Os Melhores e Piores Filmes de M. Night Shyamalan

Os Melhores e Piores Filmes de M. Night Shyamalan



M. Night Shyamalan já foi considerado o novo Hitchcock ou o novo Spielberg (exageros à parte – como de costume), mas teve uma queda em sua popularidade ao longo dos anos.

Recentemente, ele voltou a cair nas graças dos Deuses do Cinema com ‘Fragmentado‘ e ‘Vidro‘..

Pensando nisso, resolvemos listar (do pior ao melhor) todos os filmes que estampam o nome do cineasta APÓS SEU SUCESSO MUNDIAL com O Sexto Sentido (1999), o filme que colocou verdadeiramente seu nome no mapa. Queremos deixar isso bem claro – daí as letras garrafais – portanto, que seus dois longas iniciais, Praying With Anger (1992) e Olhos Abertos (1998), não estarão na lista. Assim como levaremos em conta somente produções cinematográficas, deixando também de fora a série Wayward Pines, com a qual esteve envolvido em 2015. Não esqueça de comentar e listar os seus em ordem. Vamos lá, apertem os cintos e preparem-se para serem Shyamalados.

O TEXTO ABAIXO CONTÉM SPOILERS – Caso não tenha visto o filme em questão, não leia a parte da reviravolta.

12 | Demônio (Devil, 2010)

Sinopse: cinco estranhos ficam presos num elevador e coisas sombrias começam a ocorrer ao redor e dentro do local, como mortes brutais. Policiais e técnicos tentam salvar as vítimas. A ideia era falar sobre fé.
Envolvimento:
essa era uma proposta do diretor que não deu certo. A ideia era criar uma série de filmes, todos parte de uma antologia de terror, sob o selo The Night Chronicles. Shyamalan produz o longa e escreveu a história, mas o roteiro e a direção não são seus.
Protagonista:
aqui temos um elenco de rostos desconhecidos, sem o foco em um único protagonista. Temos os cinco “jogadores” dentro do elevador, mas o que mais se aproxima de ser o principal é o personagem de Chris Messina, o detetive do lado de fora tentando salvá-los.
Elemento Sobrenatural:
além da tragédia de termos cinco pessoas trancafiadas em um elevador defeituoso, Demônio, como diz o título nada sutil, traz uma das vítimas como o próprio Belzebu encarnado. Essa é para se benzer.
Shyamalan Ator: não aparece.
Reviravolta:
todo o rebuliço criado pelo coisa ruim no final das contas era apenas uma forma de se vingar de um dos sujeitos, que havia atropelado a esposa do tal policial. Além disso, o filme trapaceia e mata a senhora idosa, primeiramente a eliminando da lista de suspeitos, para depois revelar ser ela a encarnação do capeta.

Aproveite para assistir:


11| O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010)

Sinopse: adaptação para o cinema do famoso desenho animado Avatar, que devido ao monstruoso fenômeno de mesmo nome, dirigido por James Cameron, lançado no ano anterior, não pôde utilizar seu título original. A história mística de aventura e fantasia, fala sobre diversas tribos, cada uma dominando um elemento do planeta, como fogo, ar, água e terra.
Envolvimento:
aparentemente, o desejo de Shymalan em adaptar o desenho veio da paixão de seus filhos pelo mesmo. Na época, seus filmes autorais de suspense e terror não estavam mais emplacando junto ao público, fechando portas para o diretor em estúdios como a Disney, a Warner e a Fox. O cineasta aqui resolveu dar um tempo de filmes menores e apostar no cinema blockbuster de efeitos visuais e heróis. Shyamalan adapta o roteiro, produz e dirige aqui.
Protagonista:
ao menos os personagens do desenho foram respeitados e trazidos para o longa, o problema é que certa leveza e humor foram esquecidos em prol de um épico soturno e enfadonho. Aang (Noah Ringer) é o protagonista, um jovem monge, que é o escolhido (para variar) e o único capaz de controlar os quatro elementos.
Elemento Sobrenatural:
por se tratar de um filme de fantasia, temos muitos elementos sobrenaturais, como pessoas que controlam o fogo, a água, o ar e a terra, além de uma criatura bestial, porém dócil, que é uma mistura de bicho preguiça e bisão.
Shyamalan Ator:
uma ponta não creditada como um dos membros da tribo do fogo.
Reviravolta:
a última cena deixava uma continuação engatilhada, que nunca viria. Após ter falhado em capturar o último Airbender, Zuko (Dev Patel) perde a preferência de seu pai, o rei, que agora mandará a filha para o encalço do “menino dourado”.

