O Diário da Princesa | Relembrando um dos filmes mais ICÔNICOS de Anne Hathaway

Anne Hathaway já eternizou incontáveis papéis no cinema, desde a espirituosa aspirante à jornalista Andy Sachs na franquia ‘O Diabo Veste Prada’, onde trabalhou ao lado de Meryl Streep e Emily Blunt; a pobre Fantine na adaptação do musical de ‘Os Miseráveis’, que lhe rendeu um merecido Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante; a sedutora Selina Kyle/Mulher-Gato em ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge’, comandado por Christopher Nolan; e, mais recentemente, a poderosa Penélope em mais uma colaboração com Nolan na adaptação do épico ‘A Odisseia’, dividindo os holofotes com nomes como Matt Damon e Tom Holland.

Porém, antes de se transformar em uma das atrizes mais prestigiadas do século, Hathaway fez uma gloriosa estreia em O Diário da Princesa, releitura cinematográfica do romance homônimo de Meg Cabot – imortalizando uma das personagens mais conhecidas da cultura pop e dando o pontapé inicial em uma das filmografias mais aclamadas de todos os tempos. Completando um quarto de século em 2026, o filme ainda trouxe Julie Andrews no elenco protagonista e se tornou um sucesso imediato, arrecadando US$165,3 milhões ao redor do mundo e sagrando-se um clássico cult que é relembrado ou redescoberto por gerações e mais gerações de cinéfilos.

A trama funciona como uma espécie de conto de fadas moderno à la ‘Cinderela’ e é centrada em Mia Thermopolis (Hathaway), uma jovem deslocada que vive em São Francisco ao lado da mãe em uma antiga estação de bombeiro abandonada e que foi remodelada como uma casa. Nada popular entre seus colegas de escola e constantemente alvo das meninas malvadas lideradas por Lana Thomas (Mandy Moore), Mia passa seus dias ao lado da melhor amiga Lilly Moscovitz (Heather Matarazzo), que não se importa com opiniões alheias e não deixa que ninguém a incomode. A vida da garota muda completamente quando ela é contatada por uma parente distante, a Rainha Clarisse Renaldi (Andrews), descobrindo ser herdeira do trono de um pequeno país chamado Genóvia – o que a lança a uma jornada coming-of-age que ninguém poderia imaginar.

À época de seu lançamento, o filme teve recepção mista por parte da crítica especializada, principalmente em relação ao tom e ao ritmo da história, mas logo foi reavaliado com impressões muito mais positivas e se transformou em um dos emblemas das comédias adolescentes ao lado de títulos como ‘10 Coisas que Eu Odeio em Você’ e ‘Meninas Malvadas’, além de se beneficiar de um enredo com uma complexa protagonista que navega por temas sobre família, amizade e identidade de maneira sólida e crível – e que é acompanhada de outras presenças femininas que incluem a avó, a mãe e a melhor amiga.

Mia pode até se render a alguns convencionalismos dos anos 1990 e 2000, mas isso não apaga a marcante jornada a que é arremessada, infundida em uma remodelação da fábula ‘O Patinho Feio’ e ascendendo a um amadurecimento inspirador. A jovem é pincelada com inúmeros tropos da Jornada do Herói, desde o cruzar do limiar quando conhece a avó, que eventualmente se torna sua mentora; o ponto sem retorno, quando é forçada a tomar uma decisão que pode mudar para sempre o futuro de Genóvia e da própria família; e a sua tão aguardada “ressurreição”, que a transforma na melhor versão de si mesma em uma última reviravolta que a sagra a real heroína da história.

Hathaway, dessa maneira, é o nosso fio condutor: aos 18 anos de idade e fazendo uma das estreias mais memoráveis e aplaudíveis na indústria, a atriz logo demonstrou um potencial inegável que, como bem sabemos, seria apenas o início de uma gloriosa carreira. Encarnando cada uma das complexidades da protagonista com um comprometimento certeiro, a atriz desfruta de uma química imaculada com Andrews, cuja carreira foi revivida com o projeto, e com o restante de um elenco que ainda inclui nomes como Héctor Elizondo, Caroline Goodall, Erik Von Detten e Sandra Oh. Mais do que isso, é notável como ela se torna um ícone para outras personagens similares que ganhariam espaço nos anos seguintes.

O filme é dirigido pelo saudoso Garry Marshall, que nos entregou uma das gemas dos anos 1990 com o adorado ‘Uma Linda Mulher’ e repetiu o feito no início da década seguinte com este projeto. Marshall tem um tato significativo para lidar com personagens femininas e, aqui, é acompanhado pelo roteiro de Gina Wendkos para garantir que as familiares convenções do gênero sejam pinceladas com uma originalidade interessante e que não tenta dar um passo maior que consegue – cumprindo com o que promete do começo ao fim e que inclusive teve continuidade com O Diário da Princesa 2: Casamento Real’.

Lançado vinte e cinco anos atrás, O Diário da Princesa permanece como um dos filmes mais honestos do século e, movido pelo talento nato de um elenco estelar e de um competente time por trás das câmeras, nos encanta do começo ao fim com uma narrativa que não perde a mão em momento algum e que, em última instância, nos mostra que a vida, muitas vezes, é uma caixinha de surpresas.

Lembrando que o filme está disponível no Disney+.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.