Mesmo em meados dos anos 2020, há inúmeras pessoas que enxergam o cinema nacional como uma anomalia da sétima arte que produz apenas filmes de comédia pastelão ou produções esquecíveis e cópias de Hollywood. Todavia, para aqueles que resolvem esquadrinhar um pouco mais as várias décadas do entretenimento nacional, vemos que a nossa cultura não deve nada à internacional – e, muitas vezes, ultrapassa a qualidade dos bombardeios que vêm lá de fora.
Felizmente, parece que o sucesso incontestável do recente drama ‘Ainda Estou Aqui’ começou a mudar esse melancólico cenário, não apenas dentro do nosso país, mas também na maneira como espectadores e especialistas internacionais enxergam a cultura cinematográfica brasileira. Afinal, o longa dirigido por Walter Salles e estrelado por Fernanda Torres surpreendeu a todos a conquistar nada menos que três indicações ao Oscar – Melhor Filme Internacional, Melhor Atriz para Torres e Melhor Filme (esta última nomeação causando uma enorme comoção entre os cinéfilos.
Se considerarmos a co-produção ‘O Beijo da Mulher Aranha’, essa foi a segunda vez que o Brasil conquistou indicação à principal categoria do Oscar – e a primeira que um projeto totalmente nacional alcançou tal feito. Porém, a conquista de ‘Ainda Estou Aqui’ apenas nos relembra de que diversos títulos incríveis e memoráveis também poderiam ter alcançado algo similar na premiação mais importante do cinema mundial.
Pensando nisso, preparamos uma breve lista elencando dez longas-metragens nacionais que mereciam ter sido indicados ao Oscar de Melhor Filme.
Veja abaixo as nossas escolhas:
O PAGADOR DE PROMESSAS (1962)
Caso você nunca tenha assistido a ‘O Pagador de Promessas’, não sabe o que está perdendo: dirigido e escrito por Anselmo Duarte e baseado na peça de teatro de mesmo nome assinada por Dias Gomes, a produção é um marco na cultura brasileira e, mais de 70 anos desde seu lançamento, permanece como o único título do nosso país a ter conquistado a Palma de Ouro no Festival de Cannes – além de ser o primeiro longa sul-americano a faturar uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional (à época, Melhor Filme Estrangeiro).
Trazendo nomes como Leonardo Villar, Geraldo Del Rey, Dionísio Azevedo, Glória Menezes e vários outros ao elenco, a trama é centrada em Zé do Burro, um homem que, depois de ter seu asno de estimação ser atingido por um raio, faz a promessa de carregar nas costas uma imensa cruz de madeira até a igreja de Santa Bárbara. Porém, sua jornada acaba se tornando um pesadelo.
DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (1964)
Três anos antes de ter encabeçado o ótimo ‘Terra em Transe’, Glauber Rocha causou um impacto inestimável na cenário nacional com o lançamento de ‘Deus e o Diabo na Terra do Sol’. O longa-metragem, que trouxe nomes como Geraldo Del Rey, Yoná Magalhães e Othon Bastos no elenco, foi escolhido para representar o país no Festival de Cannes e indicado ao Grand Prix, e para o Oscar de Melhor Filme Internacional (mas não foi oficialmente selecionado quando os indicados foram anunciados).
O enredo acompanha Manuel, um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo coronel Moraes e acaba matando-o em uma briga. Ele passa a ser perseguido por jagunços e foge com sua esposa Rosa, juntando-se aos seguidores do beato Sebastião, que promete o fim de qualquer sofrimento. Porém ao presenciar a morte de uma criança, Rosa mata o beato. Enquanto isso, Antônio das Mortes, um matador de aluguel que presta serviço à Igreja Católica e aos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato.
TERRA EM TRANSE (1967)
Até hoje, Glauber Rocha é sagrado um dos melhores diretores não apenas do cenário nacional, como da história da sétima arte. Emblema do Cinema Novo, um dos movimentos artísticos de maior importância do escopo cultural do nosso país, Rocha deu vida a títulos memoráveis e atemporais – como o clássico ‘Terra em Transe’, que promove uma reflexão do panorama sociopolítico do Brasil nos primeiros anos dos anos 1960.
