sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Os 35 Anos da Revolução Cinematográfica da Pixar



É difícil imaginar um mundo sem a revolução cinematográfica e narrativa promovida pelos estúdios Pixar. Hoje subsidiária da imperiosa Walt Disney Pictures, a companhia surgiu de forma independente em 1986 e alcançou sucesso tremendo com construções fílmicas atemporais e destinadas para, de fato, qualquer público, sejam crianças ou adultos. Desde a magistral estreia de Toy Story até o recente ‘Soul’, que debutou há alguns meses na plataforma do Disney+, a Pixar sempre buscou se modernizar e se reinventar, fosse nas técnicas de animação, fosse no modo de trazer as mais simples histórias à vida de uma forma inimaginável e envolvente.

É um fato dizer que praticamente todos já assistiram a algum título desse irretocável panteão, motivo pelo qual estende-se ao longo das décadas com contínua e crescente influência. Originada na década de 1970 através de um time de cientistas da computação, que desejavam trazer algo de novo à computação gráfica e ao cinema animado, a mente por trás do estúdio foi Ed Catmull, que foi contratado pela Lucasfilm Ltd. em 1979 para supervisionar sua nascente divisão computacional – acompanhado de colegas que estudaram com ele no Instituto de Tecnologia de Nova York. Alguns anos depois, a Lucasfilm contratou o lendário John Lasseter, para integrar a equipe; conhecido por seu trabalho como animador da Casa Mouse, ele tomou vantagem das investidas tecnológicas contemporâneas de seu novo empregador para criar curtas-metragens animados.

Oferecendo uma aplicabilidade gráfica bem maior do que a encontrada no cenário cinematográfico àquela época, a Pixar tinha diversas cartas na manga para entregar ao público e aos seus investidores algo bastante diferente do que conhecíamos até então. O próprio nome, um aceno metalinguístico e “ibérico” à arte de criar filmes, já apostava em ousadias criativas que seriam levadas às várias obras e a uma onda de aclamação e prêmios que traria de volta a Era de Ouro da Animação desde a reelaboração oitentista da Disney.

Antes da primeira incursão em longa-metragem, a Pixar canalizava esforços em comerciais animados para a televisão; em 1991, entrou em um acordo com a Casa Mouse para desenvolver, produzir e distribuir três filmes em animação, reorganizando-se profundamente e passando um considerável tempo trabalhando em Toy Story, que chegou aos cinemas quatro anos mais tarde. O apaixonante e inovador enredo girou em torno de brinquedos antropomorfizados que tinham suas próprias vontades e suas próprias personalidades, escondendo-se dos humanos para preservarem esse segredo impressionante.



Não é surpresa que a estreia oficial da Pixar nas telonas tenha alcançado sucesso crítico e comercial absurdos. Além de arrecadar mais de US$370 milhões ao redor do mundo, teve aclamação universal pelos especialistas e, desde então, calcou uma trajetória exuberante de prêmios e legados – incluindo um Oscar honorário por seu impacto na tecnologia fílmica através da computação gráfica. Conquistando outras três indicações na premiação, o filme também levou para casa oito Annie Awards, incluindo Melhor Animação – isso sem mencionar as várias sequências e spin-offs que permanecem arrebatando espectadores das mais variadas gerações. A partir de então, o efeito Pixar começava a mostrar sua supremacia ao planeta.

Inúmeros setores do entretenimento e da ciência desejavam utilizar as técnicas pioneiras da companhia em seus esforços futuros. Os construtores de chips gráficos queriam utilizar a imagética computacional similar ao longa-metragem, enquanto desenvolvedores de jogos se inspiravam na replicação exata da animação para videogames; pesquisadores da robótica, por sua vez, se interessavam em reconstruir máquinas de inteligência artificial com traços mais humanos, como os protagonistas e coadjuvantes de Toy Story. A literatura também sentiu impacto no período pós-debute do filme, com autores refletindo sobre o resgate da estética humanista às narrativas – e até mesmo Beyoncé levou a icônica frase “ao infinito e além” para uma de suas músicas mais conhecidas, “Singles Ladies”.

O fato é que, sem a Pixar, franquias como Shrek, ‘Como Treinar seu Dragão’ e Meu Malvado Favorito não existiriam – ou teriam que se respaldar nos convencionalismos do 2D, que já eram utilizados desde os anos 1930. A modernidade voltava a se reestabelecer com ares de originalidade, com detalhes de tirar o fôlego e com personagens que ficariam marcados na história. Logo, era só uma questão de tempo até a companhia chamar atenção de outras – inclusive a da Casa Mouse, que acabou comprando-a em 2006 por quase US$7,5 bilhões. Mas não isso não impediu que o estúdio se mantivesse com uma atmosfera bem diferente da cultivada pela Disney e conseguisse se renovar numa constância surpreendente e numa abordagem artística tocante.

Com seu universo único, a Pixar ganhou os mais diversos públicos por tradições divertidas – como os múltiplos easter eggs que reúnem as animações em uma única cronologia – e por interpelações que rechaçavam o fechado círculo dos realizadores e abria portas para recém-formados de faculdades locais e de mentes novas que a auxiliariam em sua obstinada evolução. Mais do que isso, a densa análise de temas sociológicos e antropológicos, transferidos a personagens inesperados, contribuiria para a adesão quase imediata de qualquer um que ousasse se aventurar por tramas vibrantes.

Temos, por exemplo, a crítica ao autoritarismo e a luta de classes traduzida na organicidade de um formigueiro em Vida de Inseto; a necessidade de seguir os sonhos e compreender que a vida é maior do que imaginamos em Ratatouille; a apreciação da simplicidade em Carros; e a importância da família em Procurando Nemo. Cada um dos filmes criados pela companhia une-se em uma similaridade evocativa e metafísica, mas diverge no tocante a seus enfoques – ora, não é à toa que ela seja uma das poucas com um catálogo quase impecável. Detentora de nada menos que 20 prêmios da Academia e 11 Grammy Awards, essa aplaudível corporação pode até ter tido seus altos e baixos, mas é inegável que mantém-se como uma das peças fundamentais do que entendemos hoje por cinema.

Não deixe de assistir:

Assista TAMBÉM:

Últimas Notícias

10 Filmes Blockbusters que podem BATER a barreira do bilhão em 2026!

‘Avatar: Fogo e Cinzas’ é o mais recente sucesso...

Vaza novo trailer de ‘Pânico 7’ CHEIO de cenas inéditas

'Pânico 7' tem um novo trailer sendo exibido nos...
Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.