Os 50 Anos de Jennifer Lopez | de Selena a Hustlers: As Golpistas

Os 50 Anos de Jennifer Lopez | de Selena a Hustlers: As Golpistas



Uma das maiores estrelas de Hollywood saídas da década de 1990, a latina Jennifer Lopez completou 50 anos de idade em julho deste ano – sim, o tempo passa! E não tinha forma melhor de comemorar seu quinquagésimo aniversário do que com o lançamento do elogiadíssimo As Golpistas, produção que vem dando o que falar nesta temporada, recebendo indicações a prêmios, e que pode inclusive chegar até a maior festa do cinema: O Oscar. No filme, Lopez e um grande elenco feminino interpretam strippers prontas a dar a volta por cima, trapaceando seus clientes, ricos investidores de Wall Street.

Como forma de homenagear Jennifer Lopez (atriz indicada ao Globo de Ouro e cujos filmes somados renderam mais de US$1.700 bilhão em bilheteria) e As Golpistas, um dos filmes mais badalados deste fim de ano, o CinePOP resolveu relembrar para você a carreira desta prestigiada atriz que é pura representatividade feminina e racial, já que conseguiu vencer num mercado tão cruel e disputado quanto Hollywood, mesmo tendo origens latinas. Vem saber mais sobre esta musa.

Início de Carreira

Jennifer Lopez tem origem porto-riquenha, nacionalidade de seus pais. Ela nasceu nos EUA, em Nova York, no bairro do Bronx. Sua estreia na vida artística foi no cinema, com uma pequena participação em My Little Girl (1986), filme protagonizado por Mary Stuart Masterson. Depois, em 1991, já mostraria seus dotes para a música e dança, participando como dançarina de um clipe da cantora Samantha Fox. De 1991 a 1993, durante 61 episódios, Lopez marcou presença como a personagem Fly Girl, no humorístico In Living Color, que revelou personalidades como Jim Carrey, por exemplo.

Seguiram vídeo clipes de Janet Jackson e participações recorrentes em três séries (Second Chances, South Central e Hotel Malibu) durante 1993 e 1994. Mas o ano seguinte foi o que seria o primeiro divisor de águas na carreira da atriz. Ela iniciou 1995 com uma pequena participação no elogiadíssimo Minha Família – épico sobre a trajetória de um clã de origem mexicana vivendo nos EUA. No filme, Lopez interpreta a matriarca Maria na juventude.  Para o grande público, no entanto, seu destaque viria com Assalto Sobre Trilhos – o qual muitos consideram sua verdadeira revelação e primeiro trabalho marcante como a personagem feminina protagonista de uma obra. No filme, Wesley Snipes e Woody Harrelson (reprisando a parceria de sucesso de Homens Brancos Não Sabem Enterrar, 1992) são irmãos adotivos e policiais responsáveis pela segurança do trem que transporta o dinheiro do metrô. Para sacudir esta dinâmica, assim como os corações da dupla, entra em cena a policial vivida por Lopez, que acaba de ser transferida para a equipe deles. Lopez marcou presença com seu carisma, sensualidade e atitude.

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Ela voltaria a se destacar em 1997, quando entregou três trabalhos significativos. Em Selena, ela carregava pela primeira vez um filme sozinha, unicamente vendido por seu talento. Esta é a biografia da cantora de origem mexicana Selena Quintanilha, que no auge de sua explosão rumo ao sucesso foi assassinada pela presidente de seu fã clube e ex-sócia, aos 23 anos de idade. No filme, Lopez interpreta Selena, papel que lhe rendeu sua mais importante indicação a um prêmio até hoje – o Globo de Ouro. Além disso, Selena serviu para Lopez dar os primeiros passos rumo à carreira musical, e permanece até hoje como um de seus melhores trabalhos na opinião dos críticos e público.

Dando continuidade a este drama elogiado, ela seguiu por dois trabalhos bem diferentes. Em sua primeira incursão no gênero do terror e fantasia, Lopez protagonizou Anaconda, que na época era vendido como o novo Tubarão (1975). Bem, apesar de apostar em um animal aquático assassino como mote para o longa, os resultados de ambos são bem diferentes. Hoje, o filme, que se passa no Brasil, é visto como terror-trash cult/prazer culposo. Apesar de seus inúmeros defeitos (o que torna o sabor ainda mais delicioso), Anaconda é simplesmente hilário e divertidíssimo. Depois, voltando a falar sério, Jennifer Lopez se embrenhava numa intrincada trama de suspense e assassinato, com Reviravolta.

