Não veio o Oscar, mas o cinema brasileiro continua com o molho

A noite do dia 15 de março de 2026 já ficou marcada na história do nosso cinema, independentemente do resultado. O equipe de O Agente Secreto, com suas quatro indicações, e o diretor de fotografia Adolpho Veloso – com um belíssimo trabalho no ótimo Sonhos de Trem – representaram o Brasil na maior cerimônia do cinema mundial, o Oscar.

E que orgulho de todos eles! A cada menção exibida na tela de milhões de pessoas pelo mundo, surgiam gritos eufóricos em vários cantos do nosso país – com direito até a salas de cinemas cheias apenas para acompanhar o evento. Também foi lindo, pelas redes sociais, a mobilização positiva que foi vista ao longo das mais de três horas de duração de cerimônia. A negativa a gente finge que não vê, para não estragar a nossa alegria em celebrar o nosso cinema.

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Na categoria de Melhor Filme Internacional – talvez a nossa maior chance – a estatueta dourada ficou com o também excelente filme dinamarquês Valor Sentimental. Na categoria de Melhor Elenco, uma estreia no Oscar, o prêmio ficou com os ótimos artistas de Pecadores. Nosso Wagner Moura passou perto, mas quem venceu o prêmio de Melhor Ator foi Michael B.Jordan, por um trabalho muito bem realizado no já mencionado Pecadores, líder em indicações neste ano. Adolpho Veloso também não venceu: o Oscar de Melhor Fotografia ficou com Autumn Durald Arkapaw (também por Pecadores) – a primeira mulher na história a conquistar o prêmio nessa categoria.

Aí, com a frustração e o calor do momento, você pode se perguntar: é possível dizer que houve injustiça? Que fomos roubados? Não. Um absurdo pensar assim. Todos os prêmios mencionados foram justos. Qualquer cerimônia de cinema nunca foi – e nunca será – uma disputa, e sim uma celebração. O fato de termos sido indicados já é uma enorme conquista, um reconhecimento mundial das nossas histórias, dos nossos talentos, das nossas verdades. E esse prêmio ninguém tira de nós!

Nosso cinema é plural, rico em narrativas, e marcado por uma diversidade que revela nossas realidades, nossas angustias e nossos desejos – deixando para todos que assistem várias reflexões. Ao longo da história do cinema brasileiro, passamos por várias fases, algumas de grande dificuldade, mas sobrevivemos e seguimos em frente, trazendo histórias que precisam ser contadas e vistas pelo mundo. Não veio o Oscar, mas o cinema brasileiro continua com o molho.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.