Kick-Ass 2 (2)

MENINA DE OURO

 No primeiro Kick-Ass, um típico nerd de colegial decidia que era hora de fazer justiça com as próprias mãos, evocando seus ídolos, os super-heróis de quadrinhos. Kick-Ass, o filme, que também é baseado em quadrinhos de heróis, criados por Mark Millar e John Romita Jr., tinha a proposta de satirizar e homenagear o subgênero. O problema é que esses autointitulados “super-heróis” humanos e reais soam muito como sua contraparte de papel. Mesmo sem superpoderes, aqui existem cenas que desafiam as leis da física, e nossa credulidade.

Personagens como Batman e o Justiceiro combatem o crime sem poderes, e o Homem-Aranha é um adolescente despreparado para suas grandes aventuras. Então podemos afirmar que o material de Kick-Ass não é assim tão original. Fora isso, um fator que chamou grande atenção da imprensa no filme original de 2010 foi sua extrema violência. E não apenas isso, mas violência infligida por uma menininha em seus 11 anos de idade. Hit-Girl, a personagem que virou sensação, é uma menina treinada pelo pai para ser a vigilante definitiva. O sangue frio da pequena é tanto que ela não hesita em desmembrar e decapitar criminosos. Tudo com o propósito de uma boa diversão nos cinemas.

2

Quando escrevi sobre o filme original dei minha opinião sobre o significado de uma grande violência imposta para os jovens apenas com o propósito de entreter. Já deu para perceber que não fui arrebatado pelo filme de Matthew Vaughn (X-Men: Primeira Classe) como a maioria, por achar que fica na tênue linha onde não é sério e importante o suficiente, e ao mesmo tempo não é caricato, divertido e engraçado como deveria. De qualquer forma, Kick-Ass – Quebrando Tudo foi um os destaques de 2010. Alguns anos depois e ganhamos a inevitável continuação, que chega de maneira tímida nos cinemas brasileiros. Caminho similar que fez nos Estados Unidos, aonde não despertou grandes paixões.

Em muitos aspectos, no entanto, Kick-Ass 2 é superior a seu predecessor. O primeiro deles é a dramaticidade e importância dada às subtramas, e desenvolvimento de personagens. Vemos, por exemplo, as consequências que tem para a sua família, o fato do protagonista (vivido mais uma vez pelo talentoso Aaron Taylor-Johnson – de Selvagens) vestir o uniforme. O relacionamento entre o jovem Dave, a identidade secreta do herói Kick-Ass, e seu pai é abalada de uma forma irremediável. O mesmo pode ser dito da personagem Hit-Girl, mais uma vez vivida por Chlöe Grace Moretz (a nova Carrie).

3

Esse realmente é um filme mais dela do que de Kick-Ass. A trama evolui a personagem de Moretz, agora com 16 anos, e com problemas em se ajustar à vida colegial e adolescência. Também temos o universo super heroico em geral expandido, como se o próximo passo fosse dado em relação a termos apenas três personagens mascarados no filme original. Uma espécie de Liga da Justiça “furreca” e violenta é criada, comandada pelo personagem de Jim Carrey (um dos maiores astros da década de 1990 tentando ensaiar um retorno ao palco principal).

O personagem de Carrey é um ex-assassino da máfia, que encontrou Deus e decidiu rachar crânios de criminosos em Seu nome. O ator está irreconhecível no papel, longe de seus exageros de praxe. Aqui Carrey quase não faz rir. O ator inclusive renunciou o filme por sua violência, já que Carrey agora é um forte ativista do desarmamento. Entre os membros dessa formada equipe heroica destacam-se o boa praça Dr. Gravidade (nada a ver com o filme de Cuarón), vivido por Donald Faison (da série Scrubs), e a autointitulada Night Bitch, vivida pela bela ruiva Lindy Booth (Madrugada dos Mortos), que tem um caso com o protagonista.

4

Todos possuem suas histórias e seus próprios passados trágicos. A belíssima Lyndsy Fonseca (A Ressaca), namorada do herói no original, possui pouquíssimo espaço em cena (infelizmente) e é jogada para escanteio.  Quem volta sem grande importância é o vilão, agora exagerado, de Christopher Mintz-Plasse, que depois de abandonar o pseudônimo do falso herói Red Mist, resolve se batizar como Motherfucker (nome impróprio por significar um palavrão em inglês, que com certeza fez subir a censura por lá).

O vilão traz consigo uma legião de inimigos a seu comando. Entre eles, a gigantesca Mother Russia (Olga Kurkulina, uma montanha de músculos), a única adversária a altura da feroz Mindy, identidade de Hit-Girl. Entre erros e acertos Kick-Ass 2 talvez não seja tão impactante e original (segundo dizem) quanto o primeiro, mas sem dúvidas merecia mais respeito, e não ser descartado completamente. As portas ficam abertas para um Iron Kick-Ass…

var disqus_config = function () { this.page.url = window.location.origin + window.location.pathname; this.page.identifier = window.location.pathname; this.page.title = document.title; };(function() { var d = document, s = d.createElement('script');s.src = 'https://cinepop-com-br-x.disqus.com/embed.js'; s.setAttribute('data-timestamp', +new Date());(d.head || d.body).appendChild(s); })();Ative o JavaScript para visualizar os comentários.

Notícias

Cillian Murphy e Jack O’Connell interpretarão IRMÃOS em ‘Um Lugar Silencioso 3’

Em entrevista ao Collider, Jack O'Connell ('Pecadores') revelou novos...

Lea Michele retornará como Rachel Berry no reboot de ‘Glee’

De acordo com o Variety, Lea Michele ('Scream Queens')...