InícioDestaque'Pacificador' | Pontos para prestar atenção no 6º episódio da 2ª temporada

‘Pacificador’ | Pontos para prestar atenção no 6º episódio da 2ª temporada


Escrito e dirigido por James Gunn, o sexto episódio da segunda temporada de Pacificador é um dos mais curtinhos, mas também um dos mais intensos. Com cerca de 30 minutos de episódio, sem contar os créditos de encerramento, o capítulo passa rápido, mas faz valer cada segundo com revelações chocantes, muita ação e doses cavalares de suspense e comédia.

Sim, a dois episódios do fim, a segunda temporada engrenou de vez, prometendo uma reta final eletrizante e uma porção de eventos completamente inesperados. O fato de Gunn ter voltado para a direção nesses últimos capítulos é um bom sinal, porque demonstra o envolvimento total do diretor, que passou sua visão completa do texto que ele mesmo escreveu.

O texto a seguir contém SPOILERS. Siga por sua conta e risco.

E com a grande revelação da temporada acontecendo neste episódio, é realmente inesperado o que virá por aí, já que nem mesmo a imprensa internacional teve acesso a esses três capítulos finais. Como de costume, o CinePOP selecionou os pontos mais importantes do capítulo para debater. Confira!



Mundo distorcido

O episódio começa com o Pacificador (John Cena) comemorando a vitória sobre o Kaiju que o Top Trio derrotou na cidade. Eles vão a um restaurante comum, onde são abordados por crianças que pedem para tirar uma foto com o grupo. Keith (David Denman) faz um símbolo com as mãos. Alguns fãs teorizaram que esse gesto seria um indicativo que ele é nazista, tal qual em Bastardos Inglórios. Só que, pela lógica do filme, ele não seria nazista ao fazer esse gesto. Outros falaram que poderia ser o símbolo dos supremacistas brancos dos EUA, só que o símbolo do “White Power”, apesar de ter três dedos levantados, também não tem nada a ver com esse. Na verdade, isso aí é só uma menção ao “Top Trio” mesmo.

Porém, como a própria foto indica, eles estão mesmo em um mundo completamente diferente. O mundo perfeito do Chris é, na verdade, um mundo distorcido.

Teoria confirmada!

Sem mais delongas, o grande choque do episódio é a revelação de que eles estão na Terra X, onde os nazistas venceram a Segunda Guerra Mundial e dominaram o mundo. Essa revelação confirmou passo a passo tudo o que os fãs vinham especulando nas últimas semanas. Bastaram algumas poucas horas de Emilia Harcourt (Jennifer Holland) neste mundo para que ela percebesse que não havia pessoas negras por lá, o que foi o principal sinal notado pelos fãs ao longo dos episódios. Logo em seguida, Chris pegou uma bandeira americana e flagrou a suástica estampada nela.

A grande pergunta que fica dessa revelação é se veremos o Overman, o Superman dessa realidade, cujo destino foi mudado de uma vez por todas quando sua nave caiu nas mãos de Adolf Hitler, que transformou o bebê kryptoniano na principal arma de dominação do regime nazista, aparecerá até o fim da temporada.

Campos de concentração?

Quem se deu mal nessa história toda de EUA nazista foi Adebayo (Danielle Brooks), que saiu para dar uma volta pelo bairro. A cada pessoa que passava por ela, as reações de choque iam se intensificando, até que uma pessoa grita que “um deles escapou!”, dando início a uma caçada do bairro pela moça, que corre por sua vida. Essa escolha de palavras indica que os negros dessa Terra não foram assassinados, mas provavelmente estão sendo mantidos em campos de concentração, onde são submetidos às maiores atrocidades possíveis. Não é como se eles não existissem. Eles existem e são discriminados por uma população tomada pelo ódio e preconceito.

Essa analogia dos “EUA perfeito” esconder um monte de nazistas apenas esperando um oportunidade para revelarem sua verdadeira natureza é uma abordagem muito corajosa – e necessária -de James Gunn, que novamente volta a colocar o dedo na ferida aberta do mundo atual.

John Lennon

Momentos antes da grande revelação, a Harcourt do DCU é encontrada por Keith, que acredita que ela é a Emilia de seu mundo. Ele oferece uma carona para ela. No caminho, eles conversam sobre músicas e ela descobre algo sobre os Beatles. Neste universo, o vocalista dos Beatles é Mick Jagger. Pode parecer uma piada simples, mas esconde um contexto interessante. No nosso universo, o pai de Jonh Lennon, Alfred Lennon, serviu à marinha britânica durante a Segunda Guerra Mundial. Estando longe de casa durante a gravidez e nascimento do garoto, ele viu a esposa, Julia Lennon, se envolver e engravidar de outro homem. Alfred até se ofereceu para assumir a criança, mas Julia negou e o manteve distante também do próprio John. Ela era fascinada por música e ensinou o menino a tocar banjo e ukulele na infância.

Na Terra X, os Aliados perderam a guerra. Ou seja, é muito provável que Alfred tenha voltado para casa mais cedo, fazendo dele uma figura presente na vida de John Lennon, que possivelmente jamais se envolveu com o mundo da música por estar seguindo os caminhos do pai, então não teria como ele cantar nos Beatles.

Homem-Aranha

Mais do que revelador e tenso, esse episódio é hilário. E isso se deve muito à presença do Vigilante (Freddie Stroma), que está empolgadíssimo em encontrar sua versão de outro universo. E isso acontece em uma sequência de chorar de rir, na qual ele começa a fazer perguntas para sua contraparte e até mesmo recriam o meme do Homem-Aranha, canonizando a rival, Marvel, como uma empresa existente nesses dois universos.

Essa conversa também revela que os Filhos da Liberdade, que foram retratados como terroristas em episódios anteriores, são os heróis da parada. E como o Pacificador era um nazistão convicto, nesse universo, o Vigilante o odeia e faz de tudo para matá-lo (mal sabe ele que o próprio Pacificador do DCU já o matou).

Homem do Amanhã

Talvez o momento mais surpreendente do episódio tenha sido a aparição de Lex Luthor (Nicholas Hoult), que está preso em Belle Reve, prisão de meta-humanos introduzida em Comando das Criaturas, por conta de suas ações em Superman (2025). Ele faz um acordo com Rick Flag Sr. (Frank Grillo) para ajudá-lo a encontrar máquina interdimensional de Chris em troca de uma transferência para a prisão Van Kull, que fica em Metrópolis e tem detentos menos esquisitos que as criaturas de Belle Reve. Flag fala que pretende contar com um apoio diferenciado de Luthor, que poderá colocá-lo como um herói ante a opinião pública. A conversa termina com Lex e a A.R.G.U.S. trabalhando oficialmente juntos. Esse é o primeiro sinal de seu papel em Man Of Tomorrow, sequência de Superman, na qual ele atuará lado a lado com seu rival para salvar o dia. É interessante reparar também que ele aparece usando uma bengala, o que provavelmente será utilizado como justificativa para a construção da armadura clássica dos quadrinhos.

É válido citar também que o Pacificador é enquadrado na conversa de Luthor com Flag como um “vigilante”, e que eles não representam uma ameaça real para o governo. No Universo DC, o maior vigilante de todos é o Batman. Então, é muitíssimo provável que a adaptação do Morcegão desse universo já o traga como um herói reconhecido, nada de jovem iniciante atuando nas sombras.

Os novos episódios de Pacificador estreiam toda quinta-feira às 22h, no HBO Max.

Pedro Sobreirohttps://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.
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