sábado, fevereiro 24, 2024

‘Loki’ | Conheça a história real por trás do quinto episódio da 2ª temporada

[ANTES DE COMEÇAR A MATÉRIA, FIQUE CIENTE QUE ELA ESTÁ RECHEADA DE SPOILERS] 

Se você ainda não assistiu o quinto episódio da segunda temporada de Loki, evite esta matéria, pois ela contém spoilers

Desde a primeira temporada de Loki, um dos maiores mistérios sobre a AVT era a origem de seus funcionários. Conforme os episódios foram passando, descobrimos que a Agência raptou pessoas de suas linhas do tempo, “resetou” suas memórias e as colocou para trabalhar na repartição pública temporal. Agora, no quinto episódio da segunda temporada, a Marvel decidiu enfim revelar como era a vida do grupo principal antes de serem sequestrados.

Mobius (Owen Wilson) era obviamente um vendedor de moto aquáticas, e pai solteiro de dois filhos; B-15 (Wunmi Mosaku) era médica em Nova York; Ouroboros (Ke Huy Quan) era um físico aspirante a escritor, mas absolutamente nada neste mundo preparou o público para a real identidade do simpático Casey (Eugene Cordero). Logo no começo do episódio, é mostrado que Casey é, na verdade, Frank Morris, um dos três prisioneiros que protagonizaram a lendária Fuga de Alcatraz. Um caso histórico, sem solução, que aconteceu na vida real.

Localizada na Baía de São Francisco, a Penitenciária Federal de Alcatraz foi uma das obras mais famosas da arquitetura carcerária mundial. Ela foi construída sobre a Ilha de Alcatraz na década de 1930 e funcionou até 1963. Seu surgimento se dá no contexto da Crise de 1929, quando a pobreza tomou os EUA, aumentando consideravelmente a criminalidade. A ideia de ter um presídio em uma ilha é a mais óbvia possível: evitar fugas. Cercada por água de todos os lados, Alcatraz tinha apenas uma entrada e saída, e abrigava, além dos detentos, as famílias dos agentes que trabalhavam por lá.

Antes mesmo de virar uma penitenciária federal, as instalações da ilha, que já pertenceu ao México, era utilizada como centro de detenção de indígenas norte-americanos que não aceitavam a opressão e a tomada de suas terras. Lá, eles viviam em péssimas condições. Com a crise de 29, o presídio foi federalizado e expandido para um prédio com quatro blocos de três andares. Ao longo de sua história, 1576 prisioneiros passaram por lá.

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Durante seu período de atividade, a Ilha de Alcatraz foi considerada o presídio mais seguro do mundo. Foram registradas apenas 14 tentativas de fuga em toda sua história, sendo que apenas uma foi supostamente bem-sucedida. É que, na verdade, ninguém sabe exatamente o que aconteceu com os três detentos que escaparam. A teoria mais aceita, inclusive, é a de que eles morreram afogados, já que nunca mais foram encontrados.

Parte das tentativas de fuga serem tão poucas é que os detentos eram submetidos a uma “programa de regeneração social” extremamente polêmico, em que trabalhavam contra sua vontade, eram acompanhados de perto por agentes federais que os reprimiam 24h por dia e tinham direito a tomar banho apenas duas vezes por semana. Além disso, as celas eram minúsculas e precárias. Dentre os prisioneiros mais famosos, destacam-se Al Capone, James J. Bulger e Michey Cohen, um dos grandes amigos de Frank Sinatra.

A cela de Al Capone é um dos pontos mais visitados na Ilha atualmente

Na única fuga que supostamente deu certo, Frank Morris, o nosso “Casey”, se uniu aos irmãos Clarence e John Anglin, para planejar por meses a tão sonhada fuga da prisão inexpugnável. Para contextualizar melhor o caso, Frank era literalmente um gênio. Com QI de 133, o rapaz veio de um histórico complicado. Criado em orfanatos, ele cometeu seus primeiros crimes com apenas 14 anos. Usando droga e fazendo pequenos assaltos armados, ele foi transferido dos orfanatos para os reformatórios, onde começou a planejar fugas para seus colegas. Com o passar dos anos, ele fugiu de vez e se especializou em assaltos a banco sem o uso de violência.

Dessa forma, ele foi preso algumas vezes e foi enviado a alguns presídios federais ao longo de sua vida. Ele conseguiu escapar de todos, mas a detenção que mais importa aqui é a que aconteceu em Atlanta, nos anos 50. Foi lá que ele conheceu os irmãos Alfred, Clarence e John Anglin. O trio cometia assaltos e volta e meia ia preso junto. Neste mesmo presídio, o ‘Quarteto Fantástico’ da bandidagem conheceu Allen West, um notório ladrão de carros. Após fugirem de algumas prisões, dando dor de cabeça para o governo, Frank, Clarence, John e Allen foram transferidos para a prisão cuja fuga era impossível. Alfred Anglin, porém, o irmão mais velho do trio, inexplicavelmente nunca foi mandado para Alcatraz. Em vez disso, ele foi parar na Penitenciária Kilby, em Montgomery, onde morreu eletrocutado após tentar fugir, em 1964.

As fotos de registro de John, Clarence, Frank e Allen em Alcatraz.