Já nos seus primeiros passos rumo ao destaque, a atriz latina não perdeu tempo e se colou com artistas de grande peso. É difícil vermos um início de carreira tão promissor quanto o que Lopez teve, participando de produções comandadas por nomes como Oliver Stone (Reviravolta), Francis Ford Coppola (Jack) e Bob Rafelson (Sangue & Vinho), por exemplo, e atuando ao lado de gente como Jack Nicholson (Sangue & Vinho), Sean Penn (Reviravolta), Robin Williams (Jack) e Michael Caine (Sangue & Vinho).

No fim da década, Jennifer Lopez já era uma estrela. Seus últimos trabalhos nas telonas neste período foram em Irresistível Paixão (1998) e Formiguinhaz (1998). O primeiro é baseado no livro de Elmore Leonard e dirigido por Steven Soderbergh, no qual protagonizou ao lado de outro ator em ascensão (George Clooney). O filme foi indicado para os Oscar de melhor roteiro adaptado e edição. Já Formiguinhaz foi a primeira animação 3D do recém-lançado estúdio Dreamworks, de Steven Spielberg. Lopez cedia a voz (em sua primeira dublagem) para uma das formigas estilizadas como seus dubladores, num elenco que ainda contava com gente como Woody Allen, Gene Hackman, Christopher Walken e Sylvester Stallone.

Em 1999, Jennifer Lopez se lançava como cantora, conseguindo atingir rapidamente status de diva da música pop, com hits como Waiting for Tonight, If You Had My Love, Feelin´So Good e Love Don´t Cost a Thing.

Namoradinha Latina da América

O título de “namoradinha da América” é para as comédias românticas o equivalente de “rainha do grito” para o terror. Toda e qualquer atriz que brilha e faz carreira em cima do gênero é automaticamente considerada a nova namoradinha da América. Foi assim com estrelas como Julia Roberts e Sandra Bullock, por exemplo. Na década seguinte do auge das duas citadas, chegava Jennifer Lopez para se consolidar no segmento, o subvertendo com seu sabor latino – abrindo portas para uma representatividade racial maior no mainstream.

Na década passada, Lopez fez par com Matthew McConaughey em O Casamento dos Meus Sonhos (2001), com Ralph Fiennes em Encontro de Amor (2002), Jim Caviezel em Olhar de Anjo (2001), ensinou Richard Gere a dançar em Dança Comigo (2004) – remake de uma produção japonesa -, e colidiu com a sogra Jane Fonda em, bem, A Sogra (2005). Todos variações do mesmo gênero. Mas Lopez também voltaria a apostar no terror/suspense na década passada, e a iniciou com A Cela (2000), thriller elogiado pelo visual e história criativa. A fim de caçar um serial killer, uma exímia psicóloga entra na mente do criminoso através de uma nova tecnologia super avançada – o longa pegava carona na realidade virtual do pós-Matrix, e serviu para introduzir os trabalhos do cineasta indiano Tarsem Singh. Mais rotineiro foi Nunca Mais (2002), no qual dá uma de Julia Roberts em Dormindo com o Inimigo (1991), e precisa lidar com os abusos físicos do marido. A grande diferença é como a latina de sangue quente resolve enfrentar o problema: aprendendo uma luta marcial mortífera para sair no tapa com o cônjuge.

Neste período, Lopez viu dois relacionamentos amorosos de grande repercussão terminarem. Primeiro com o rapper Puffy Daddy, que lançou sua carreira musical, e depois com o ator Ben Affleck – com quem protagonizou o fiasco Contato de Risco (Gigli, 2003), considerado um dos piores filmes de todos os tempos. Segundo as más línguas, o filme foi um dos fatores a colocar um ponto final no relacionamento – com Affleck até mesmo aparecendo em um dos clipes da cantora na época. No ano seguinte, a dupla repetiu a dobradinha, com Lopez participando de Menina dos Olhos (2004), de Kevin Smith.