10 | Depois da Terra (After Earth, 2013)

Sinopse: passada no futuro, esta ficção científica conta a história de um pai e seu filho (Will Smith e seu filho na vida real, Jaden Smith) ambos militares, viajando em uma missão interplanetária em sua nave. O pior acontece e a nave cai em um inóspito planeta. O pai fica impossibilitado, cabendo ao filho se provar e ir até o ponto oposto do local para enviar um sinal e pedir ajuda.
Envolvimento:
aqui, pela primeira vez em sua carreira, Shyamalan foi um diretor de aluguel. Por mais que em O Último Mestre do Ar tenha apenas adaptado um desenho, era um projeto de paixão seu, assim como a criação da antologia da qual Demônio faria parte. Mas com Depois da Terra, o diretor apenas serviu à família Smith, para que juntos desenvolvessem o projeto cujo subtexto é um dos mantras da cientologia, o da superação do medo. No filme, Shyamalan adapta em um roteiro a ideia de Smith, produz e dirige.
Protagonista:
mostrando que este é mais um veículo que Will Smith planejou para o lançamento da carreira de seu filho, embora o nome do astro seja o de maior relevância aqui, ele deixa Jaden, na pele de Kitai Raige, levar 80% da projeção sozinho.
Elemento Sobrenatural:
mais um filme de fantasia e ficção científica, aonde o que mais pode ser encontrado são elementos sobrenaturais. Passado no futuro, temos animais levemente modificados e evoluídos, como macacos, tigres e águias. Mas o que se destaca é a criatura monstruosa conhecida como Ursa.
Shyamalan Ator:
não aparece.
Reviravolta:
não existe grandes reviravoltas aqui, e a revelação de que o planeta inabitado e perigoso no qual caem com a nave é a Terra, é feita logo no início do filme, ao contrário do clássico Planeta dos Macacos (1968). Talvez a jornada e como Kitai derrota a Ursa sejam as surpresas aqui. O pequeno finalmente evoca o “fantasma”, técnica na qual se torna invisível ao monstro, superando de vez o medo.

09 | Fim dos Tempos (The Happening, 2008)

Sinopse: um enigmático evento começa a ocorrer pelos EUA, no qual pessoas, aparentemente sem qualquer explicação, começam a se matar das formas mais variadas e grotescas. Devido à paranoia instalada no país, após o 11 de setembro, especula-se que sejam atos terroristas.
Envolvimento:
aqui ainda tínhamos o Shyamalan “moleque” e autoral. Porém, meio perdido, tendo usado todas as cartas na manga, com quase nenhum crédito junto aos críticos e público. Esse foi o primeiro filme de censura alta da carreira do diretor, que pôde usufruir da violência e cenas explícitas em seu filme declaradamente de terror. Como de costume, Shyamalan escreve, dirige e produz.
Protagonista:
uma das maiores críticas que Fim dos Tempos recebeu foi em relação aos seus personagens, em especial os protagonistas. Mark Wahlberg é o principal na pele do professor de ciências (??!!) Elliot Moore. O ator está completamente fora de sua alçada e não convence, sendo alvo de cenas constrangedoras – como quando fala com uma samambaia (de plástico, para piorar). Pior que isso só o desempenho inerte e robótico da geralmente agradável Zooey Deschanel, que interpreta sua esposa. A atriz parece anestesiada durante toda a projeção.
Elemento Sobrenatural:
alguma toxina parece a causa de tudo, se espalhando pelo ar e criando um novo nível de paranoia, que surpreendentemente dura apenas um dia. O que chama atenção é que assim como em alguns clássicos do gênero, a pessoa que você mais gosta e confia, pode se voltar contra você ou ela mesma.
Shyamalan Ator:
tomado pela timidez, o cineasta aparece apenas como uma voz ao telefone no filme.
Reviravolta:
bem, a grande reviravolta aqui, como diversos personagens entregam em especulações durante o filme, é a vingança da natureza contra o homem. Em especial as plantas, que liberam esta toxina mortal, com a tentativa de embasamento científico da parte do cineasta. Bem, ou será que era isso mesmo?

