‘Jurassic World: Recomeço’, o sétimo filme de uma das maiores franquias do cinema, estreia mundialmente no primeiro fim de semana de julho, aquecendo os motores para o que promete ser o mês mais movimentado do ano para as grandes produções. Estrelado pela indicada ao Oscar Scarlett Johansson e pelo duas vezes vencedor do Oscar Mahershala Ali, o longa promete ser o reinício de uma nova saga jurássica nas telonas – e oferece para toda uma nova audiência a maravilha de ter dinossauros realistas nas telonas.
E quando falamos em dinossauros realistas precisamos voltar ao filme onde tudo começou: o ‘Jurassic Park’ original, de 1993. Nada jamais poderá ser comparado ao que foi ter pela primeira vez os dinossauros “vivos” de novo no cinema. Um verdadeiro divisor de águas, que só quem estava vivo na época pôde experienciar. Para irmos aquecendo os motores para o novo ‘Jurassic World’, começaremos uma série de matérias revisitando todos os filmes da saga. Confira abaixo o primeiro.

A ideia para ‘Jurassic Park‘ (1993) surgiu da combinação do romance de Michael Crichton com o desejo de Steven Spielberg em criar uma aventura que unisse ciência, suspense e ação. Crichton escreveu a obra original inspirando-se em avanços reais da engenharia genética, imaginando um parque temático onde dinossauros seriam trazidos de volta à vida. Crichton escreveu o livro Jurassic Park em 1990. A obra foi publicada oficialmente no mesmo ano nos Estados Unidos, e rapidamente se tornou um sucesso de vendas, o que chamou a atenção de Hollywood para a adaptação cinematográfica. O livro capturou o interesse do público com sua mistura de suspense, ciência e aventura. Spielberg viu ali o potencial para um blockbuster inovador, que explorasse tanto a maravilha da ciência quanto os perigos do controle humano sobre a natureza. A ideia central era mostrar o confronto entre a ambição tecnológica e as forças imprevisíveis da vida. O filme pretendia fascinar o público com dinossauros realistas, criando uma experiência visual inédita.

Para realizar essa visão, Spielberg contou com uma combinação revolucionária de efeitos especiais digitais e animatrônicos, trazendo os dinossauros à vida com impressionante realismo. A trama explorava temas como a ética científica, o caos e a imprevisibilidade da natureza, com personagens que enfrentavam consequências inesperadas. A ideia do parque temático virou uma metáfora para os limites da arrogância humana diante da biotecnologia. O filme buscava misturar entretenimento e reflexão, mantendo um ritmo intenso e cenas memoráveis. Essa combinação transformou ‘Jurassic Park‘ em um marco do cinema e da cultura pop.

A trama conta a história do bilionário John Hammond, que cria um parque temático na ilha Nublar (cenário fictício descrito como uma ilha localizada no Oceano Pacífico, próxima à costa da Costa Rica, na América Central), onde dinossauros são trazidos de volta à vida por meio da engenharia genética. Para garantir a segurança e a viabilidade do projeto, ele convida um grupo de especialistas — o paleontólogo Dr. Alan Grant, a paleobotânica Drª Ellie Sattler e o matemático Dr. Ian Malcolm — para avaliar o parque antes da abertura ao público. Durante a visita, eles testemunham as incríveis criaturas, mas também começam a perceber falhas graves no sistema de segurança do parque. A tensão cresce quando um sabotador interno desativa as proteções eletrônicas. Isso desencadeia o caos, liberando os dinossauros e colocando todos em perigo.

À medida que os visitantes lutam para sobreviver, enfrentam predadores perigosos, como o feroz Tiranossauro Rex e os inteligentes Velociraptores. A luta pela sobrevivência se intensifica enquanto eles tentam encontrar uma saída da ilha, que agora está completamente fora de controle. O filme mistura ação, suspense e momentos de admiração científica, explorando temas sobre os limites éticos da ciência e a imprevisibilidade da natureza. No fim, o grupo consegue escapar, deixando claro que a tentativa de controlar a vida pré-histórica é uma tarefa perigosa e cheia de consequências inesperadas.

