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‘O Mundo Perdido: Jurassic Park’ (1997) – Revisitando a continuação mais desnecessária do cinema, mas que rendeu uma das maiores franquias


Jurassic World: Recomeço’, o sétimo filme de uma das maiores franquias do cinema, estreia mundialmente neste primeiro fim de semana de julho (no Brasil hoje), aquecendo os motores para o que promete ser o mês mais movimentado do ano para as grandes produções. Estrelado pela duas vezes indicada ao Oscar Scarlett Johansson e pelo duas vezes vencedor do Oscar Mahershala Ali, o longa promete ser o reinício de uma nova saga jurássica nas telonas – e oferece para toda uma nova audiência a maravilha de ter dinossauros realistas nas telonas.

E quando falamos em dinossauros realistas precisamos voltar ao filme onde tudo começou: o ‘Jurassic Park’ original, de 1993. Nada jamais poderá ser comparado ao que foi ter pela primeira vez os dinossauros “vivos” de novo no cinema. Um verdadeiro divisor de águas, que só quem estava vivo na época pôde experienciar. Para irmos aquecendo os motores para o novo ‘Jurassic World’, continuaremos com nossa série de matérias revisitando todos os filmes da saga. Confira agora a primeira sequência de ‘Jurassic Park‘, que chegou quarto anos depois, com ‘O Mundo Perdido: Jurassic Park‘ (1997).



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A ideia para O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997) surgiu logo após o enorme sucesso do primeiro filme, dirigido por Steven Spielberg e baseado no livro de Michael Crichton. Spielberg e os produtores queriam continuar explorando o fascinante universo dos dinossauros ressuscitados, aproveitando o impacto revolucionário dos efeitos visuais e animatrônicos que haviam encantado o público.

Michael Crichton, autor do romance original, já havia escrito uma sequência para seu livro — The Lost World (1995) — que serviu de base para o roteiro do segundo filme. O enredo foi expandido para mostrar um segundo parque, em uma ilha diferente, onde os dinossauros vivem soltos, criando uma atmosfera mais selvagem e perigosa. Spielberg buscava um tom mais intenso e aventureiro, explorando temas como o risco da intervenção humana na natureza e as consequências imprevisíveis da ciência.

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Além disso, o sucesso comercial do primeiro filme e o avanço tecnológico em efeitos especiais e CGI permitiram aos criadores imaginar cenas ainda mais grandiosas e emocionantes, justificando a continuação da franquia. Assim, O Mundo Perdido: Jurassic Park nasceu da combinação entre a vontade de dar continuidade à história, o material literário da sequência original e a ambição de elevar o espetáculo visual para novos patamares.

O Mundo Perdido: Jurassic Park‘ (1997) é a sequência direta de ‘Jurassic Park‘ e se passa quatro anos após os eventos do primeiro filme. A trama revela que a InGen, empresa responsável pelos experimentos genéticos, criou os dinossauros em uma segunda ilha, a Isla Sorna, onde os animais vivem soltos, sem cercas ou supervisão humana. John Hammond, agora afastado do controle da InGen, convoca o matemático Ian Malcolm para liderar uma expedição de pesquisa com o objetivo de documentar os dinossauros e proteger o ecossistema da exploração comercial.

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Malcolm, inicialmente relutante, aceita a missão ao descobrir que sua namorada, Sarah Harding, já está na ilha como parte da equipe de campo. A situação se agrava com a chegada de um segundo grupo, liderado por caçadores mercenários contratados pelo novo chefe da InGen, Peter Ludlow, que planeja capturar dinossauros para exibição em um parque temático em San Diego. O conflito entre os cientistas e os caçadores gera uma série de confrontos emocionantes com várias espécies de dinossauros, incluindo os temidos Velociraptores e um casal de Tiranossauros Rex, que protagonizam algumas das cenas mais memoráveis do filme.

O ápice do filme, no terceiro ato, mostra um dos Tiranossauros, que é levado para os Estados Unidos, causando caos ao escapar no centro de San Diego durante a noite, em uma sequência inspirada nos clássicos filmes de monstros. Ian e Sarah precisam correr contra o tempo para capturar o animal e devolvê-lo à ilha antes que a situação saia totalmente do controle. ‘O Mundo Perdido termina com Hammond fazendo um apelo público pela preservação da Isla Sorna, destacando que a natureza deve seguir seu curso sem mais intervenções humanas.