08 | A Dama na Água (Lady in the Water, 2006)

Sinopse: em um condomínio de classe média baixa, na cidade da Filadélfia (na qual se passam a maior parte dos filmes do diretor), figuras para lá de exóticas transitam. Até que o zelador do local encontra uma misteriosa jovem na piscina do prédio, e a trama se desenrola.
Envolvimento:
Shyamalan estava no auge de sua carreira, começando a colocar o pé no declínio. A divergência de opiniões causada por A Vila, ocasionou na saída do diretor do estúdio que o acolheu em seus maiores sucessos, a Disney. Este filme marca a primeira, e única (até o momento), aventura do cineasta pela Warner. O objetivo aqui era dar vazão aos contos de fadas que Shyamalan narrava para seus filhos antes de dormirem. Mais uma vez o cineasta escreve, dirige e produz.
Protagonista:
Cleveland Heep (Paul Giamatti, recém-saído dos sucessos de crítica Sideways – Entre umas a Outras e A Luta Pela Esperança), o zelador do condomínio, é nosso herói por esta jornada. Esse é o filme de Shyamalan que possui a maior gama de personagens excêntricos, a maioria propositalmente criados como alívio cômico. Um dos que mais chama atenção é o crítico de cinema e arte, pretensioso e arrogante (papel de Bob Balaban), tratado como vilão, e criado como forma de vingança do diretor em relação aos verdadeiros críticos que vinham destratando suas obras.
Elemento Sobrenatural:
por se tratar de um pretenso conto de fadas (ou conto de ninar, como dizia o slogan), temos figuras fantásticas e mitológicas, como ninfas (espécie de sereias), papel de Bryce Dallas Howard, e criaturas que são mesclas de animais com outros elementos da natureza.
Shyamalan Ator:
esse é o melhor, ou pior, papel de Shyamalan em um de seus filmes, dependendo do seu ponto de vista. Essa é outra resposta, que soa muito como tapa de luva de pelicas (com uma ferradura dentro), que o diretor dá em seus detratores. Aqui, ele é Vick Ran, escritor e condômino (mora junto com a irmã) do local, cujo próximo livro irá ser tão importante que salvará o mundo. Egocentrismo no nível dez? Sim, por favor.
Reviravolta:
anunciado como conto infantil e história de fadas, A Dama na Água é enfadonho demais para as crianças. O filme possui inclusive cenas e momentos mais assustadores. No entanto, não guarda grandes reviravoltas. A maior delas talvez seja os papeis invertidos, que cada morador ganha na hora de ajudar a ninfa Story (Howard) – sim, nome bem criativo né? – a voltar para casa. Invertidos, pois iriam se mostrar equivocados, necessitando de nova escalação.

07 | A Visita (The Visit, 2015)

Sinopse: um casal de adolescentes vai visitar os avós em outra cidade, com quem nunca tiveram contato devido à briga de sua mãe, filha dos idosos, com os pais anos atrás. Mas os adoráveis parentes escondem um terrível segredo.
Envolvimento:
foi a volta por cima de Shyamalan, e o passo rumo a reconquistar o sucesso. Um filme menor, financiado de seu próprio bolso, e gravado no estilo found footage. Esse era o filme que o diretor queria fazer, com controle total, e não fazia desde 2008. O autor escreve, produz e dirige.
Protagonista:
os protagonistas são os inocentes netinhos Becca (Olivia DeJonge) e o cômico Tyler (Ed Oxenbould), aficionado por hip hop. Mas quem rouba a cena são os perturbadores avós Nana (Deanna Dunagan) e Pop Pop (Peter McRobbie).
Elemento Sobrenatural:
o filme inteiro ficamos esperando alguma ameaça sobrenatural, que justifique o comportamento errático dos velhinhos. Em certo momento, enfatizado pela mãe (papel de Kathryn Han), a justificativa de seu comportamento pode ser apenas pela idade. O que traria um tom cômico maior ao longa, que já utiliza de muito humor.
Shyamalan Ator:
mesmo voltando aos poucos às boas com o sucesso, o diretor ainda não arriscaria aparecer em um longa.
Reviravolta:
talvez uma das melhores e mais gélidas reviravoltas em um filme do diretor, que congelou minha espinha ao assistir no cinema, descobrimos que os adoráveis velhinhos não são os avós reais da dupla de jovens, e sim loucos fugidos do manicômio. Meu Deus!!!