A trama é centrada em no senador Porfírio Diaz (Paulo Autran), um homem que detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de Eldorado, um país fictício localizado na América do Sul. Porém existem diversos homens que querem este poder, que resolvem enfrentá-lo. Enquanto isso, o poeta e jornalista Paulo Martins (Jardel Filho), ao perceber as reais intenções de Diaz, muda de lado, abandonando seu antigo protetor.
O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997)

Antes de dividirem as telonas em ‘Ainda Estou Aqui’, Fernanda Torres e Selton Mello trabalharam juntos no aplaudido drama ‘O Que É Isso, Companheiro?’. Lançado em 1997, o longa-metragem nos transporta de volta aos sombrios tempos da ditadura militar no Brasil – e conquistou uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional por suas potentes mensagens e por sua irretocável construção fílmica.
Na trama, o jornalista Fernando e seu amigo César abraçam a luta armada contra a ditadura militar no final da década de 60, após a publicação do AI-5. Os dois se alistam em um grupo guerrilheiro de esquerda e, em uma das ações do grupo militante, César é ferido e capturado pelos militares. Fernando então planeja o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, para negociar a liberdade de César e de outros companheiros presos.
CENTRAL DO BRASIL (1998)
Mais de duas décadas e meia se passaram desde que ‘Central do Brasil’ fez um enorme sucesso crítico e comercial em 1998 – e, além de ter garantido indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional, reiterou o lendário status de Fernanda Montenegro como uma das maiores atrizes de todos os tempos. É simbólico ver que a filha de Montenegro, Fernanda Torres, tem chances de vingar a mãe com ‘Ainda Estou Aqui’ – e tal legado carregado pelo filme apenas nos relembra de que, injustamente, a produção não conquistou indicação à principal categoria da premiação.
Na produção, Fernanda interpreta Dora, uma amargurada ex-professora, que ganha a vida escrevendo cartas para pessoas analfabetas que ditam o que querem contar às suas famílias. Ela embolsa o dinheiro sem sequer postar as cartas. Um dia, Josué, o filho de nove anos de idade de uma de suas clientes, acaba sozinho quando a mãe é morta em um acidente de ônibus. Ela reluta em cuidar do menino, mas se junta a ele em uma viagem pelo interior do Nordeste em busca do pai de Josué, que ele nunca conheceu.
CIDADE DE DEUS (2002)
Se o século XX abriu espaço para explorações artísticas dentro da sétima arte nacional, o século XXI foi ao encontro de produções de temática bastante visceral e que refletiriam um olhar ainda mais crítico sobre a sociedade brasileira – e nenhum outro título conseguiu delinear tão bem esses objetivos quanto ‘Cidade de Deus’.
Além de ter se firmado como uma das maiores e mais cruas produções de todos os tempos, a obra conquistou nada menos que quatro indicações ao Oscar – Melhor Direção para Fernando Meirelles, Melhor Roteiro Adaptado para Bráulio Mantovani, Melhor Edição para Daniel Rezende e Melhor Fotografia para César Charlone (sendo injustamente esnobado na categoria de Melhor Filme). A trama apresenta um retrato realista da batalha entre o bem e o mal que é travada todos os dias pela população periférica da cidade do Rio do Janeiro, focada em questões como tráfico de drogas, pobreza extrema e violência de todos os tipos.
TROPA DE ELITE (2007)
Ninguém poderia nos preparar para o que José Padilha estava arquitetando ao lançar o visceral ‘Tropa de Elite’. Estrelado por Wagner Moura em um papel definidor de sua carreira – e que o reiterou como um dos melhores atores de sua geração -, o longa-metragem quebrou os convencionalismos do gênero tratado ao romper as barreiras maniqueístas entre bem e mal e fornecer um cru retrato da realidade carioca.