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Uma das primeiras propostas de roteiro envolvia os personagens voltando à Isla Nublar (ilha do primeiro filme), para explorar os destroços do antigo parque, com dinossauros agora soltos e mais selvagens. A trama envolveria equipes diferentes explorando os laboratórios abandonados e tentando resgatar material genético antes que os dinossauros destruíssem tudo.

Outra ideia descartada previa que, logo no início da trama, alguns dinossauros já estariam soltos em território continental (na Costa Oeste dos EUA), com a história mostrando uma caçada urbana desde o começo, não apenas no final. Spielberg gostou desse conceito, mas optou por usá-lo apenas no terceiro ato (com o T-Rex em San Diego).

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Havia também um esboço centrado em crianças presas na ilha, sobrevivendo sozinhas aos ataques dos dinossauros. Spielberg considerou a ideia porque queria manter um apelo para o público mais jovem, mas acabou preferindo incluir a personagem Kelly, filha de Malcolm, como a representante juvenil do elenco – e utilizando parte dessa narrativa para o terceiro filme apenas.

Outra versão inicial explorava uma guerra de bastidores entre corporações rivais tentando roubar o segredo da clonagem genética da InGen. Esse conceito mais conspiratório acabou sendo deixado de lado, mas alguns elementos desse tipo só foram reaproveitados em filmes posteriores da franquia.

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Spielberg também queria ampliar a escala dos dinossauros e chegou a considerar uma sequência focada em uma caçada prolongada com múltiplos Tiranossauros Rex, incluindo perseguições de longo alcance, o que inspirou as cenas do casal de T-Rex no filme final.

No fim, Spielberg optou por uma combinação de elementos do livro de Crichton com algumas dessas ideias iniciais, focando na exploração de uma nova ilha (Isla Sorna), com mais dinossauros, caçadores humanos e o grande clímax urbano com o T-Rex em San Diego.

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Em ‘O Mundo Perdido: Jurassic Park(1997), vários dinossauros fizeram sua estreia nas telas da franquia, aparecendo pela primeira vez, já que haviam ficado de fora do filme original de 1993. Entre os principais estão o Estegossauro, uma das adições mais marcantes, ele aparece em uma das primeiras cenas, quando Sarah Harding observa um grupo com filhotes. Foi um dos dinossauros mais pedidos pelos fãs após o primeiro filme.

O Pachycephalosaurus é conhecido por sua cabeça em formato de cúpula óssea, esse dinossauro protagoniza uma cena de ataque contra os caçadores da InGen, usando sua força para derrubar veículos. O Compsognathus, ou Compy, são pequenos e aparentemente inofensivos, esses dinossauros aparecem em grupo e atacam de forma coordenada. Têm destaque em cenas de suspense, inclusive na abertura do filme. O Mamenchisaurus é um dinossauro de pescoço extremamente longo, que aparece brevemente em uma cena de observação na ilha, impressionando os personagens por seu tamanho. E o Parasaurolophus, que embora tivesse sido apenas mencionado visualmente no primeiro filme em uma cena distante, só em ‘O Mundo Perdido ele tem participação mais evidente, sendo capturado pelos caçadores. Esses dinossauros ajudaram a ampliar a diversidade de espécies no universo da franquia, oferecendo novas possibilidades de ação e suspense para a sequência.

A principal diferença entre ‘Jurassic Park e ‘O Mundo Perdido: Jurassic Park está no tom e na ambientação. Enquanto o primeiro filme tem uma estrutura mais contida, com suspense e clima de descoberta dentro de um parque controlado, o segundo é mais focado na ação, com um cenário de floresta selvagem na Isla Sorna, onde os dinossauros vivem livres. O primeiro destaca o terror da tecnologia descontrolada, enquanto o segundo aborda a exploração e caça predatória dos animais. Além disso, o primeiro tem um elenco mais científico e familiar, enquanto o segundo inclui caçadores e mercenários. Por fim, o segundo filme tem um terceiro ato urbano, com o T-Rex invadindo San Diego, algo ausente no original.