No fim da década, a atriz fugiria um pouco dos holofotes, voltando a apostar em dramas menores, com mais conteúdo. O mais conhecido foi Um Lugar para Recomeçar, dirigido por Lasse Hallstrom, no qual interpreta a nora de Robert Redford, e o elenco traz também Morgan Freeman. Em menor abrangência, atuou ao lado do então novo marido Marc Anthony em O Cantor (El Cantante, 2006), biografia de Hector Lavoe, o homem que levou a salsa para os EUA; e a importante história real Cidade do Silêncio (2007), no qual viveu uma jornalista desbaratinando chocantes casos de estupro no México. Os dois últimos, embora obras de temas importantes, passaram praticamente em branco, sendo lançados em vídeo em grande parte do mundo.

Animações

Depois da estreia como dubladora em Formiguinhaz, ocorrida ainda na década de seu debute nas telonas, Jennifer Lopez resolveu voltar ao gênero, cedendo sua voz para animações da Fox e Dreamworks nesta nova fase da carreira. Nesta década, Lopez pode ser ouvida no papel de Shira nos dois últimos episódios da franquia de sucesso A Era do Gelo: A Era do Gelo 4 (2012) e A Era do Gelo: O Bing Bang (2016). A atriz também participou da aventura interplanetária Cada um na Sua Casa (2015), no qual através da dublagem viveu a mãe de Rihanna. Sim, o tempo passa e agora a sensação latina virou mamãe nas telonas.

Séries de TV

Depois que se tornou uma estrela, Jennifer Lopez continuou a aparecer em participações em séries de TV. Na comédia sensação Will &Grace (1998-2006), apareceu interpretando a si mesma em três episódios, em 2004. E voltou a participar como ela mesma no revival do programa em 2018.  Lopez também fez participação em outra comédia de sucesso da TV, Como eu Conheci sua Mãe, na qual apareceu em um episódio em 2010, no papel de Anita.

Mas seu grande papel na telinha viria com Shades of Blue: Segredos Policiais, primeira série de TV protagonizada pela estrela depois da fama. No drama/thriller policial da Universal Television, exibido pela rede americana NBC, a atriz viveu a detetive Harlee Santos por três temporadas, de 2016 a 2018, até a série ser cancelada ano passado. Apesar do fim de certa forma precoce, o seriado recebeu elogios do público e críticos, devido à sua intensidade e realismo.

Nova Década

Nos últimos dez anos, Lopez deu um tempo dos holofotes, aparecendo no cinema de forma mais esporádica. Ela voltaria às comédias românticas em produções de receptividade variadas, vide Plano B (2010), O Que Esperar Quando Você Está Esperando (2012) e o recente Uma Nova Chance (2018) – que pega muito do mote da integração da mulher latina no mercado de trabalho. No gênero suspense, também passeou por obras de qualidade e relevância diversas, vide Parker (2013), protagonizado por Jason Statham e dirigido por Taylor Hackford; O Garoto da Casa ao Lado (2015) e o independente Lila & Eve (2015), lançado direto em vídeo no Brasil, no qual atua ao lado da Oscarizada Viola Davis nos papeis de mães atrás de vingança pelas mortes de seus filhos.

Mais do que uma atriz de Hollywood, Jennifer Lopez se tornou uma marca, uma grande empresária do ramo da moda e perfumes, uma cantora dona de uma carreira milionária, e jurada de programas de música, sensação no momento.

Agora chegamos até As Golpistas, nova produção da estrela, na qual Lopez pega para si um papel coadjuvante, se é que podemos dizer isto, já que seu nome é o de maior peso num elenco de novatas. Nomes como Constance Wu, Keke Palmer, Lili Reinhart e Cardi B estão quentes no momento, mas nenhuma delas tem o peso e a estrada de Jennifer Lopez. Desde sua primeira exibição no Festival de Toronto desde ano, em setembro, As Golpistas vêm surpreendendo e coletando elogios. Ninguém dava nada pelo filme quando seu primeiro trailer foi divulgado, mas hoje ele se encontra entre os possíveis concorrentes a algumas indicações em categorias do Oscar, incluindo atriz coadjuvante para Jennifer Lopez.



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