Ennio Morricone é um dos nomes mais conhecidos da indústria do entretenimento e, infelizmente, morreu na manhã de hoje, 06 de junho, devido a complicações de um fêmur quebrado.

Dando adeus ao mundo dos mortais com longos e vultuosos 91 anos, Morricone ficou responsável pela trilha sonora de nada menos que 500 produções, sendo indicado ao Oscar seis vezes e levando uma delas para casa em suas últimas incursões cinematográficas – além de um prêmio honorário por seu extenso e imortal legado.

Em homenagem a uma das lendas da música, o CinePOP preparou uma singela com dez de suas melhores obras.

Confira abaixo as nossas escolhas e conte qual a sua favorita:

POR UM PUNHADO DE DÓLARES (1964)

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Os aficionados por cinema viram o inescrutável “homem sem nome” de Clint Eastwood pela primeira vez no aclamado e lendário western de Sergio Leone. Para um novo tipo de anti-herói, um que se nutriria dos clássicos da literatura com algumas reviravoltas mais apimentadas, Morricone se divertiu ao brincar com uma receita formada por violões espanhóis, sinos e apitos diversos – catapultando o artista em uma fama astronômica.

ERA UMA VEZ NO OESTE (1968)

Em seus anos mais prolíficos, Morricone estava a todo vapor em colaborações com outro conhecido nome da esfera audiovisual, Leone. Um desses trabalhos deu origem a Era Uma Vez no Oeste, aclamado longa-metragem que só poderia ser acompanhada OST tão icônica e memorável quanto: movida pela sensualidade das cordas e pela voz de Edda Dell’Orso, o álbum vendeu mais de 10 milhões de cópias e mantém sua estrutura viva até os dias de hoje.

MADDALENA (1971)

Se alguém acreditava que Morricone não poderia ser mais prolífico que seus primeiros anos de carreira, estava enganado: a década de 1970 foi guiada não apenas pela ascensão do disco e do dance, mas também por trilhas arrepiantes e catárticas do musicista. Uma delas foi Maddalena, cuja história gira em torno de uma mulher que procura por amor e acaba se apaixonando por um padre – e, para essa épica e controversa relação, nada melhor que uma eloquente overture de nove minutos acidamente pungentes.

REVOLVER (1973)

Fazendo parte de seus trabalhos menos conhecidos – mas que merecem maior visibilidade, principalmente agora -, a música do subestimado Revolver foi revisitada por ninguém menos que Quentin Tarantino em Bastardos Inglórios. Com nuances que se aproximam das composições clássicas de Vivaldi e trompetes e cordas ressonantes que acompanham os personagens e o público durante todo o longa-metragem, esse é uma das grandes homenagens de Morricone à sua essência e às suas raízes.

A GAIOLA DAS LOUCAS (1978)

O escandaloso filme franco-italiano dirigido por Édouard Molinaro quebrou diversos paradigmas ao trazer para as telonas discussões sobre gênero e expressão artística para além da heteronormatividade. E é claro que Morricone aceitaria fazer parte do projeto, criando uma icônica e divertida trilha sonora que, ainda que não seja o prato favorito das novas gerações, não deve ser apagada – principalmente quando tempos uma caprichosa e fabulesca amálgama de saxofones, xilofones e um estonteante piano.

ERA UMA VEZ NA AMÉRICA (1984)

Desde de “Childhood Memories” até “Deborah’s Theme”, a trilha sonora de Era Uma Vez na América é uma das mais conhecidas da história do cinema – e talvez uma das principais que reafirme a importância e a mística instrumental de Morricone. Utilizando elementos inesperados, como o clarinete e a flauta unidos a poderosos e obscuros sintetizadores – tudo corroborando para uma das rendições mais impecáveis de Leone.

OS INTOCÁVEIS (1987)

Morricone e o diretor Brian De Palma se entenderam logo de cara e essa nova parceria deu vida a algumas joias irretocáveis da esfera do entretenimento. E, antes de ‘Pecados de Guerra’, a dupla trabalhou em Os Intocáveis – rendendo uma indicação ao musicista e uma estatueta de Melhor Ator Coadjuvante para Sean Connery. Já fazia algum tempo que Morricone mergulhava de cabeça em construções mais lentas em comparação as de décadas anteriores e, aqui, ele investiu em arquiteturas dialógicas e intrínsecas entre imagem e som – como os trompetes em crescendo se aliando à performance de Robert De Niro.

CINEMA PARADISO (1988)

Um ano depois de ter sido convidado para integrar a carreira de De Palma, Morricone compôs sua primeira OST para Giuseppe Tornatore com Cinema Paradiso. Assim como a narrativa e os diálogos, as metafóricas e suaves inflexões instrumentais entram como reflexo de uma ambição sem fim de conseguir poder dentro do cinema – uma análise metalinguística que beira o antropológico e que, no final das contas, nos deixa sem chão e sem reação.

MALÈNA (2000)

‘Malèna’ foi a quinta indicação ao Oscar de Morricone (e a última por quase duas décadas). Já tendo calcado sua importância com provas irrefutáveis desde o começo de sua discografia, o musicista ainda assim foi esnobado pela Academia, que acreditou que uma estatueta honrosa seria o melhor para ele. De qualquer forma, o poderoso filme convida o público a se deliciar com uma narcótica montanha-russa sonora, infundida com preceitos sociais sobre intolerância racial e sobre o sublime.

OS OITO ODIADOS (2015)

O último trabalho de Morricone é, de fato, seu melhor – e o que fez justiça para seu legado ao lhe garantir uma estatueta do Globo de Ouro e uma do Oscar. Enquanto o longa-metragem de Tarantino não é uma de suas melhores entregas, a trilha sonora ultrapassa todas as nossas expectativas ao colocar em um western modernizado a demarcação propositalmente repetitiva dos bumbos, violoncelos amedrontadores e uma formidável atmosfera de suspense que nos mantém ligados do começo ao fim.

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