A segunda temporada de Pacificador chegou ao fim. Talvez não do jeito que muitos esperavam, é verdade, mas teve um season finale com um James Gunn descontrolado, para o bem e para o mal. Gunn escreveu e dirigiu o episódio de encerramento, repetindo sua tendência de dirigir os pontos-chave desta temporada, que terá forte influência nos próximos filmes da DC nos cinemas.
O texto a seguir contém SPOILERS. Siga por sua conta e risco.
E esse compromisso em estabelecer os próximos passos do universo deu uma complicada na vida do diretor, que queria fazer uma conclusão mais intimista, mas se viu na obrigação – estabelecida por ele mesmo – de já inserir ganchos para o que virá por aí. Pois bem, como de costume, o CinePOP selecionou os pontos mais importantes do capítulo para debater. Confira!
Lex Luthor é a A.R.G.U.S.

Man of Tomorrow está aí. O último episódio traz a A.R.G.U.S. iniciando uma missão de exploração das outras dimensões do portal do Pacificador. O projeto é encabeçado por Rick Flag Sr. (Frank Grillo), que tirou da prisão praticamente todos os capangas de Lex Luthor (Nicholas Hoult), além de já ter começado a trabalhar com o próprio. Ou seja, o que separa Lex do controle da A.R.G.U.S. é apenas a presença de Rick, que é facilmente manipulável, ainda mais quando do outro lado está o maior intelecto desse universo. Esse é o pontapé inicial do próximo filme do Superman, que trará o herói lutando ao lado do vilão contra um inimigo comum.
Esse envolvimento de Rick com Lex é comentado até mesmo pelo Secretário Mori (James Hiroyuki Liao), que fica surpreso em como Flag saiu de um opositor de Lex para um funcionário do governo que efetivamente põe em prática as ideias apresentadas pelo vilão em Superman (2025). Ou seja, a série já começa a tratar Rick Flag Sr. como um vilão que tem o poder da Amanda Waller e a burrice e o emocional do Pacificador, uma combinação perigosíssima.
Musical

O episódio é conduzido com foco em duas sequências musicais que dialogam diretamente com a resolução de conflitos pessoais dos protagonistas. Essa pegada mais intimista, centrada na música definindo momentos-chave das vidas dos personagens, é 100% James Gunn. Chris começa o episódio sendo solto da prisão, já que Adebayo (Danielle Brooks) convence o Vigilante (Freddie Stroma) a usar seu dinheiro tomado da bandidagem para fazer o bem, o que inclui pagar a fiança do amigo. Porém, o Pacificador(John Cena) não quer ficar perto deles, porque teme trazer a morte, assim como ele acha que fez com sua família nas duas Terras em que viveu. Só que a própria Adebayo convence o herói de que ele só atrai desgraça quando tenta ser quem ele não é, mexendo com sua percepção de vida.
Também é revelado que o climão que ficou entre Chris e Emilia Harcourt (Jennifer Holland) aconteceu porque eles tiveram um breve momento de amor durante um show em um barco, enquanto Emilia vivia uma fase de muitas dúvidas. A dificuldade dela se entregar aos sentimentos afeta não só a ela, mas também o Chris, que põe o amor da moça como um dos pilares de sua vida. Paralelamente, Adebayo decide se resolver com sua amada, indo até o apartamento da jovem, onde elas falam com muita sinceridade que se amam de verdade, mas que seus objetivos de vida impedem que elas fiquem juntas. É uma cena muito madura, bem escrita e emocionante. Um dos pontos altos do episódio.
Xeque-Mate

Com muito foco no diálogo, os personagens resolvem seus conflitos pessoais. Junto à jornada de vilanização de Rick Flag Sr., o grupo decide largar a A.R.G.U.S. e, com a fortuna do Vigilante, formar uma agência própria, a Xeque-Mate. E isso é um passo fundamental para o avanço do DCU, já que o grupo existe nos quadrinhos e foi fundado por Amanda Waller, mas também já foi controlado por Max Lord (Sean Gunn) e funciona como uma agência de espionagem de elite, especialista em encontrar e derrotar meta-humanos.
No DCU, ainda não temos noção de como ela será adaptada, mas outra trama introduzida nesse episódio já parece dar uma pequena noção do que virá por aí.
Salvação

Após agentes serem mortos por gnomos tarados, zumbis e caveiras ambulantes, Rick Flag revela qual é o plano que ele bolou em parceria com Lex Luthor. Eles buscavam um planeta habitável para seres humanos, mas não para buscar recursos naturais ou uma nova moradia, no caso daquele mundo deles colapsar. A dupla queria uma Terra para usar como um tipo de prisão para meta-humanos, mais ou menos como Lex tinha feito de forma experimental no filme do Superman (2025).
Eles encontram Salvação, um planeta aparentemente perfeito para isolar e manter os vilões vivos. No entanto, essa Terra alternativa habitável é um dos lugares mais hostis do multiverso. Nos quadrinhos, o arco que tem esse nome traz Waller e Flag convocando o Xeque-Mate e o Esquadrão Suicida para capturarem os principais vilões do Universo DC e jogá-los nesse planeta alternativo. O problema é que esse mundo é utilizado como um tipo de depósito de capangas e criaturas indesejadas de todo o universo, como os Parademônios de Darkseid. É uma pegada que lembra a franquia Predador.
Furada

Se havia alguma dúvida que o planeta Salvação seria parte importante do futuro do DCU, a sequência pós-créditos do episódio já esclarece que será fundamental para os próximos projetos. Depois de ver o Pacificador se resolver consigo e encontrar o amor de seus amigos em uma função na qual ele poderá fazer o bem, em vez de responder aos interesses escusos do governo americano, ele é capturado por Flag e jogado nesse planeta por vingança pessoal de Rick, que forja documentos para afirmar que o Chris se voluntariou para explorar esse novo mundo.
Agora, o Pacificador ficará sozinho nessa terra hostil, completamente desarmado, precisando encontrar armas e meios de sobreviver às maiores escórias do DCU. Infelizmente, James Gunn já disse que não há planos para fazer uma terceira temporada de Pacificador tão cedo. Então, o público e os fãs vão ter de torcer para que o herói faça uma participação em Man of Tomorrow ou pelo menos sobreviva até lá. Fato é que o Pacificador, Rick Flag Sr. e o Xeque-Mate serão parte importantíssima do futuro desse universo.