Vencedor do Urso de Ouro de Melhor Filme, a trama acompanha Nascimento, capitão da Tropa de Elite do Rio de Janeiro, é designado para chefiar uma das equipes que tem como missão apaziguar o Morro do Turano. Ele precisa cumprir as ordens enquanto procura por um substituto para ficar em seu lugar. Em meio a um tiroteio, Nascimento e sua equipe resgatam Neto e Matias, dois aspirantes a oficiais da PM. Ansiosos para entrar em ação e impressionados com a eficiência de seus salvadores, os dois se candidatam ao curso de formação da Tropa de Elite.
O SOM AO REDOR (2012)
Se há um cineasta que merece nossa atenção no cenário brasileiro, este é Kleber Mendonça Filho. Antes mesmo de comandar produções como ‘Bacurau’ e ‘Aquarius’, que receberam ovações dos principais veículos de imprensa do planeta, ele nos presenteou com o suspense dramático ‘O Som ao Redor’ – que foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2013 (mas não foi selecionado na listagem final).
O filme discorre sobre a vida dos residentes de uma rua de classe média do Recife que toma um rumo inesperado quando uma empresa de segurança particular é contratada para trazer paz aos moradores. Para alguns deles, a presença dos guardas cria mais tensão do que alívio.
O LOBO ATRÁS DA PORTA (2014)
Em ‘O Lobo Atrás da Porta’, uma criança é sequestrada e seus pais, Bernardo e Sylvia, decidem ir até a delegacia. O delegado resolve interrogá-los separadamente e descobre que Bernardo tinha uma amante, Rosa, que também é levada ao local para averiguações. A partir de depoimentos do trio, o delegado descobre uma rede de mentiras, amor, vingança e ciúmes.
O longa foi escrito e dirigido por Fernando Coimbra e, desde seu lançamento nos cinemas há mais de uma década, é considerado um dos melhores longas-metragens brasileiros de todos os tempos, principalmente por abrir portas para a fomentação do suspense dentro do circuito nacional. Além da competente estética firmada por Coimbra, a produção trouxe performances memoráveis de nomes como Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento.
BACURAU (2019)

Sete anos depois de ‘O Som ao Redor’, Kleber Mendonça Filho partiu para um novo projeto que viria a ser intitulado ‘Bacurau’. Unindo o aclamado realizador a Juliano Dornelles em uma co-produção entre Brasil e França, o longa-metragem conquistou a crítica e o público ao redor do mundo – levando para casa o Prêmio do Júri no Festival de Cannes (o segundo título nacional a conquistar o feito depois de ‘O Pagador de Promessas’) e chamando a atenção dos cinéfilos por uma mistura impecável entre ficção científica, drama, faroeste, gore e fantasia.
Na trama, os moradores de Bacurau, um pequeno povoado do sertão brasileiro, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, eles percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade. Quando carros são baleados e cadáveres começam a aparecer, Teresa, Domingas, Acácio, Plínio, Lunga e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Agora, o grupo precisa identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.























































No auge da paranoia da Guerra Fria, Don Siegal dirigiu este filme sobre uma cidadezinha onde os moradores são substituídos por
Este filme de John Carpenter não é apenas uma das ficções preferidas dos fãs de todos os tempos, é um dos filmes preferidos do grande público também. Na trama, uma estação de pesquisa no Ártico descobre algo inimaginável, um ser
Mistura de ficção científica e filme policial, o longa apresenta dois agentes perseguindo um criminoso numa onda de violentos assassinatos por Los Angeles. O detalhe é que o assassino é na verdade um parasita
John Carpenter volta ao tema dos
Estava faltando algo nesta lista até aqui: a presença do autor Stephen King assinando a autoria de algum texto.
