O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, venceu o prêmio de Melhor Coprodução Internacional no Prêmio Lumière, entregue na noite do último domingo, dia 18 de janeiro, em Paris. A cerimônia foi realizada no Instituto do Mundo Árabe e reuniu profissionais do cinema francês e jornalistas internacionais, reafirmando o papel da premiação como um dos principais termômetros da temporada de prêmios na França.
Representando a produção, estiveram presentes o coprodutor da MK2, a diretora de fotografia Evgenia Alexandrova e a atriz Maria Fernanda Cândido, que integrou a equipe no palco durante a entrega do prêmio.
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Em discurso, a atriz destacou o significado do reconhecimento internacional da coprodução. “Como brasileira morada há oito anos em Paris, fico mais do que feliz em receber este prêmio de coprodução entre o Brasil e a França”, afirmou. Maria Fernanda Cândido também agradeceu ao diretor Kleber Mendonça Filho: “Obrigada por escolher confiar na inteligência do público. Bravo, Kleber!”.
Desde o lançamento e os dois prêmios de Cannes — Melhor Ator e Melhor Direção — até essa vitória no Prêmio Lumière, O Agente Secreto conquistou mais de 50 prêmios, entre eles dois no Globo de Ouro: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator, concedido a Wagner Moura.

Com esse reconhecimento crescente, o longa também desponta como um dos títulos cotados para disputar não somente o Oscar, mas também o César de Melhor Filme Estrangeiro. Os indicados ao prêmio da Academia Francesa de Cinema serão anunciados no dia 28 de janeiro, e a cerimônia acontece em 27 de fevereiro, com apresentação da atriz Camille Cottin, conhecida pela série Dix pour cent (Call My Agent!).
Os principais vencedores da noite
A edição deste ano do Prêmio Lumière foi marcada pela consagração de dois filmes em preto e branco. François Ozon foi o grande vencedor da noite com O Estrangeiro (L’Étranger), adaptação do romance de Albert Camus, que recebeu o prêmio de Melhor Filme. Benjamin Voisin venceu o prêmio de Melhor Ator por sua interpretação de Meursault, e o longa também foi reconhecido com o prêmio de Melhor Fotografia, assinado por Manuel Dacosse.

Outro destaque foi Richard Linklater, premiado com Melhor Direção por Nouvelle Vague. O filme também rendeu o prêmio de Ator Revelação a Guillaume Marbeck, por sua interpretação de Jean-Luc Godard.
Entre os demais vencedores, Léa Drucker recebeu o prêmio de Melhor Atriz por Caso 137, Nadia Melliti foi consagrada Atriz Revelação por A Irmã Mais Nova, Stéphane Demoustier venceu o prêmio de Melhor Roteiro por L’inconnue de la Grande Arche, e Ugo Bienvenu foi premiado na categoria Melhor Animação por Arco.
Discursos e contexto político internacional
Além das celebrações cinematográficas, a cerimônia também foi marcada por discursos que chamaram atenção para o contexto político e humanitário internacional. Diversos vencedores e convidados relembraram a repressão às manifestações no Irã, que resultaram em milhares de mortes, e também deram visibilidade à situação na Palestina.

Esse posicionamento esteve diretamente ligado ao prêmio de Melhor Documentário, concedido a Com a Alma na Mão, Caminha, da diretora iraniana Sepideh Farsi. O filme retrata a vida de Fatma, que morreu tragicamente após o término das filmagens, realizadas na Palestina, reforçando o caráter político e testemunhal da obra.
O que é o Prêmio Lumière?
Criado em 1995, o Prêmio Lumière é concedido pela Académie des Lumières, associação formada por jornalistas e críticos internacionais que atuam na França, mas não possuem nacionalidade francesa. Frequentemente comparado ao Globo de Ouro, nos Estados Unidos, o prêmio reflete o olhar da imprensa estrangeira sobre o cinema francês e internacional.
Atualmente, a Academia Lumière reúne representantes de 36 países e conta com mais de 101 votantes, incluindo uma jornalista brasileira, única representante do país, que escreve para o site CinePOP. A cerimônia é transmitida online e permanece disponível no site oficial do prêmio, onde também é possível consultar a lista completa dos vencedores.


