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Nostalgia! ‘Profissão: Perigo’ – Os 40 Anos do herói clássico da TV, MacGyver – Você lembra?


Tudo o que ele precisava era de um clipe e um elástico para desativar uma bomba e fugir de uma cela. E isso não é brincadeira, já que muitos dos episódios de ‘MacGyver – Profissão: Perigo’ seguiam por essa linha. A série clássica de ação e aventura, que chegou para os brasileiros através das exibições na rede Globo, completa nada menos que quatro décadas de sua estreia em 2025. O programa entrou para a história como um dos mais emblemáticos a já terem saído dos anos 80. Abaixo relembraremos esse seriado que deu o que falar na época. Confira.

Em 29 de setembro de 1985, a rede americana ABC exibia o primeiro episódio de uma nova série de ação e aventura que rapidamente se tornaria um fenômeno global: ‘MacGyver, conhecida no Brasil como ‘MacGyver – Profissão: Perigo’. Quatro décadas depois, o nome MacGyver transcende a televisão e virou sinônimo de criatividade e improviso. Em 2025, a série celebra seus 40 anos de estreia com um legado tão sólido quanto as invenções que seu protagonista fazia com clipes de papel e chicletes.



Criado por Lee David Zlotoff, ‘MacGyver surgiu com a proposta de ser uma alternativa ao típico herói armado até os dentes dos anos 1980. A ideia era simples e, ao mesmo tempo, ousada: um protagonista que resolvesse conflitos sem recorrer à violência letal, usando apenas sua inteligência, criatividade e conhecimentos científicos.

Zlotoff, roteirista e produtor que já havia trabalhado em séries como ‘Chumbo Grosso’ (Hill Street Blues), queria construir um personagem que inspirasse o público com soluções engenhosas, ao invés de força bruta. O conceito foi levado à ABC, que aprovou o piloto. A série seria produzida pela Paramount Television e supervisionada por Henry Winkler, o eterno “Fonzie” de Happy Days, que se tornaria um dos maiores defensores do projeto.

Richard Dean Anderson, até então conhecido por papéis secundários em séries e novelas, foi escalado como Angus MacGyver. Seu carisma natural, senso de humor e capacidade de transmitir empatia fizeram dele a escolha ideal. Anderson tornou MacGyver mais do que um herói improvável — ele o transformou em um símbolo cultural.

Durante sete temporadas (1985–1992) e dois telefilmes subsequentes (1994), MacGyver acompanhava as aventuras de Angus MacGyver, um agente da Fundação Phoenix — uma organização fictícia voltada à pesquisa científica e ao combate ao crime — que atuava como uma espécie de agente secreto pacifista.

Seu diferencial? A recusa em usar armas de fogo e a habilidade de criar soluções improváveis com os objetos à sua volta: um clipe de papel, uma bateria de carro, um tubo de pasta de dente… Qualquer item do cotidiano se tornava uma ferramenta de sobrevivência ou desarme de bomba nas mãos de MacGyver. Esse tipo de inventividade virou uma marca registrada do personagem, ao ponto de a série ter consultores científicos para garantir plausibilidade (mesmo que, em muitos casos, a ciência fosse “ajustada” para efeito dramático).

Além disso, MacGyver trazia uma forte carga de ética e consciência social. O personagem era vegetariano, defensor do meio ambiente e crítico de soluções violentas. Em meio à era Reagan, marcada por séries militarizadas como ‘Esquadrão Classe A’ e filmes como ‘Rambo 2′ e ‘Comando Delta’, ‘MacGyver oferecia um contraste humanista.

Na época de seu lançamento, ‘MacGyver foi bem recebido tanto pelo público quanto pela crítica, embora nunca tenha sido um campeão absoluto de audiência. O que conquistou os espectadores foi justamente sua originalidade. A série manteve uma base fiel de fãs ao longo de seus 139 episódios e conquistou status de cult em diversos países, incluindo o Brasil.