A mudança de elenco em ‘O Mundo Perdido: Jurassic Park refletiu a nova direção que Steven Spielberg quis dar à sequência. Dos personagens principais do primeiro filme, apenas Ian Malcolm (Jeff Goldblum) retornou com papel de destaque, enquanto os protagonistas anteriores, como Alan Grant (Sam Neill) e Ellie Sattler (Laura Dern), ficaram de fora. Spielberg queria focar mais em Malcolm e explorar o personagem além de seu papel cômico anterior. Para contracenar com ele, foi criada a personagem Sarah Harding, uma paleontóloga comportamental.

Para o papel de Sarah, várias atrizes foram consideradas. Entre os nomes cogitados estiveram Juliette Binoche, que recusou para fazer ‘O Paciente Inglês, e Helen Hunt, que estava em alta após o sucesso de ‘Twister‘ (1996). Spielberg também chegou a considerar atrizes como Jodie Foster e Gillian Anderson, mas acabou escolhendo Julianne Moore, que vinha se destacando em filmes independentes. Moore trouxe à personagem uma combinação de força, inteligência e vulnerabilidade, ajudando a criar uma figura feminina mais ativa e aventureira em meio ao caos dos dinossauros.

Na época de seu lançamento em maio de 1997, ‘O Mundo Perdido: Jurassic Park recebeu uma recepção crítica mista, com opiniões divididas. Muitos elogiaram os efeitos visuais avançados, a ação intensa e as sequências grandiosas com os dinossauros, destacando principalmente o realismo das criaturas e a tensão das cenas na floresta. No entanto, a maioria dos críticos considerou que o filme não tinha o mesmo frescor, magia e senso de descoberta do original de 1993.

O tom mais sombrio e violento, aliado a um roteiro considerado menos coeso e com personagens menos carismáticos, gerou críticas sobre o desenvolvimento da história e o excesso de ação em detrimento da narrativa. O terceiro ato, com o T-Rex solto em San Diego, também foi alvo de opiniões divergentes: alguns o viram como um divertido tributo aos filmes de monstros clássicos, enquanto outros o acharam deslocado e exagerado. No geral, a crítica reconheceu o apuro técnico, mas apontou o filme como uma continuação inferior ao clássico original.

O Mundo Perdido: Jurassic Park estreou nos Estados Unidos em 23 de maio de 1997, com uma abertura histórica de US$ 72,1 milhões, quebrando o recorde de maior estreia da época. O filme liderou com ampla vantagem o ranking de bilheteria, superando produções ainda em cartaz como ‘O Quinto Elemento e ‘Volcano: A Fúria, e ofuscando a estreia de ‘A Lente do Amor, comédia romântica com Meg Ryan. No total, o filme arrecadou cerca de US$ 618 milhões mundialmente, consolidando-se como uma das maiores bilheterias de 1997, atrás apenas de fenômenos como ‘Titanic.

O Mundo Perdido: Jurassic Park ficou marcado por sua importância como uma das primeiras grandes sequências de um blockbuster da era moderna dos efeitos visuais digitais. Embora não tenha alcançado o mesmo prestígio crítico do original, o filme consolidou a franquia ‘Jurassic Park como uma marca de sucesso global, abrindo caminho para novas continuações e produtos licenciados. A sequência trouxe inovações técnicas em CGI e animatrônicos, com destaque para as cenas de ação mais ousadas e para a emblemática sequência do T-Rex em San Diego, que virou referência em filmes de monstros urbanos. Outra cena de destaque ocorreu com o ataque ao trailer, que fica pendurado no penhasco, e o momento que o precede com os vidros rachando.

Além disso, o filme ajudou a estabelecer Jeff Goldblum como um ícone pop, tornando Ian Malcolm um dos personagens mais lembrados da série. A produção também reforçou o debate sobre os limites da intervenção humana na natureza, um tema que continuaria sendo explorado nos filmes seguintes da franquia. Mesmo com suas críticas, ‘O Mundo Perdido mantém até hoje uma base sólida de fãs e é frequentemente reassistido por sua ação intensa e pelo aumento da escala de perigo que trouxe para o universo dos dinossauros no cinema.

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