InícioMatériasOs 10 Melhores Filmes LGBTQIA+ da Década (Até Agora)

Os 10 Melhores Filmes LGBTQIA+ da Década (Até Agora)


Como bem sabemos, o cinema não apenas é um antro do mais puro entretenimento para os espectadores, como um importante veículo para explorar temas de imprescindível necessidade de discussão.

Um desses temas refere-se à multiplicidade e à contínua marginalização da comunidade LGTBQIA+, cuja representatividade no circuito cinematográfico ainda está em fases de aprimoramento, considerando a represália promovida por grupos extremistas de direita e conservadores que criam histórias falsas para desmoralizar a luta desse grupo social.

E, considerando a plataforma que a sétima arte apresenta para diretores, roteiristas, atores, produtores e tantos mais, não é surpresa que, nos últimos anos, produções incríveis focadas nas pessoas LGBTQIA+ tenham nos conquistado.



Pensando nisso, preparamos uma breve lista elencando os dez melhores longas-metragens queer da década (até agora).

Confira abaixo as nossas escolhas:

10. MAIS QUE AMIGOS (2022)

Mais que amigos

Dirigido por Nicholas Stoller, que não é nenhum estranho às rom-coms, e contando com o roteiro de Billy Eichner e Stoller, o longa-metragem desmistifica os estereótipos encontrados em filmes similares ao trazer para o centro dos holofotes um homem gay chamado Bobby (que também é interpretado por Eichner), que beira os quarenta anos e praticamente desistiu do amor.

Logo no começo da história, é notável como Bobby talvez tenha percebido que não nasceu para ficar com alguém em uma relação duradoura – e ele nem sequer procura por isso. Afinal, sua carreira de sucesso fala por conta própria, considerando que ele é diretor do vindouro museu LGBTQIA+ de Nova York, além de comandar um podcast que abarca discussões queer e fala com abertura invejável sobre o que bem quiser (indesculpável e descaradamente).

9. ALGUÉM AVISA? (2021)

Alguém avisa

Quando pensamos em comédias natalinas, é difícil se esquivar de óbvios convencionalismos e não deixar a narrativa se render a clichês do gênero. Porém, em 2021, a diretora Clea Duvall resolveu remodelas essas incursões bastante conhecidas com o honesto e divertido Alguém Avisa?’, que conquistou nossos corações e trouxe o talento de Mackenzie DavisKristen Stewart e vários outros ao centro dos holofotes.

Na trama, conhecer a família da sua namorada pode ser difícil. Planejar pedir a mão dela em casamento durante o jantar anual de Natal da família – até você descobrir que eles nem sabem que ela é lésbica – é mais difícil ainda. Quando Abby (Stewart) descobre que Harper (Davis) vem escondendo o relacionamento das duas de sua família, ela começa a questionar a namorada que pensava conhecer.

8. EILEEN (2023)

Critica de eileen anne hathaway centra la atencion en un inquietante thriller queer

Eileen parece que não teve a popularidade merecida quando lançado nos cinemas em 2023 – mas não ficaria de fora da nossa lista. O thriller psicológico comandado por William Oldroyd é uma poderosa análise psicossocial guiada pelas irretocáveis performances de Anne HathawayThomasin McKenzie. A dupla de estrelas brilha em cena e nos convida a uma reflexão sobre a complexidade das relações humanas e que nos arremessa de volta no tempo com uma densa narrativa.

A produção nos leva para 1964, em Massachusetts e acompanha a personagem titular, uma jovem solitária que trabalha em um centro de detenção juvenil, e sua fascinação pela nova psicóloga da instituição, Rebecca. A relação entre as duas toma um rumo sinistro quando Rebecca revela um segredo obscuro, levando Eileen a um caminho inesperado – e as arremessando em um vórtice de reviravoltas.

7. EVERY BODY (2023)

Every body

Conquistando 97% de aprovação no Rotten Tomatoes, o documentário dirigido por Julie Cohen emergiu como mais um passo adiante na representatividade LGTBQIA+ no escopo cinematográfico – e, infelizmente, ainda não tem o reconhecimento que merece.

A produção, que merece nossa total atenção para compreender a pluralidade de gêneros e orientações sexuais ao redor do planeta, é centrada em três indivíduos que superaram a vergonha, o sigilo e a cirurgia não autorizada durante a infância para desfrutar de uma vida adulta bem-sucedida, escolhendo ignorar os conselhos médicos para esconder seus corpos e assumir quem realmente eram.

6. THE BOYS IN THE BAND (2020)

The boys in the band review dance 1

Escrita por Matt Crowley e estreando na off-Broadway em 1968 antes de migrar para os palcos oficiais nada menos que cinquenta anos mais tarde pelas mãos de Joe Mantello, The Boys in the Bandchocou o público da época ao trazer para os holofotes questões consideradas como tabu àquela época, principalmente sobre seu puro e pungente retrato da comunidade LGBTQ+ no cenário nova-iorquino. Mais do que isso, a peça serviu de inspiração para as rebeliões de Stonewall um ano mais tarde, além de servir de base para o movimento pelos direitos da comunidade queer.

