São poucas as pessoas que não conhecem o infame universo do terror ‘Invocação do Mal’. A saga, estrelada por Vera Farmiga e Patrick Wilson, narra as empreitadas sobrenaturais dos demonologistas Ed e Lorraine Warren – e ganharam aplausos por parte da crítica e do público por fornecer uma nova perspectiva ao gênero de terror, apoiando-se em eventos reais que eternizaram as misteriosas figuras do casal em questão e que trouxeram elementos de obras clássicas sob uma ótica contemporânea.
Após três capítulos e outras produções derivadas que expandiram a mitologia acerca dos Warren, está na hora de concluir essa icônica saga com ‘Invocação do Mal 4: O Último Ritual’, que chega aos cinemas no dia 04 de setembro e que promete levar às telonas um dos casos mais assustadores dos demonologistas: a Assombração da Família Smurl.
O caso em questão refere-se às alegações realizadas por Jack e Janet Smurl, um casal da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que habitaram uma casa entre os anos de 1973 e 1989, aparentemente aterrorizada por um demônio. As alegações ganharam enorme atenção da mídia e foram investigadas pelos Warren, além de clérigos, psicólogos e cientistas céticos que ofereceram explicações mais parcimoniosas acerca da versão contada pelos Smurl. A história, inclusive, ganhou um romance intitulado ‘The Haunted’, bem como um filme televisivo produzido pela extinta 20th Century Fox.
CONHEÇA A HISTÓRIA

Em agosto de 1973, Jack e Janet Smurl se mudaram para uma casa de dois quarteirões na Chase Street, localizada em West Pittston, Pensilvânia. O casal afirmou que o local foi perturbado por um perigoso demônio que causava barulhos altos, odores ruins, além de ter cometido inúmeros atos de violência – incluindo arremessar o cachorro da família contra a parede, empurrar uma das filhas escada abaixo, além de agressões físicas e sexuais.
Em 1986, mais de uma década depois de terem se mudado para o casarão, os Smurl contrataram os serviços de Ed e Lorraine Warren. De acordo com Ed, o demônio que habitava o local era “muito poderoso”, capaz de sacudir os espelhos e os móveis da família após tentar ser persuadido a deixar a casa através de músicas religiosos e orações. Ele também alega que sentiu uma brusca queda na temperatura quando visitou o local, além de ter visto uma “forma obscura” lá dentro – bem como uma mensagem deixada pelo próprio demônio compelindo-o a ir embora. Após meses de investigação, os Warren coletaram uma quantidade considerável de fitas de áudio que continham batidas e barulhos causados pelo demônio.
Assim como tantas outras investigações conduzidas por Ed e Lorraine, esta também foi alvo de comentários céticos, afirmando que a suposta força maligna não passava de uma farsa. O professor Paul Kurtz, presidente do Comitê de Investigação Científica de Alegações Paranormais da Universidade Estadual de Nova York, afirmou à época que os Warren não eram investigadores objetivos, independentes ou imparciais quando foram chamados à casa dos Smurl.

“Eles não tem credenciais nas comunidades científica ou parapsicológica”, Kurtz disse em um artigo da Times Leader, em 28 de agosto de 1986, acrescentando que todo o espetáculo criado pelos Smurl não passava de “uma farsa, uma charada, uma história de fantasmas”.
“Não há explicação para a casa dos Smurl, mas não assumiria simplesmente que seja uma assombração”, ele continuou. “Parece-nos que se fez um grande estardalhaço sobre isso, e nos perguntamos se é como a farsa do terror de Amityville, que foi baseada na imaginação e não em uma assombração real”.
Kurtz acrescentou que as alegações da família provinham possivelmente de ilusões, alucinações ou problemas cerebrais, aconselhando-os a se submeter a tratamentos psicológicos e psiquiátricos. Jack, inclusive, disse a um repórter que passou por uma cirurgia em 1983 para remover água de seu cérebro, visto que passava por problemas de perda de memória de curto-prazo por causa de uma meningite contraída quando criança.
Stephen Kaplan, diretor do Instituto de Parapsicologia da América, em Nova York, respaldou o discurso de Kurtz ao concordar que o evento não passava de uma farsa muito bem orquestrada. Robert Gordon, psicólogo de Allentown, comentou que “as pessoas normalmente olham para a demonologia para explicar várias tensões pelas quais passam como indivíduos e dentro de suas famílias”.

Porta-vozes da Igreja Católica Romana da Diocese de Scranton disseram não ter certeza do que poderia estar causando os distúrbios. O professor de teologia da Universidade St. Bonaventure, Alphonsus Trabold, afirmou que explicações “menos demoníacas” poderiam solucionar o caso. A casa foi abençoada por vários padres que disseram não ter visto “nenhuma atividade prejudicial enquanto estavam na propriedade”. Janet alegou que um padre não identificado realizou três exorcismos sem sucesso e que o demônio evitou os ritos “mudando-se entre a casa de dois blocos” e seguindo a família para outros locais. Em 1986, um padre da diocese local passou duas noites na casa dos Smurl e disse que “nada de anormal aconteceu” durante sua estadia lá.
No mesmo ano, o casal disse à imprensa que estava exausto do constante bombardeio da mídia; entretanto, poucos meses depois da declaração, assinaram um romance de não-ficção ao lado de Ed, Lorraine e do escritor Robert Burran, contando sua versão da história. Intitulado ‘The Haunted’, o livro foi duramente criticado pelos especialistas, com comentários afirmando que a obra era “mal escrita” e “ausente de quaisquer evidências físicas ou empíricas”.
Em 1987, Janet disse a repórteres que, apesar das coisas terem voltado à normalidade, a família ainda ouvia batidas nas portas e via sombras espreitando a casa; Um ano mais tarde, os Smurl se mudaram para Wilkes-Barre e Debra Owens se tornou proprietária do local, dizendo que “nunca encontrou qualquer coisa sobrenatural” enquanto morava lá.
