Um filme chamou bastante a atenção no primeiro dia de exibições da Mostra de Cinema de Fama 2025: Depois do Fim, de Pedro Maciel. Em um recorte profundo – mesmo com poucos minutinhos – sobre ‘O que não durou e as suas causas’, embarcamos rapidamente num universo muito visto nos filmes de Richard Linklater que aqui ganha sua própria originalidade nas mãos habilidosas desse jovem cineasta.

Nascido em Salvador, Pedro Maciel vem de uma carreira consolidada dirigindo videoclipes de grandes artistas brasileiros. Cinco anos atrás, investiu seu olhar para a grande paixão: a sétima arte, escrevendo o roteiro do curta-metragem – já mencionado – e assim dando os primeiros passos nesse novo caminho.
Para nos aprofundarmos mais sobre essa obra que coloca em tela emoções de um reencontro, e reflexões sobre desencontros – que ainda conta com uma atuação marcante de Olívia Torres – fomos conversar com o cineasta durante o festival:

1) Teu curta-metragem ‘Depois do Fim’ conversa muito com o universo criado por Richard Linklater em ‘Antes do Amanhecer’. Tô viajando muito ou tem um pouco desse tempero? Conta pra gente também sobre o surgimento da ideia pro filme e escolha do ótimo elenco.
Pedro Maciel: Isso mesmo, desde que conheci a filmografia do Linklater, principalmente a ‘Trilogia Before’ e Boyhood, eu me apaixonei pela forma em que o diretor conta suas histórias e sempre carregarei isso comigo. Esse cinema que beira a realidade, um registro da vida como ela é. O filme surgiu exatamente desse interesse de falar sobre algo que todos nós passamos e que costuma ficar apenas nas entrelinhas do cinema, temos muitos filmes sobre o amor, a dificuldade dos relacionamentos e sobre o fim deles, mas o que acontece depois costuma ficar de fora. A pergunta que não saia da minha mente era como seria reencontrar alguém que um dia foi tão importante e presente na sua vida, porém hoje já não faz mais parte dela e até onde nós carregamos esse amor do passado, mesmo sem saber. Após escrever o roteiro fiz o convite para a Olívia Torres e para o Rafael Lozano para uma participação ativa no filme, com inúmeros ensaios para podermos encontrar juntos essa naturalidade e fluidez de um longo diálogo contínuo.

2) Seu filme está selecionado para a Mostra de Fama e já passou em outros festivais este ano. Qual a importância dos festivais de cinema na carreira de quem faz um curta-metragem?
Pedro Maciel: O festival de cinema é o ambiente mais importante para um realizador e seu filme. É onde todo o árduo processo de tirar um sonho do papel vale a pena. Quando escrevemos, produzimos, filmamos e finalizamos, estamos sempre pensando num mesmo ponto final, a sala de cinema, o contato direto com as pessoas. E sem os festivais esse ponto final seria uma tarefa quase impossível.

3) Você é de uma nova geração de cineastas que buscam voos mais altos nesse mercado tão disputado do audiovisual. Como você tá enxergando o atual momento do cinema brasileiro?
Pedro Maciel: Acredito que estamos em um ótimo momento para o cinema nacional, com inúmeras produções se tornando os filmes mais importantes do ano no Brasil e fora. Principalmente após o Oscar desse ano o mundo inteiro está de olho no cinema brasileiro, e claro que isso fomenta bastante a produção de mais filmes. Apenas em um ano temos nomes incríveis como Manas, O Último Azul, O Agente Secreto, Oeste Outra Vez, A Melhor Mãe do Mundo, Malu, Baby e muitos outros filmes que inspiram todos nós realizadores a continuar acreditando em nosso sonho.

4) Quais suas referências no universo do cinema? Tem algum diretor ou diretora que você acompanha bem de perto os trabalhos?
Pedro Maciel: Como mencionado anteriormente, o Richard Linklater é um diretor muito influente para o meu olhar sobre o cinema e o mundo. Outros nomes que acompanho bastante é o Kleber Mendonça Filho e a Céline Sciamma. Tanto em Aquarius como em Retrato de uma Jovem em Chamas encontrei obras que me fascinaram e que a cada vez que assisto consigo encontrar mais camadas e aspectos da cinematografia para analisar e aprender.
5) Sobre próximos projetos. O que você pode adiantar pra gente?
Pedro Maciel: Tenho muitos outros temas que quero falar e abordar em próximas produções. Meu primeiro curta – Depois do Fim – foi uma produção independente, em que para tirar esse grande sonho do papel, eu financiei a produção do filme. Para essas próximas obras tenho muito interesse em produzir dentro de alguma produtora ou com leis de incentivo, para assim poder tirar ainda mais sonhos do papel e continuar a contar histórias. Quem sabe continuar esse tema do curta em outros cenários?