Steven Spielberg enfrentou o enorme desafio de criar dinossauros realistas e convincentes para ‘Jurassic Park‘, algo nunca antes visto no cinema. Para isso, ele combinou efeitos especiais digitais inovadores com animatrônicos mecânicos desenvolvidos pela equipe de Stan Winston. Essa mistura permitiu movimentos naturais e texturas detalhadas, surpreendendo o público com a aparência e comportamento dos dinossauros. O trabalho demandou muita pesquisa científica para garantir que os dinossauros parecessem autênticos, além de um cuidadoso equilíbrio entre tecnologia e atuação. Spielberg queria que o público sentisse que estava realmente diante dessas criaturas pré-históricas.

A revolução causada pelos efeitos visuais de ‘Jurassic Park‘ redefiniu o cinema, abrindo caminho para o uso extensivo de CGI em blockbusters e elevando o padrão para filmes de aventura e ficção científica. O sucesso dos dinossauros digitalizados influenciou toda a indústria e mostrou o potencial da tecnologia para contar histórias épicas. Para estrelar o filme, os dinossauros escolhidos foram o imponente Tiranossauro Rex, o inteligente Velociraptor, o pacífico Tricerátopo e o enorme Braquiossauro, entre outros. Cada espécie ganhou destaque em cenas memoráveis, tornando-se ícones culturais instantâneos e ajudando a criar uma experiência cinematográfica inesquecível – como a cena do Dilophosaurus, retratado no filme com uma “gola” colorida que se abre e a habilidade fictícia de cuspir veneno, características criadas especialmente para o suspense da cena, embora não tenham base científica comprovada.

A empresa responsável pela criação dos efeitos de CGI (imagens geradas por computador) em ‘Jurassic Park‘ foi a Industrial Light & Magic (ILM), fundada por George Lucas. A ILM foi pioneira no desenvolvimento de efeitos visuais digitais e, para ‘Jurassic Park‘, criou os dinossauros em computação gráfica com um nível de realismo revolucionário para a época. Esse trabalho marcou um avanço tecnológico enorme no cinema, estabelecendo um novo padrão para efeitos especiais. A colaboração entre a ILM e a equipe de animatrônicos de Stan Winston foi fundamental para o sucesso visual do filme.
O protagonista do filme é o Dr. Alan Grant, paleontólogo especialista em dinossauros, representando o cientista prático, cético e apaixonado pela vida pré-histórica. Ele é responsável por explicar ao público os detalhes sobre os dinossauros e serve como uma figura paternal para as crianças no filme. Sam Neill foi o ator escolhido para interpretar Grant, trazendo uma combinação de autoridade e empatia ao papel. Antes da decisão final, atores como Harrison Ford e Mel Gibson foram cogitados para o papel, mas acabaram não participando por questões de agenda ou por não se encaixarem no perfil que Spielberg desejava. A escolha de Neill ajudou a dar ao personagem um equilíbrio entre seriedade científica e acessibilidade emocional.

A protagonista feminina é A Dra. Ellie Sattler, paleobotânica corajosa e inteligente, ela é uma personagem fundamental em ‘Jurassic Park‘, trazendo conhecimento científico e uma perspectiva feminina forte à equipe. Ela é essencial para entender o ecossistema do parque e enfrenta perigos com determinação e coragem ao longo da trama. Laura Dern foi escolhida para interpretar Ellie, oferecendo uma performance que combinou simpatia, inteligência e coragem, tornando-a uma das figuras mais memoráveis do filme. Antes da escolha de Dern, atrizes como Michelle Pfeiffer e Julia Roberts foram consideradas para o papel, mas acabaram não assumindo por diferentes motivos. A presença de Dern deu equilíbrio e profundidade à dinâmica do grupo, reforçando a importância da ciência e do instinto na narrativa.

