O Oscar 2026 marcou o fim da temporada de premiações do cinema – e, como é de costume aqui no CinePOP, está na hora de recordarmos os grandes títulos que passaram pela quase centenária cerimônia.
Neste último domingo (15), o Brasil esteve indicado a nada menos que cinco categorias, quatro delas pelo aclamado thriller ‘O Agente Secreto’. Porém, apesar do favoritismo para levar para casa a estatueta de Melhor Filme Internacional, a Noruega faturou o prêmio por ‘Valor Sentimental’. De qualquer forma, o nosso país já fez história no ano passado ao conquistar a condecoração pelo ovacionado drama ‘Ainda Estou Aqui’, estrelado por Fernanda Torres, e que se tornou um dos grandes vencedores da categoria.
Pensando nisso, preparamos uma breve lista elencando os dez maiores vencedores de Melhor Filme Internacional no Oscar (e que era conhecido como Melhor Filme Estrangeiro algumas edições atrás).
Confira abaixo as nossas escolhas e conte para nós qual o seu favorito:
10. DRIVE MY CAR (2021)

Direção: Ryusuke Hamaguchi
Adaptado de um conto de Haruki Murakami, ‘Drive My Car’ é um marco inegável na carreira de Ryusuke Hamaguchi e inclusive no cinema japonês. A trama segue duas pessoas solitárias que acham coragem para enfrentar o seu passado. Yusuke Kafuku (Hidetoshi Nishijima) é um ator e diretor de sucesso no teatro, casado com Oto (Reika Kirishima), uma linda roteirista com muitos segredos, e com que divide sua vida, seu passado e colaboração artística. Quando Oto morre repentinamente, Kafuku é deixado com muitas perguntas sem respostas de seu relacionamento com ela e arrependimento de nunca conseguir compreendê-la.
9. A SEPARAÇÃO (2011)

Direção: Asghar Farhadi
O drama iraniano ‘A Separação’, de Asghar Farhadi, fez história ao ser o primeiro longa do país a conquistar o Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim – e não apenas venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional, como foi indicado a Melhor Roteiro Original. A trama é centrada no conflito de um casal que se separa quando a esposa deseja deixar o Irã em busca de um futuro melhor, enquanto o marido decide ficar para cuidar do pai com Alzheimer – dando início a uma exploração antropológica que fala sobre orgulho, sacrifício, desigualdade social e fé.
8. TUDO SOBRE MINHA MÃE (1999)

Direção: Pedro Almodóvar
É quase impossível encontrarmos algum projeto encabeçado por Pedro Almodóvar que não tenha se tornado favorito da crítica e do público – e, em meio a inúmeras incursões dramáticas e cômicas, ‘Tudo Sobre Minha Mãe’ desponta como uma das melhores do realizador. Estrelado por Cecilia Roth, Marisa Paredes, Penélope Cruz e outros, a intrincada trama explora temas densos como AIDS, identidade de gênero, homossexualidade, fé existencialismo ao colocar os holofotes sobre um grupo de estudantes de medicina.
7. AINDA ESTOU AQUI (2024)

Direção: Walter Salles
Mesmo em meados da década de 2020, há pessoas que se rendem ao vira-latismo cultural ao acreditar que o Brasil não produz filmes bons. Walter Salles veio para provar novamente que isso não é verdade ao encabeçar o visceral e impactante drama ‘Ainda Estou Aqui’. Ambientado no obscuro período da Ditadura Militar, o longa funciona como um retrato cru de um dos momentos mais duros da história nacional – e, além de contar com uma soberba produção técnica e artística, é encabeçado por uma performance arrebatadora de Fernanda Torres, que se reitera como uma das melhores atrizes de todos os tempos.
6. ROMA (2018)

Direção: Alfonso Cuarón
Depois de ter comandado títulos como ‘Filhos da Esperança’, ‘Gravidade’ e até mesmo o blockbuster ‘Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban’, Alfonso Cuarón voltou a reafirmar seu status como um dos grandes realizadores da atualidade com o potente drama ‘Roma’. Lançado em 2018, o tocante e honesto longa-metragem é centrado na jovem Cleo (Yalitza Aparicio, que conquistou uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel), uma empregada que ajuda a família para a qual trabalha a cuidar de seus quatro filhos na Cidade do México dos anos 1970. As complicações logo surgem quando o patriarca de repente foge com sua amante e Cleo descobre que está grávida.
5. PARASITA (2019)

Direção: Bong Joon-ho
O suspense cômico ‘Parasita’, lançado em 2019 causou enorme alvoroço não apenas no cenário asiático, como também no mercado norte-americano, garantindo uma recepção favorável e universal por todos que o conferiram nas telonas. Através de uma narrativa extremamente ácida e que deixou certas sutilezas de lado para escancarar as problemáticas do abismo social e do capitalismo predatório, Bong Joon-ho deu vida à sua magnum opus de forma a levar para casa nada menos que quatro estatuetas do Oscar – incluindo Melhor Filme.
4. 8 ½ (1963)

Direção: Federico Fellini
Em 1963, Federico Fellini explorou as próprias pulsões vanguardistas com a dramédia metaficcional ‘8 ½’, filme considerado a magnum opus do cineasta e uma das incursões mais influentes de todos os tempos. Contando com Marcello Mastroianni, Claudia Cardinale e um elenco estelar, a narrativa é centrada na vida do famoso diretor italiano Guido Anselmi, que enfrenta um duro bloqueio criativo à medida que tenta comandar um longa de ficção científica épico. O projeto, inclusive, inspirou o elogiado musical da Broadway, ‘Nine’, e a adaptação de mesmo nome de Rob Marshall.
3. FANNY E ALEXANDER (1982)

Direção: Ingmar Bergman
‘Fanny e Alexander’, épico drama de época comandado por Ingmar Bergman, é apenas mais um lembrete do impacto que o diretor e roteirista sueco causou e continua causando na sétima arte. Estendendo seu legado mesmo mais de quatro décadas depois de seu lançamento nos cinemas, o longa é centrado em dois irmãos e sua vasta família que moram em Uppsala, na Suécia, durante a primeira metade do século XX. Apoiando-se em uma construção semibiográfica, Bergman explorou temas como magia e realismo, conflitos familiares e religião em um irretocável tour-de-force cinematográfico.
2. O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA (1972)

Direção: Luis Buñuel
Luis Buñuel não é considerado um dos cineastas mais influentes de todos os tempos por qualquer motivo: ao longo de sua carreira, ele ousou experimentar das mais diversas formas com suas obras-primas, imbuindo-as de um apreço inefável pelo surrealismo. E, em meio a tantos títulos aclamados, ‘O Discreto Charme da Burguesia’ desponta como uma gloriosa exploração artística que adentra o mundo onírico e a proposital falta de lógica através de uma deliciosa sátira cômica.
1. RASHOMON (1950)

Direção: Akira Kurosawa
Japão, século XI. Durante uma tempestade, um lenhador, um sacerdote e um camponês procuram abrigo nas ruínas de um portão histórico em Rashomon. Lá, o sacerdote conta o crime envolvendo o estupro de uma mulher e o assassinato do marido dela. O polêmico filme foi dirigido pelo lendário Akira Kurosawa, levando para casa a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro em 1952 e se tornando uma produção indispensável para os apreciadores do suprassumo do cinema – e que deu origem a uma conhecida técnica estilística chamada de Efeito Rashomon.

