terça-feira, janeiro 13, 2026

Os Grandes Clássicos do Cinema que Completam 40 Anos em 2026

DestaqueOs Grandes Clássicos do Cinema que Completam 40 Anos em 2026

Ano novo, vida nova. Ou mais um ano para a conta. Não são apenas as pessoas que envelhecem. Os filmes também. E em 2026 uma nova leva de produções clássicas de Hollywood dos anos 80 se tornam quarentonas. Um novo lote de filmes se junta ao grupo dos clássicos que têm nada menos que quatro décadas nas costas. Quem viveu a época vai jurar que parece que foi ontem. Mas é verdade. Uma geração inteira era criança assistindo avidamente a esses longas inesquecíveis pela primeira vez, de frente para a TV sem piscar (era assim que a geração dos anos 80 tinha seu primeiro contato com estes blockbusters).

Abaixo contamos para você quais são os novos filmes que assopram as velinhas em 2026 com os números 4 e 0. Você tem ideia de quais sejam? Ajudamos você com essa matéria. Vem andar no caminho da nostalgia e confira.



Top Gun – Ases Indomáveis

O maior sucesso de quarenta anos atrás no cinema, ‘Top Gun’ foi o filme responsável por fazer de Tom Cruise um astro de renome internacional – e segue na boca dos fãs até hoje. Por muito tempo, ‘Top Gun’ foi a produção mais memorável dos anos 80 a não ter gerado uma franquia. Mas isso mudou em 2022, quando a aguardada sequência ‘Top Gun – Maverick’ quebrou recordes de bilheteria nos cinemas. Mas você sabia que o primeiro filme foi indicado para quatro prêmios no Oscar (som, edição e efeitos sonoros) e levou o de melhor canção para a icônica “Take my Breath Away”, da banda Berlin.

Curtindo a Vida Adoidado

Ferris Bueller, “o rei dos gazeteiros” (como é conhecido em Portugal), envelheceu e se tornou quarentão. Isso porque ‘Curtindo a Vida Adoidado’ está completando quatro décadas de seu lançamento nos cinemas. Nunca uma “matada” de aula foi tão épica quanto a de Ferris, e nenhuma jamais será. Só os anos 80 poderiam trazer uma trama tão elaborada para um adolescente não ir ao colégio. Mas você sabia que Matthew Broderick não foi o único a cantar “Twist and Shout” dos Beatles em um filme clássico de quarenta anos atrás? O humorista Rodney Dangerfield também soltou a voz com a mesma música em uma cena de ‘De Volta às Aulas’, um de seus maiores sucessos da carreira, lançado no mesmo ano. Aliás, Dangerfield cantou de verdade, enquanto Broderick apenas dublou.

Conta Comigo

Esse aqui chega em tom de homenagem. Ainda estamos perplexos e chocados até agora com a morte do lendário diretor Rob Reiner. O cineasta nos deu alguns dos mais celebrados e queridos filmes dos anos 80 e 90 – e um dos favoritos dos fãs é sem dúvida este ‘Conta Comigo’. Para muitos, o longa define os anos 80. Baseado em uma história de Stephen King, a narrativa mostra a amizade entre quatro colegas de infância e sua jornada para encontrar o corpo de um menino que teria sido atropelado por um trem. Como em muitas obras de King, tudo é narrado por um deles, agora adulto. ‘Conta Comigo’ faz parte dos 250 melhores filmes de todos os tempos entre os usuários do IMDB, e foi indicado ao Oscar de roteiro adaptado.

Aliens – O Resgate

Provavelmente o melhor filme de 40 anos atrás, na opinião deste que vos fala, ‘Aliens’ de James Cameron é também uma das melhores sequências da história do cinema – e um filme que pega o conceito do original e o eleva à décima potência. Diz a lenda que quando Cameron foi vender a ideia para a continuação do sucesso cult ‘Alien’, de Ridley Scott, para o estúdio, apenas escreveu a palavra em um quadro negro, adicionou o S do plural ao fim, e depois transformou a letra em um cifrão. ‘Aliens’ tem todo o clima de uma superprodução da época, e sentimos a magnitude do espetáculo na sua forma mais gloriosa. Tanto que o diretor segue reaproveitando muitos dos conceitos e designs até hoje nos filmes ‘Avatar’. Ah sim, ‘Aliens’ ganhou dois Oscar (efeitos visuais e edição de som), foi indicado para outros cinco (incluindo melhor atriz para Sigourney Weaver) e é o número 70 dos 250 no IMDB.

Karatê Kid 2

Só os filmes que fazem sucesso são capazes de ganhar continuações. E não há como negar o enorme sucesso que ‘Karatê Kid’, uma história sobre bullying e superação envolvendo artes marciais, obteve em 1984. Você sabia, por exemplo, que o icônico Sr. Miyagi (Pat Morita) foi indicado ao Oscar – pelo papel que definiu sua vida? Esse é outro filme que seguimos comentando até hoje. E há 40 anos, estreava a primeira continuação dele, que levava Daniel San (Ralph Macchio) e o Sr. Miyagi para o Japão, em uma história agora focada no mentor. O personagem foi tão importante, que no segundo filme passou de um coadjuvante para o protagonista da história. ‘Karatê Kid 2’ não é tão bom quanto o original, mas ainda assim marcou época, ainda mais quando falamos da canção muito associada à franquia: “Glory of Love”, de Peter Cetera, que surgiu aqui na sequência e foi indicada ao Oscar.