Além de Sam Neill e Laura Dern, ‘Jurassic Park‘ contou com Jeff Goldblum como o Dr. Ian Malcolm, um matemático carismático e sarcástico que adverte sobre os perigos da arrogância humana diante da natureza. Goldblum foi uma escolha marcante, trazendo charme e humor, embora atores como Bill Murray tenham sido considerados para o papel. Richard Attenborough interpretou John Hammond, o bilionário idealista e visionário por trás do parque, seu perfil de patriarca gentil e sonhador foi perfeito para o personagem, que poderia ter sido interpretado por outros atores veteranos, mas Attenborough se destacou pela autoridade natural.

Wayne Knight viveu Dennis Nedry, o programador sabotador, cuja atuação cômica e inesquecível tornou a personagem memorável; outras opções para o papel incluíam atores menos conhecidos na época. Finalmente, Joseph Mazzello e Ariana Richards interpretaram os netos de Hammond, Tim e Lex, respectivamente, trazendo inocência e coragem às suas personagens jovens. Esse conjunto diversificado de atores ajudou a dar vida à história com profundidade e emoção. ‘Jurassic Park‘ foi amplamente elogiado pela crítica em seu lançamento, recebendo destaque especialmente pelos seus efeitos visuais revolucionários e pela direção de Steven Spielberg. Muitos críticos consideraram o filme um marco no cinema de aventura e ficção científica, admirando a combinação entre ação intensa, suspense e inovação tecnológica.

A performance do elenco também foi bem recebida, com Jeff Goldblum ganhando elogios por seu carisma único. Alguns comentários apontaram que a trama poderia ser simples, mas a experiência visual e o ritmo acelerado compensavam essa simplicidade. No geral, o filme foi visto como um triunfo técnico e narrativo, consolidando-se rapidamente como um clássico moderno. ‘Jurassic Park‘ estreou nos cinemas dos Estados Unidos em 11 de junho de 1993, e logo no fim de semana de estreia conquistou a liderança da bilheteria nacional, desbancando o thriller de ação ‘Risco Total‘, estrelado por Sylvester Stallone (o campeão por duas semanas) e arrecadando cerca de 47 milhões de dólares — um recorde para a época.
‘Jurassic Park‘ se manteve na liderança do ranking das bilheterias por três semanas, não dando chance para a concorrência, em especial a de ‘O Último Grande Herói‘, estrelado pelo maior astro da época, Arnold Schwarzenegger. Depois de ‘O Exterminador do Futuro 2‘, ‘O Último Grande Herói‘ seria o novo blockbuster de Arnold a reinar… mas em seu caminho tinha os dinossauros colossais de Spielberg, que terminaram pisoteando o astro. Ao final de sua exibição nos cinemas, arrecadou cerca de US$404 milhões só nos EUA, tornando-se o filme de maior bilheteria da história até então, além de arrecadar mais de US$600 milhões mundialmente. Essa performance garantiu seu status de fenômeno cultural e financeiro.

O legado de ‘Jurassic Park‘ é imenso e multifacetado, consolidando-se como um marco revolucionário no cinema. O filme redefiniu o uso dos efeitos visuais digitais, elevando o padrão para produções futuras e abrindo caminho para a era do CGI em Hollywood. Além disso, popularizou o gênero de aventura científica, mesclando suspense e ação com uma abordagem mais realista e envolvente sobre a ciência. Culturalmente, ‘Jurassic Park‘ se tornou um ícone, inspirando uma franquia multimídia que inclui sequências, séries, jogos e parques temáticos, mantendo viva a fascinação por dinossauros.
Além do impacto técnico e cultural, o filme também provocou reflexões sobre os limites éticos da ciência e o respeito à natureza, temas que continuam relevantes hoje. A combinação de entretenimento de alta qualidade com mensagens sobre a responsabilidade humana diante da tecnologia marcou gerações. Seu sucesso comercial e artístico influenciou cineastas, cientistas e o público em geral, estabelecendo ‘Jurassic Park‘ como um clássico atemporal e um ponto de referência obrigatório na história do cinema.