A premissa é bastante simples e nutre de semelhanças com outras adaptações teatrais, como Deus da Carnificina’: enquanto é bem provável que Yasmina Reza tenha pegado alguns elementos de The Boys in the Band para construir seu drama familiar, a releitura fílmica é centrada em um grupo de gays que se reúne para comemorar o aniversário de um deles. Jim Parsons, tomando as rédeas desse enredo como o passivo-agressivo Michael, é o anfitrião e deseja que tudo saia da forma planejada, dentro de um restrito horário e conduzida dentro de um opressor universo.

5. TODOS NÓS DESCONHECIDOS (2024)

Todos nós desconhecidos

Todos Nós Desconhecidos acompanha Adam, um homem que tem um encontro casual com seu misterioso vizinho Harry – e que acaba abalando o ritmo de sua vida cotidiana. À medida que Adam e Harry se aproximam, Adam é levado de volta à casa de sua infância, onde descobre que seus pais falecidos estão vivos e parecem ter a mesma idade do dia em que morreram (há mais de três décadas).

O potente drama fantástico LGBTQIA+ comandado por Andrew Haigh é tocante em cada uma de suas engrenagens, inspirando-se no romance Taichi Yamada para elaborar uma intrincada e profunda análise mnemônica do que significa estar vivo – além de trazer performances impecáveis de Andrew Scott e Paul Mescal.

4. HOMEM COM H (2025)

Homem com h 1

A cinebiografia de Ney MatogrossoHomem com H, serviu como lembrete não apenas do impacto de um dos artistas mais únicos e irreverentes da história do Brasil, mas do poder das histórias que eternizamos no nosso cenário audiovisual. Aqui, Jesuíta Barbosa faz um trabalho irretocável ao encarnar os trejeitos, as expressões e o modo de enxergar  vida de um artista que quebrou tabus de gênero e nunca teve medo de enfrentar obstáculos – e que imortalizou uma estética andrógina que seria abraçada por incontáveis performers contemporâneos.

Comandado por Esmir Filho, o longa é uma grata surpresa que faz jus ao legado e à arte de Matogrosso – contando com atuações irretocáveis e um comprometimento estético e criativo que deixa nossos olhos mareados mesmo depois dos créditos de encerramento subirem à tela.

3. FIRE ISLAND: ORGULHO & SEDUÇÃO (2022)

Fire island '

O aspecto mais emblemático de ‘Fire Island’, releitura do clássico ‘Orgulho e Preconceito’, é sua concisão e o fato de ser destinado a um público específico, a comunidade queer. É nesse universo exuberante que o diretor Andrew Ahn arquiteta uma singela e hilária aventura em uma ilha conhecida como Fire Island – uma espécie de refúgio que, como anunciado logo nas primeiras cenas, funciona como uma “Disneyland gay”.

Aqui, o comediante Joel Kim Booster, que também empresta suas habilidades para o exímio e coeso roteiro, interpreta Noah, um jovem rapaz despreocupado com assuntos do coração e que carrega um mote bastante específico de estar livre para se relacionar com quem quiser e sempre permanecer ao lado de sua família.

2. BABY (2024)

Dois homens conversando na cama, ambiente intimista

Baby, dirigido por Marcelo Caetano, fez sua estreia oficial no Festival de Cannes e, em pouco tempo, conquistou o público e a crítica – e não é por menos: através de uma dramática narrativa recheada de inesperados eventos e de uma preocupação estética que reflete as pulsões íntimas do ser humano em contraste com o urbanismo predatório de uma das maiores cidades do mundo, o longa conta com interpretações fabulosas de João Pedro MarianoRicardo Teodoro em um coming-of-age mandatório de tirar o fôlego.

Na trama, Wellington sai de um centro de detenção juvenil e se vê sem rumo nas ruas de São Paulo, sem contato com seus pais e recursos para reconstruir sua vida. Durante uma visita a um cinema pornô, ele encontra Ronaldo, um homem mais velho, que ensina ao rapaz novas formas de sobrevivência. Gradualmente, o relacionamento dos dois se transforma em uma paixão conflituosa, oscilando entre exploração e proteção, ciúmes e cumplicidade.

1. BLUE JEAN (2023)

Blue jean

É muito provável que o potente drama Blue Jean não tenha passado por seu radar; entretanto, em um período em que a história se repete e que governos extremistas ao redor do mundo voltam a atacar os direitos da comunidade LGBTQIA+, o filme reitera sua importância ao dar vida a uma história competente e envolvente que se beneficia da incrível atuação de Rosy McEwen.

Aqui, a diretora e roteirista Georgia Oakley nos convida a conhecer Jean, uma jovem professora de educação física que esconde quem realmente é em seu ambiente de trabalho e em meio à represália contra a comunidade queer promovida pelo parlamento inglês. Porém, ela se vê ameaçada pela presença de uma aluna que cruza com ela em um bar gay. Temendo por seu futuro profissional e pela própria integridade, Jean não sabe o que fazer e não tem forças para lutar contra um opressor sistema que deseja apagá-la da história, levando-a a enfrentar o que ela, de fato, quer para sua vida.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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