06 | Vidro (Glass, 2019)

Sinopse: sequência direta de Fragmentado e Corpo Fechado, Vidro mostra David Dunn (Bruce Willis) em sua luta contra o crime, agindo verdadeiramente como um vigilante (ou super-herói) após os eventos do filme de 2000. Sua mais recente missão é encontrar um psicopata sequestrador de jovens – o personagem dono de múltiplas personalidades vivido por James McAvoy. Dunn e a Fera se encontram e vão parar num manicômio, mesmo local onde está confinado Elijah (Samuel L. Jackson) por todos estes anos depois do desfecho de Corpo Fechado. Lá, estas poderosas entidades irão colidir enquanto são tratadas pela doutora Ellie Staple (Sarah Paulson).
Envolvimento: além de diretor, roteirista e produtor, este é provavelmente o maior envolvimento de Shyamalan com um filme. Trata-se de um projeto muito pessoal para o cineasta, planejado há 20 anos. Desde o lançamento de Corpo Fechado (um filme incompreendido em seu lançamento – que não rendeu muito, ainda mais na trilha de O Sexto Sentido) fala-se numa possível sequência. O diretor seguiu outros rumos, mas mostrou que era possível (de forma surpresa, para variar) ao final de Fragmentado. Esta é oficialmente a primeira continuação de um trabalho seu.
Protagonista: bom, por onde começar nessa? O filme chama-se Vidro, então tecnicamente é dedicado ao vilão vivido por Samuel L. Jackson. Afinal, os outros dois do trio principal já tiveram seu próprio filme para protagonizar. Mas não é exatamente isso que acontece. O personagem de Jackson segue sendo o “mastermind”, a figura por trás de tudo e o responsável pela trama girar. No entanto, esse é um jogo de xadrez onde todas as peças tem importância igual. Bruce Willis (e seu David Dunn) ainda é o herói e, podemos dizer, o protagonista. Mas James McAvoy é o primeiro nome nos créditos. E agora?
Elemento Sobrenatural: por se tratar de um sequência direta de ambos Corpo Fechado e Fragmentado, é esperado que o filme utilize elementos de ambos os filmes. E Vidro faz exatamente isso. Assim, temos os holofotes novamente em seres superpoderosos. David Dunn e seu corpo inquebrável (cujo ponto fraco é a água), Elijah com seus ossos de vidro e mente diabólica e Kevin, dono da Fera interior – igualmente poderosa.
Shyamalan Ator: a coisa mais legal de Vidro não é a volta de Bruce Willis como David Dunn, nem de Samuel L. Jackson como Elijah, tampouco James McAvoy como Kevin, também não é Anya Taylor-Joy como Casey, nem mesmo Spencer Treat Clark como Joseph, o filho de David. A melhor coisa é a volta de Shyamalan no mesmo papel de Jai, o segurança do filme Fragmentado- que faz uma participação inspiradíssima – e se revela  talvez o mesmo personagem de Corpo Fechado.
Reviravolta: ainda é muito cedo para falar sobre isso? Bem, você está avisado desde o início do texto que aqui teremos spoilers. Se não quiser saber, pare de ler agora. Bom, continuou. Então vamos lá. A primeira reviravolta (que todos parecem ficar horrorizados ao saber) é que Elijah não criou apenas David, mas foi o responsável, mesmo que sem querer, por criar as personalidades de Kevin – já que no mesmo acidente de trem estava o pai do menino. Com o pai morto, Kevin fica a mercê da mãe abusiva, o que desencadeia as personalidades e o monstro dentro dele. Além disso, a doutora Ellie é na verdade membro de uma organização dedicada a erradicar da face da Terra tais criaturas superpoderosas.

05 | Fragmentado (Split, 2016)

Sinopse: Kevin (James McAvoy) é um jovem que possui 23 personalidades. Para tentar curar o quadro, ele se trata com uma psicóloga renomada. No entanto, o tratamento parece não ajudar muito e ele termina sequestrando três jovens.
Envolvimento:
aqui, podemos afirmar que Shyamalan reencontrou a paz e o sucesso. O cineasta deu a volta por cima, sendo abraçado novamente por crítica e público, que fizeram de Fragmentado, escrito, produzido e dirigido por ele, um dos maiores sucessos deste início de 2017.
Protagonista:
Kevin e suas inúmeras personalidades (todas interpretadas por um James McAvoy inspiradíssimo), com destaque para Patricia, o menino Hedwig, Dennis e, é claro, a Besta. Casey Cooke (Anya Taylor-Joy, de A Bruxa), nossa heroína perturbada, também recebe o devido destaque.
Elemento Sobrenatural:
não existe um elemento 100% sobrenatural aqui, mas, além das inúmeras personalidades que permeiam a mente de Kevin, a Besta é uma criatura quase sobre-humana que ameaça vir à tona.
Shyamalan Ator:
Shyamalan não podia se conter de felicidade e no embalo aparece de novo como ator. Aqui, ele vive um técnico de segurança apaixonado pelo restaurante incorreto Hooters.
Reviravolta:
Existem algumas reviravoltas com as personalidades de Kevin, como a chegada da Besta, o destino de alguns personagens e o passado trágico da menina Casey. Mas o que mais chama atenção é o elo com um certo filme de sucesso do diretor.

