quarta-feira, janeiro 14, 2026

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A essa altura todos os cinéfilos deveriam saber quem é Brit Marling. Um dos mais interessantes novos nomes do cinema americano, a talentosa jovem atriz, produtora, roteirista e diretora de 31 anos de idade começou a carreira só em meados da década passada. No entanto, foi o suficiente para deixar sua marca como uma das figuras mais proeminentes do cinema americano independente. Marling possui poucos trabalhos, mas bons o suficiente para chamarem a atenção.  Dois em especial alavancaram sua carreira. Escritos, produzidos e protagonizados por ela, A Outra Terra (2011) e Sound of My Voice (2012) receberam elogios da imprensa especializada, e foram sucesso em festivais. Só A Outra Terra (um de meus filmes preferidos daquele ano) chegou ao Brasil, por enquanto.

Hoje, Marling dá passos mais ambiciosos, e deixa a carreira evoluir. Ainda em 2012 assumiu o papel apenas de atriz em produções de prestígio. Foi a filha de Richard Gere no elogiado A Negociação, um dos melhores suspenses dos últimos anos. E em Sem Proteção, atuou ao lado de um grande elenco comandado pelo veterano Robert Redford. Agora, Marling se reúne ao diretor Zal Batmanglij (Sound of My Voice) para contar a história do grupo anarquista conhecido como “The East”. Com roteiro assinado pela própria atriz, ao lado do diretor, a trama se baseia nas operações de um grupo de ecoterroristas. Um dos pontos interessantes do filme é apresentar de forma honesta o suficiente, a forma como tais pessoas vivem, desapegadas da maioria dos conceitos de cidadãos comuns. Além disso, seus ideais e filosofias são fortes elementos aqui.



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Marling vive uma agente especial, funcionária de uma empresa privada, cuja missão é se infiltrar no grupo para frustrar seus ataques. Para isso, a decidida personagem (com toques do idealismo de Clarice Starling, outra grande feminista do gênero) precisa passar por um verdadeiro teste físico e psicológico. Nem mesmo seu companheiro sabe de toda a verdade sobre seu emprego. Seu único elo é sua superiora, interpretada por Patricia Clarkson (Ilha do Medo). Outros nomes de destaque na obra são os de Alexander Skarsgard (da série True Blood) e Ellen Page (Juno), eles vivem respectivamente Benji e Izzi, os cabeças do grupo. Os extremistas acreditam em ações diretas contra todos os grandes empresários que gananciosamente colaboram com a destruição imediata do planeta.

Dentre suas principais missões contam ataques contra empresas farmacêuticas cujos medicamentos causam grandes danos cerebrais, e a uma fábrica que despeja seu lixo tóxico num lago. O Sistema é o tipo de filme interessante e relevante que teria sido feito na década de 1970, mas que funciona igualmente hoje. Recentemente temos visto algumas obras com o tema, que variam desde o citado projeto chamativo de Robert RedfordSem Proteção, até o independente e despercebido Night Moves, estrelado por Jesse Eisenberg e Dakota Fanning. Talvez seja a forma de Hollywood se mostrar solícita e reconhecer o problema.

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O núcleo de O Sistema é a personagem de Marling, e como ela lida com sua vida dupla, uma vez conhecendo de perto seus “inimigos” e com eles criando grandes laços de afeto e confiança. A personagem passa a compreender as diferentes percepções, e inclusive as motivações. A obra não é crua o suficiente em seu desfecho, e acaba apelando ao politicamente correto. Mas não deixa de ter um resultado positivo.

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Pablo R. Bazarello
Crítico, cinéfilo dos anos 80, membro da ACCRJ, natural do Rio de Janeiro. Apaixonado por cinema e tudo relacionado aos anos 80 e 90. Cinema é a maior diversão. A arte é o que faz a vida valer a pena. 15 anos na estrada do CinePOP e contando...
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