses antes. A busca pelo garoto leva o grupo a cruzar com diversos dinossauros, desde velociraptores até o predador Espinossauro, em perseguições tensas e cenas de ação eletrizantes. Dr. Grant assume o papel de protetor, usando seu conhecimento para tentar manter todos vivos. O filme conclui com a fuga arriscada da ilha e uma reflexão sobre os perigos de se brincar com a engenharia genética e a natureza.

Alguns dinossauros inéditos foram introduzidos na franquia, ampliando o elenco pré-histórico da série. O destaque maior foi o Spinosaurus aegyptiacus, ou Espinossauro, que assumiu o papel de principal antagonista, substituindo o Tiranossauro Rex em cenas-chave. O Espinossauro é maior e mais ameaçador, com uma estrutura única, incluindo sua famosa vela dorsal, e protagoniza várias cenas memoráveis de perseguição e combate.

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Além do Espinossauro, o filme também trouxe o Pteranodon, uma espécie de réptil pré-histórico voador (e não um dinossauro, como é constantemente classificado) que causa tensão em cenas aéreas e em um cativeiro na ilha. Outro destaque foi o Anquilossauro (Ankylosaurus), um dinossauro blindado que aparece em cenas de ação, mostrando sua defesa poderosa com uma cauda em forma de clava. Já os velociraptores e o Tiranossauro Rex retornaram, mas o Espinossauro e os outros novos dinossauros foram as grandes novidades do terceiro filme.

Steven Spielberg decidiu não dirigir ‘Jurassic Park III por alguns motivos. Após o sucesso estrondoso dos dois primeiros filmes, ele queria se dedicar a outros projetos que já estavam em sua agenda, além de sentir que a história do terceiro filme poderia ser conduzida por outro diretor, permitindo que a franquia continuasse sem sua presença direta. Spielberg também tinha interesse em evitar a repetição criativa, buscando novos desafios e experiências em filmes diferentes. Além disso, ele permaneceria envolvido como produtor executivo, garantindo que o filme mantivesse o padrão da franquia e seu DNA visual e narrativo. Na época em que ‘Jurassic Park III estava em produção (final dos anos 1990 e início dos 2000), o cineasta estava envolvido em vários outros projetos importantes. Um dos principais foi ‘A.I. – Inteligência Artificial, um filme de ficção científica que ele desenvolveu a partir de um projeto iniciado por Stanley Kubrick.

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Joe Johnston, escolhido para dirigir ‘Jurassic Park III, já era conhecido por seu trabalho em filmes de aventura e fantasia com forte apelo visual. Antes deste longa, ele já havia dirigido títulos como ‘Rocketeer (1991) e ‘Jumanji (1995), que combinavam ação, aventura e efeitos especiais. Johnston também tinha uma carreira sólida como designer de efeitos visuais — ele trabalhou em clássicos como Star Wars e Indiana Jones — o que o tornou uma escolha natural para comandar um filme que exigia uma combinação equilibrada de ação e tecnologia.

Antes da escolha do diretor, outros nomes  foram cogitados para assumir o comando do filme. Um dos nomes discutidos foi John McTiernan, famoso por ‘Duro de Matar e ‘Predador, que traria uma pegada mais intensa e focada na ação. Também houve rumores sobre possíveis envolvimentos de diretores como Peter Jackson, que na época já ganhava destaque com ‘O Senhor dos Anéis, e até mesmo James Cameron, embora nenhuma dessas opções tenha avançado oficialmente. No fim, a Universal e Spielberg optaram por Joe Johnston, buscando alguém que unisse experiência com aventura familiar e domínio técnico, para manter a essência da franquia.

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O elenco reuniu atores experientes e alguns rostos conhecidos da franquia para dar vida à nova aventura na Isla Sorna. Sam Neill retornou como o paleontólogo Dr. Alan Grant, personagem central que lidera o grupo na ilha, trazendo familiaridade e continuidade para a série. Ao seu lado, o casal William H. Macy e Téa Leoni interpretam Paul e Amanda Kirby, que contratam Grant para a missão, ambos trazendo uma dinâmica interessante de mistério e urgência para o enredo.

Outro destaque é o jovem ator Trevor Morgan, que vive Eric Kirby, o filho desaparecido que motiva a expedição ao redor dos dinossauros. Além disso, o elenco inclui figuras como Alessandro Nivola como Billy Brennan, um piloto e ex-militar que auxilia no resgate, e Michael Jeter no papel de um personagem menor, mas memorável. A combinação de atores veteranos com novos talentos ajudou a manter o equilíbrio entre a ação, o suspense e o lado emocional da história.

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A crítica do filme foi mista, com muitos especialistas destacando que não alcançava o impacto inovador dos dois primeiros da franquia. Enquanto o primeiro ‘Jurassic Park’ (1993) foi aclamado pela revolução nos efeitos especiais e pela narrativa envolvente, e ‘O Mundo Perdido (1997) trouxe um tom mais sombrio e novos aspectos (como as cenas na cidade), o terceiro filme foi visto como mais focado na ação e no suspense simples, com menos profundidade no roteiro e nos personagens. Muitos críticos apontaram que faltou a grandiosidade e a originalidade que marcaram os filmes anteriores.

Por outro lado, o desempenho dos efeitos visuais e das cenas de ação recebeu elogios, especialmente pelas sequências com o Espinossauro, que foi um destaque visual e trouxe uma nova ameaça ao universo dos dinossauros. A atuação de Sam Neill também foi elogiada por trazer carisma e conexão ao papel de Dr. Alan Grant. No geral, ‘Jurassic Park III foi considerado um filme divertido para fãs de aventura, mas ficou aquém das expectativas criadas pelos predecessores, sendo visto como uma produção mais comercial e menos inspirada.

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Jurassic Park III estreou em 18 de julho de 2001 e teve uma bilheteria sólida, mas inferior aos dois primeiros filmes da franquia. No fim de semana de estreia, o filme arrecadou cerca de US$ 50 milhões nos Estados Unidos, ficando em primeiro lugar nas bilheterias daquele fim de semana. Porém, bastaria a segunda semana em cartaz para cair para a segunda posição, com a estreia de Planeta dos Macacos, de Tim Burton, que obteve um lançamento ainda maior, com US$ 68 milhões no primeiro fim de semana, demonstrando certo desgaste nas aventuras jurássicas. Globalmente, a bilheteria total do filme atingiu aproximadamente US$ 370 milhões, um bom desempenho, mas que ficou abaixo do sucesso estrondoso dos filmes anteriores.

O terceiro filme colocaria um grande hiato nas aventuras jurássicas no cinema, em uma das franquias mais lucrativas da época, mas que nunca deveria ter se tornado uma franquia de fato. O terceiro ‘Jurassic Park‘ demonstrava a clara perda de fôlego e a falta de novidade, tornando a coisa apenas um caça-níquel com o propósito de apresentar novas espécies, contando a mesma história de maneira pouco plausível. Assim, ‘Jurassic Park‘ ficou estacionado por 14 anos, até ser tirado da gaveta em 2015, na era da nostalgia e dos reboots…

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