O plano foi bolado por Frank, que reuniu Allen e os irmãos Anglin para discutir as possibilidades de fuga. Então, eles decidiram usar a saída de ventilação das celas como escape. Para isso, eles usaram pedaços perdidos de serra que estavam na área externa das celas, colheres de metal e até mesmo o motor de um aspirado quebrado, que foi transformado numa broca. Para abafar o barulho dessas “obras” que duraram aproximadamente 182 noites (seis meses), Frank tocava um acordeom.

Com as escavações, eles chegaram a um corredor não vigiado, onde reuniam tudo que encontravam e pensavam em como usá-los para escapar. Para mascarar suas ausências nas celas, eles fizeram cabeças falsas com pasta de dente, sabão, papel higiênico, restos de concreto e cabelos furtados da barbearia. Assim, no período da noite, os guardas passavam e viam uma silhueta na cama. Ah, os buracos eram escondidos com folhas de papelão pintados.

Em 2018, o FBI recriou as cabeças falsas para o museu de Alcatraz

No “escritório” improvisado, eles usaram capas de chuva costuradas para fazer coletes salva-vidas e uma jangada, que foi inflada com um acordeom. Para os remos, usaram pedaços de madeira e pregos. Então, na noite de 11 de junho de 1962, eles deram início a fuga. O trio subiu pelo poço de ventilação, que levava até o telhado do prédio. Allen West, porém, tinha usado concreto para segurar o seu duto de escape, o que acabou reduzindo o tamanho do buraco por onde escaparia. Ele precisou alargar a rota de fuga, o que tomou mais tempo do que o planejado. Por isso, ele ficou pra trás, enquanto Frank e os Anglin chegaram ao telhado. De lá, o trio desceu segurando em um cano da cozinha, escalou os muros com arame farpado e foi um ponto cego dos holofotes de busca. Lá, eles começaram a inflar a jangada com o acordeom e se lançaram no mar.

Allen West chegou a subir ao telhado, mas vendo que tinha sido deixado para trás, voltou para sua cela e foi dormir. No dia seguinte, foi questionado pelos guardas e cooperou com a investigação, contando todos os detalhes do plano. No ano seguinte a fuga, ele foi tirado de Alcatraz e levado para outro presídio. Allen morreu 16 anos depois, vítima de uma inflamação no abdômen. Já Frank, John e Clarence nunca mais foram vistos ou encontrados. Nos dez dias seguintes, o FBI fez uma ampla investigação na baía, mas não encontrou nenhum corpo. O máximo que conseguiram foi um dos remos, uma carteira com fotos da família Anglin e alguns pedaços de capa de chuva. Por outro lado, um policial de São Francisco afirmou ter visto uma embarcação ilegal indo em direção à Ponte Golden Gate no horário da fuga. Um mês depois, um navio cargueiro disse ter visto um corpo no mar com roupa de prisioneiro, mas concluíram que era de um homem que cometeu suicídio pulando da ponte cinco dias antes do avistamento, já que a chance de um corpo ficar boiando na baía era mínima.

Também foi encontrada uma ossada próximo a onde o navio avistou o corpo. E apesar dos exames indicarem ser de um corpo masculino mais ou menos na mesma altura de Frank Morris, exames de DNA, feitos anos depois, confirmaram que aquele corpo não era o de nenhum dos detentos. O FBI encerrou o caso em 1979, por falta de provas, assumindo que o trio morreu afogado nas águas gélidas da Baía. No entanto, há o relato de um detento que conseguiu nadar para fora de Alcatraz e chegou à costa com hipotermia. Ele foi hospitalizado e levado de volta para o presídio. No caso, a situação climática era muito pior e ele não tinha uma jangada, o que levantou suspeita sobre a decisão do FBI. Até hoje, a Fuga de Alcatraz é considerada um dos crimes sem solução mais famosos dos EUA.

Alguns anos depois, o caso foi reaberto diante de diversos relatos de avistamento dos detentos, e segue aberto até os dias de hoje. Uma das teorias mais famosas é a de que eles teriam contado com a ajuda de um barco, chegado até a orla e se mudado para o Rio de Janeiro, no Brasil. As provas evidências foram consideradas tão relevantes que uma equipe do FBI veio ao Rio para investigar. Em 2013, porém, o delegado responsável pelo cargo recebeu uma carta, supostamente de John Anglin, dizendo que Frank Morris faleceu em 2005.

O caso é cercado de mistérios e incertezas, o que acabou rendendo um filme espetacular chamado Alcatraz: Fuga Impossível. Lançado em 1979, ele é estrelado por Clint Eastwood, que transforma Frank Morris em um tipo de anti-herói contra o sistema. Em 1963, o procurador Robert Kennedy calculou que a penitenciária custava três vezes mais do que ela gerava de retorno. Então, por uma questão financeira, Alcatraz foi desativada. Atualmente, as ruínas de Alcatraz abrigam um museu que é uma das principais atrações turísticas da região.

O mais legal disso tudo é que essa não foi a primeira vez que a série Loki tentou explicar crimes reais sem solução com as interferências do Deus da Trapaça. Na primeira temporada, eles brincaram com o assalto aéreo de D.B. Cooper, atribuindo sua autoria ao Loki. Você pode conferir mais sobre essa história clicando aqui.

Leia também: Crítica | Quinto episódio da 2ª temporada de ‘Loki’ é fora de série

O último episódio da segunda temporada de Loki chega ao Disney+ nesta quinta-feira (9).

Alcatraz: Fuga Impossível está disponível no Amazon Prime Video.

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Pedro Sobreirohttp://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.

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