A crítica destacava a abordagem educativa da série e o carisma de Anderson. Em entrevistas da época, Richard Dean Anderson comentou que uma das maiores alegrias era receber cartas de crianças que começaram a se interessar por ciência por causa de ‘MacGyver. Em uma época sem internet, a figura de um herói que resolvia problemas com conhecimento era, no mínimo, revolucionária.

Além disso, ‘MacGyver inspirou inúmeras outras produções a repensarem a construção de protagonistas — mostrando que inteligência e compaixão também podiam gerar boas histórias de ação.

No Brasil, ‘MacGyver – Profissão Perigo’ foi exibida inicialmente pela Rede Globo a partir de 1986, nas tardes de domingo. Logo se tornou um sucesso. A dublagem brasileira, feita pelos estúdios Herbert Richers, foi um dos pontos altos, dando ao personagem um sotaque neutro e uma voz marcante, eternizada pelo dublador Garcia Júnior.

Mais do que um programa de TV, ‘MacGyver virou expressão. “Fazer um MacGyver” virou sinônimo de resolver problemas com improviso. A série foi reprisada extensivamente nos anos 1990 pela Globo, depois pelo SBT e por canais a cabo como a Rede Brasil e a AXN.

Muitos jovens brasileiros cresceram tentando repetir as façanhas do personagem, seja construindo armadilhas caseiras ou fazendo experiências com pilhas, papel alumínio e elásticos. A série também era vista por pais como um conteúdo relativamente seguro e até educativo para seus filhos.

Quarenta anos depois, o nome “MacGyver” ainda é usado como verbo e referência. A expressão “MacGyverizar” algo virou comum no inglês e em outros idiomas para descrever improvisos criativos. A influência da série pode ser sentida em paródias (‘Saturday Night Live’, ‘Os Simpsons’, ‘Todo Mundo em Pânico’), em memes e até em homenagens mais diretas, como o personagem de ‘Stargate SG-1′, também interpretado por Richard Dean Anderson — que herdou parte da personalidade de MacGyver.

Além disso, o conceito de heróis que priorizam a mente em vez da força bruta influenciou personagens como Michael Scofield (‘Prison Break’) e até elementos de ‘Breaking Bad’. A série também contribuiu para o ressurgimento do interesse por experimentos de ciência prática e educação STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematics – ou ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Em 2016, a CBS lançou um reboot de ‘MacGyver, com Lucas Till no papel principal. Embora tenha alcançado certa audiência e durado cinco temporadas, a nova versão dividiu os fãs. Críticas foram feitas à descaracterização do personagem e à abordagem mais genérica e cheia de ação explosiva, que contrastava com o espírito do original.

Ainda assim, o reboot apresentou ‘MacGyvera uma nova geração e reacendeu o interesse pelo original, que passou a ser exibido em serviços de streaming e relançado em box de DVDs e blu-rays.

Em 2025, ‘MacGyver completa 40 anos como um dos personagens mais emblemáticos da televisão. Seu legado não está apenas na televisão, mas na linguagem popular, na cultura educacional e na forma como pensamos em criatividade como ferramenta de sobrevivência.

Richard Dean Anderson, hoje aposentado, continua participando de convenções e encontros com fãs, sempre lembrado com carinho pelo papel que o consagrou. Já Lee David Zlotoff segue envolvido em projetos voltados à educação, inclusive criando iniciativas que usam o espírito de MacGyver para ensinar resolução de problemas em comunidades carentes.

Mais do que uma série de ação, ‘MacGyver – Profissão Perigo’ se consolidou como um farol de engenhosidade, ética e inteligência em um mundo muitas vezes dominado pelo barulho da violência. Em tempos em que criatividade e empatia são mais necessárias do que nunca, ‘MacGyver segue sendo um exemplo atemporal de como enfrentar desafios com cabeça fria, mãos habilidosas e um coração generoso.

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