Connie Francis, uma das vozes mais emblemáticas dos anos 1950 e 1960, morreu aos 87 anos. A informação foi confirmada por seu amigo de longa data e presidente da Concetta Records, Ron Roberts, em publicação nas redes sociais.
“É com o coração pesado que informo o falecimento da minha querida amiga Connie Francis ontem à noite”, escreveu. A artista havia sido hospitalizada recentemente por fortes dores, mas chegou a dizer em 4 de julho que estava “se sentindo muito melhor”.
Nascida Concetta Rosa Maria Franconero em Newark, Nova Jersey, Francis se tornou um fenômeno internacional ao dar voz a sucessos como “Stupid Cupid”,“Who’s Sorry Now” e “Where the Boys Are”. Em 1960, ela entrou para a história ao ser a primeira mulher a alcançar o topo da Billboard Hot 100, com “Everybody’s Somebody’s Fool”.
Fenômeno nas rádios — e agora no TikTok
Mais de seis décadas depois de seu auge, Connie voltou às paradas de sucesso graças a uma redescoberta nas redes sociais. A música “Pretty Little Baby”, lado B de sua discografia, viralizou no TikTok, superando 30 milhões de reproduções e figurando entre as mais ouvidas do Spotify e iTunes. Empolgada, Francis criou uma conta na plataforma e agradeceu os novos fãs: “Estou pasma e empolgada”.
Ascensão e pioneirismo
Após um início de carreira frustrante com oito singles fracassados, a sorte virou quando ela gravou uma nova versão de “Who’s Sorry Now”, sucesso de 1923. A canção viralizou após ser tocada por Dick Clark no programa “American Bandstand”, e abriu caminho para uma sequência de hits em parceria com os compositores Neil Sedaka e Howard Greenfield. Entre eles: “Lipstick on Your Collar”, “Frankie”, “Among My Souvenirs” e “Breakin’ in a Brand New Heart”.
Connie também inovou ao gravar álbuns inteiros em idiomas estrangeiros — incluindo alemão, italiano, romeno e iídiche — tornando-se um símbolo global da música americana. Na Alemanha Ocidental, chegou ao topo com a faixa “Die Liebe ist ein seltsames Spiel”.
Trauma, silêncio e retorno
Nos anos 1970, a vida pessoal de Connie foi marcada por uma sequência de tragédias. Ela alegou ter sido estuprada em um hotel em Nova York, o que a levou a se afastar dos palcos. Após um processo contra a rede hoteleira, recebeu indenização de US$ 2,5 milhões. Pouco depois, uma cirurgia nasal comprometeu sua voz. E em 1981, seu irmão foi assassinado pela máfia.
Mesmo com os traumas, Connie reconstruiu sua carreira e retomou os palcos em Las Vegas. Sua autobiografia “Who’s Sorry Now?” se tornou um best-seller em 1984, e ela voltou a lançar músicas até se aposentar oficialmente em 2018.
Vida pessoal e legado
Connie Francis foi casada quatro vezes e adotou um filho, Joey Garzilli, com quem vivia atualmente. Ela também teve um relacionamento marcante com o cantor Bobby Darin, com quem quase se casou. Seu último parceiro foi Tony Ferretti, falecido em 2022.
Connie deixa um legado eterno na história da música popular. Sua voz, que embalou gerações, volta a tocar corações de novas audiências. E agora, mesmo após sua partida, a menina do “Stupid Cupid” segue conquistando o mundo — nota por nota, refrão por refrão.