04 | Corpo Fechado (Unbreakable, 2000)

Sinopse: um homem é o único sobrevivente de um desastre de trem e, com a ajuda de outro que é seu exato oposto, começa a entender seu propósito no mundo e sua natureza indestrutível – ou inquebrável como diz o título original.
Envolvimento:
segundo longa de Shyamalan após ser glorificado com O Sexto Sentido. Hoje, Corpo Fechado possui status cult, mas na época muitos não entenderam a proposta deste filme de super-heróis de quadrinhos realista e dramático, pano de fundo para uma reconciliação matrimonial. O cineasta joga em todas as posições como de costume.
Protagonista:
David Dunn (Bruce Willis) é um homem que desiste do seu sonho profissional em nome da esposa (Robin Wright), se tornando infeliz quando a perde de qualquer forma. O personagem mais interessante de longe aqui, no entanto, é Elijah ‘Senhor Vidro’ Price (Samuel L. Jackson), em ótima homenagem ao cinema negro da década de 1970.
Elemento Sobrenatural:
O protagonista é um herói indestrutível e altamente sensorial, a não ser pela água, seu ponto fraco. Já o Senhor Vidro de Samuel L. Jackson é o oposto, se quebrando por completo ao primeiro esbarrão.
Shyamalan Ator:
a ponta do diretor neste filme resume-se a um fã que tenta vender drogas dentro do estádio, no qual o protagonista é segurança.
Reviravolta:
após a fantasia se tornar realidade, e ficar provado que o protagonista era de fato um super-herói saído direto da mitologia, resta saber qual o papel de seu antagonista nisso tudo… E que venha a continuação!

03 | Sinais (Signs, 2002)

Sinopse: um fazendeiro e ex-pastor, perde a mulher em um acidente de trânsito, perdendo assim também a fé em Deus. Agora, ele cria os dois filhos pequenos com a ajuda do irmão mais novo.
Envolvimento:
Corpo Fechado, como a maioria das obras cult, não ganhou a atenção devida na época de seu lançamento, sendo redescoberto depois. Já em Sinais, seu terceiro longa, Shyamalan voltou novamente ao topo de mundo, adquirindo mais um sucesso de público e crítica, em um filme B que deu certo – ao contrário de Fim dos Tempos. O diretor novamente joga em todas as posições.
Protagonista:
Mel Gibson dá tudo de si na pele do ex-Reverendo Graham Hess, que perdeu a fé devido ao acidente fatal que tirou a vida de sua esposa. O bom do cinema de Shyamalan é dar enfoque dramático, em atuações dignas de prêmios, para tramas de terror e ficção, que geralmente não seriam levadas a sério. A escolha de Gibson, um intenso homem de fé, para o papel é mais que adequada. Além dele, Joaquin Phoenix também se destaca na pele de Merill, o irmão mais novo e destrambelhado, que serve como alívio cômico.
Elemento Sobrenatural:
o que ainda não foi mencionado aqui é que Sinais fala sobre uma possível invasão alienígena. Uma invasão diferente, no entanto, das que estamos acostumados a ver no cinema. Mais intimista ao ponto de ficarmos nos perguntando se tudo não passa de uma grande enganação. Shyamalan teve a ideia para o roteiro depois de acompanhar os casos das enormes marcas em plantações, algumas se revelando um engodo, outras ainda sem explicação.
Shyamalan Ator:
esse é o papel mais legal de Shyamalan, tirando o hilário de A Dama na Água. Aqui, seu personagem é tão importante que faz a trama girar. Ele é Ray Reddy, veterinário da pequena cidade rural nos arredores da Filadélfia, que acidentalmente tira a vida da esposa do protagonista.
Reviravolta:
para quem estava na dúvida, os extraterrestres se mostram bem reais e nem um pouco amistosos. Os seres hostis invadem o local, e quando todos achavam que eles haviam partido… Bem, é ver para crer. No entanto, eles possuem um ponto fraco (que se mostra uma obsessão de Shyamalan). Sua fraqueza é explicada no filme, e na verdade, não é tão despropositada quanto afirmam os detratores do longa.