Crocodilo Dundee

Uma das coisas mais legais do cinema são aqueles filmes que nos pegam de surpresa, que parecem saídos do nada e surpreendem a todos com sua qualidade. Todo ano temos os filmes esperados de fazer sucesso, geralmente uma continuação ou uma superprodução envolvendo alguma marca já existente (adaptação de um livro, quadrinho ou qualquer outra mídia). Por outro lado, temos aqueles filmes que ninguém dava nada e se tornam fenômenos, caindo nas graças do público. Nos anos 80, um dos mais marcantes foi ‘Crocodilo Dundee’, produção australiana que se mostrou um enorme acerto da Paramount. Para termos uma ideia, a história sobre o caipira do interior que vem para a cidade grande de Nova York, foi o segundo maior filme de quarenta anos atrás e fez do protagonista Paul Hogan até hoje um símbolo de seu país. Embora não seja muito comentado hoje em dia, ‘Crocodilo Dundee’ é um baluarte dos anos 80, e foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original.

Highlander – O Guerreiro Imortal

Uma ideia ambiciosa. Um dos maiores astros de Hollywood. Um fracasso de bilheteria nos cinemas. Um ressurgimento cult nas locadoras de vídeo. Estava criado um verdadeiro mito dos anos 80, ainda referenciado até hoje mesmo por aqueles que nunca assistiram ao filme. ‘Highlander’ virou gíria para representar algo que não morre. Mas a obra não foi nenhuma produção B do cinema, pelo contrário, afinal contava com a presença de Sean Connery, o eterno 007, e ainda teve verba para contratar a banda Queen para a sua trilha sonora, criando algumas canções icônicas para o longa, como “Who Wants to Live Forever”, “Princes of the Universe” e “A Kind of Magic”. Embora todas as suas sequências sejam consideradas abaixo da média (apesar de quem cresceu na época ter se divertido ao menos com o segundo), uma remake com Henry Cavill promete jogar os holofotes de novo na franquia.

Os Aventureiros do Bairro Proibido

Por falar em filmes de aventura e fantasia, há quarenta anos tivemos alguns exemplares do gênero no cinema. Depois de ‘Highlander’, sobre guerreiros escoceses que vagam pelo tempo sem morrer, o mestre cult John Carpenter também entregou um exemplar do gênero. Seu filme, estranho de uma maneiro boa, fala sobre um submundo mágico no bairro chinês de uma cidade americana. Criaturas folclóricas e seres superpoderosos surgem em cena, colocando um caminhoneiro desavisado em meio a uma batalha ancestral. Como de costume, Kurt Russell pilota esse barco na frente das câmeras para o diretor, e como de costume também, o filme só veio a encontrar sua audiência nas locadoras e nas exibições da TV. Ah sim, é dito que o longa inspirou a criação do videogame ‘Mortal Kombat’ e seus personagens. The Rock tenta tirar um remake/ sequência do papel há mais de uma década.

Platoon

Não poderíamos deixar de falar sobre o grande vencedor do Oscar daquela época. Na década de 80, a Guerra do Vietnã ainda assombrava a sociedade americana – ela havia acabado na década anterior. O conflito deixou uma ferida aberta no coração da América, e gerou todo tipo de produção cinematográfica, das mais sérias, que discutiam com crítica, vide ‘Nascido para Matar’, ‘Nascido em 4 de Julho’ e ‘Pecados de Guerra’; até as que usavam a batalha como fonte de entretenimento, vide ‘Rambo 2’ e ‘Braddock – O Super Comando’. De todas elas, podemos destacar ‘Platoon’, a mais prestigiada e premiada do lote. Dirigido por Oliver Stone, o filme colocou o nome do realizador fervoroso no mapa, mas não apenas isso, pois ‘Platoon’ é o relato do próprio diretor sobre suas experiências servindo em tal Guerra. Foram um total de 4 Oscar (melhor filme, diretor, edição e som) e outras 4 indicações (roteiro original, fotografia e atores coadjuvantes – ambos Willem Dafoe e Tom Berenger). Além de estar, é claro, entre os 250 no IMDB.

A Mosca

Finalizando a matéria dos grandes clássicos que completam quarenta anos em 2026, temos o melhor filme de terror daquela época. Os melhores filmes de seus respectivos gêneros são aqueles que os transcendem. Por exemplo, os melhores filmes de terror geralmente não são apenas terror. É o caso com ‘A Mosca’, de David Cronenberg, um dos raros casos de um remake que supera o original em todos os sentidos. ‘A Mosca da Cabeça Branca’ é um filme tipicamente B da década de 1950. Cronenberg pegou a premissa e a transformou em uma superprodução com bastante conteúdo. ‘A Mosca’ começa como um romance, onde um cientista brilhante conhece e se apaixona por uma jornalista. Porém, a obsessão dele pelo trabalho termina selando seu destino, numa guinada dramática e trágica de amor interrompido. Poderia ser uma doença fatal, mas é algo digno de pesadelos. Os personagens aqui vêm em primeiro lugar. ‘A Mosca’ talvez não receba a atenção que merece atualmente, mas levou o Oscar de melhor maquiagem, de forma muito merecida.

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Pablo R. Bazarello
Crítico, cinéfilo dos anos 80, membro da ACCRJ, natural do Rio de Janeiro. Apaixonado por cinema e tudo relacionado aos anos 80 e 90. Cinema é a maior diversão. A arte é o que faz a vida valer a pena. 15 anos na estrada do CinePOP e contando...
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