02 | A Vila (The Village, 2004)

Sinopse: por volta de 1900, um pequeno vilarejo auto suficiente, e seus moradores, são assombrados pela floresta ao redor, na qual residem criaturas monstruosas. As duas raças vivem numa espécie de trégua, mas o que acontece quando esta trégua é quebrada?
Envolvimento:
esse é o melhor trabalho de Shymalan, embora não seja unânime, justamente porque o diretor brinca como nunca com sua audiência, manipulando de forma magistral o público, que teme sem saber o que temer. É um exercício em puro medo, o que o diretor propõe a realizar. E a plateia é sua cobaia. Ao final, alguns entenderão e apreciarão sua proposta. Outros, como sempre, se sentirão frustrados.
Protagonista:
embora o nome que encabece o elenco seja o de Joaquin Phoenix, e tenhamos atores da estirpe de William Hurt, Sigourney Weaver e Adrien Brody permeando a obra, a protagonista absoluta é Ivy Walker, a jovem cega, que marca a estreia vertiginosa de Bryce Dallas Howard no cinema.
Elemento Sobrenatural:
as criaturas que cercam o vilarejo, e habitam a floresta. Tais criaturas, que não devem ser mencionadas, nunca são de fato totalmente conhecidas ou explicadas, mas aparentam uma mistura de porco, com muitos espinhos e garras, num híbrido humanoide.
Shyamalan Ator:
Shyamalan dá as caras no final, como um dos seguranças responsáveis por guardar os arredores da reserva florestal.
Reviravolta:
são duas grandes reviravoltas aqui. A primeira, é que não existem de fato as criaturas, sendo tudo uma invenção dos mais velhos, para assegurarem que os mais novos nunca deixariam o local, pelo menos nesta geração. Essa ocorre antes do final, podendo ser acusada de ser anti-climática. A segunda reviravolta mostra que, na realidade, os aldeões personagens do filme estão vivendo em nosso tempo, dentro de uma reserva florestal apenas simulando o estilo de vida antigo. É a Alegoria da Caverna de Platão, recriada como forma de entretenimento ao grande público e fãs de terror e suspense.

01 | O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999)

Sinopse: um psicólogo estrela, condecorado pelo prefeito, pega seu caso mais difícil: o de um menino diferente, que à primeira vista é alvo de abuso doméstico, porém, guarda segredos sobrenaturais, além da compreensão humana.
Envolvimento:
Shyamalan se tornou um astro aqui. Ele já havia dirigido dois filmes pouco significativos, mas foi com O Sexto Sentido que ganhou o mundo. O filme foi sucesso de crítica e público, e ainda recebeu 6 indicações ao Oscar, entre elas, melhor filme diretor. Além disso, consta na lista dos preferidos do grande público no site IMDB. Shyamalan cria aqui sua obra-prima, escrevendo, produzindo e dirigindo o longa.
Protagonista:
Bruce Willis dá vida o Dr. Malcolm Crowe, o psicólogo e protagonista. O ator recebe uma das poucas chances de atuar de verdade em sua carreira. Mas o rouba-cenas atende pelo nome de Haley Joel Osment, então um menino de 11 anos, inclusive chegando a ser indicado ao Oscar por seu desempenho como o problemático Cole, o garoto que vê gente morta.
Elemento Sobrenatural:
como dito acima, o menino Cole vê gente morta. Esse é um filme de fantasmas e assombrações, porém, um bem diferente do que imaginamos.
Shyamalan Ator:
o diretor interpreta um médico que começa a desconfiar que a mãe do menino (Toni Collette) seja quem vem lhe deixando marcas roxas por todo o corpo.
Reviravolta:
bem, na reviravolta mais manjada (agora) e surpreendente da história do cinema, ficamos sabendo que o psicólogo que ajudava o menino, estava também, ele mesmo, morto. Durante o filme, acompanhamos apenas seu fantasma se comunicando com o menino. Toque de gênio.



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