No auge da popularidade de Arquivo X (1993 – 2002), série que abordava a investigação do sobrenatural, em especial seres
Todos os jovens se sentem estranhos no colegial. Agora, imagine as dificuldades da escola se seus professores forem verdadeiros E.T.s. Com a ideia de misturar Clube dos Cinco (1985) com invasões
Já que estávamos carentes de Stephen King na lista, aqui vai mais um filme sobre
Celebrado como um das primeiras invasões em larga escala do cinema, o
Não se pode falar em invasão
O diretor Paul Verhoeven pode ser considerado um especialista no cinema da ficção. Aqui, ele apresenta um futuro diferente, mas de certa forma próximo ao que havia sido confeccionado em Robocop (1987) no sentido de sátira política e ao fascismo. No entanto, o foco dessa vez é uma invasão
Esse é um dos itens mais novos da lista. Neste veículo para Tom Cruise, o mote é uma espécie de Feitiço do Tempo (1993), no qual o protagonista, um soldado covarde, segue vivendo o mesmo dia cada vez que morre. A causa: uma raça
Existem duas versões de
Obra cult-trash saída da década de 1980, este é um dos filmes mais legais do período que você vai encontrar. Parasitas
Imagine um filme de terror dirigido pelo celebrado James Gunn, de Guardiões da Galáxia. Pois parem de imaginar, ele está aqui. Gunn estreia na direção com o pé direito, realizando uma grande homenagem aos filmes da década de 1980, como os citados acima. Na trama, uma cidade é visitada por seres verdadeiramente repugnantes, causando todo tipo de caos e cenas pra lá de nojentas. Michael Rooker, o Yondu, vive um marido possessivo, que termina infectando, rendendo um dos personagens mais asquerosos do cinema recente. Sua esposa, papel da bela Elizabeth Banks (a Rita Repulsa do recente Power Rangers) é a mocinha sofredora. As lesmas criadas por Gunn figuraram na coleção do personagem de Benicio Del Toro no primeiro longa da franquia da Marvel comandado pelo cineasta.
Clássico da minha infância na TV aberta, o filme foi escrito por Dan O´Bannon (o mesmo de
Uma mensagem vinda do espaço para os humanos, entrega como presente o código genético de uma raça extraterrestre. O que os brilhantes cientistas, liderados por Ben Kingsley, fazem em seguida? Misturam ao DNA humano criando uma nova forma de vida, é claro. Quando chega a hora de eliminar o experimento, que tem as formas da menina Michelle Williams, ela foge. Como uma borboleta em um casulo, ela desabrocha nas formas estonteantes da então novata Natasha Henstridge, com 25 aninhos na época. O instinto materno bate forte e a moça deseja reproduzir de qualquer forma. Para isso, ela precisa encontrar o parceiro ideal e acasalar, antes que um time de mercenários contratados a encontre e a mate.
Assim como a Sil de
Pegando carona no sucesso de Gremlins (1984), que por sinal não eram aliens, dois anos depois chegavam aos cinemas as
Mais inusitado do que estes pretensos Gremlins, só mesmo uma planta carnívora gigante, falastrona e cantora. A versão original do longa é de 1960 e trata-se de uma produção do mestre do cinema B, Roger Corman. Em 1982, a ideia foi levada aos palcos na forma de um musical. Alguns anos depois, era produzida uma nova versão, desta vez baseada diretamente no musical, transformando o filme em uma obra do mesmo gênero, e contando com nomes como Steve Martin e Rick Moranis no elenco. A trama, no entanto, foi mantida e fala sobre um funcionário de uma loja de plantas tímido, que se depara com um item raro, fazendo amizade com uma planta que fala. O sujeito logo descobre que a planta é carnívora, exige ser alimentada constantemente e na verdade é um ser de outro planeta.
Palhaços já são assustadores naturalmente, que o diga Pennywise, o antagonista de It – Uma Obra Prima do Medo (1991). Imagine o que eles poderiam fazer se na verdade fossem seres extraterrestres invadindo a Terra. É exatamente o que esta galhofa ultradivertida propõe. Um grupo de Palhaços
Não poderíamos fechar uma lista com as piores
Ainda na veia de
Quer mais badass combatendo ameaças extraterrestres? Então toma. Rutger Rauer vive Harley Stone, detetive que não liga para as regras (o bom e velho tira durão), vivendo na Londres futurística do ano 2008!? Numa espécie de mini Waterworld, o nível do mar subiu, inundando algumas partes da cidade. No meio do caos deste admirável mundo novo, o policial precisa enfrentar o retorno da criatura que tirou a vida de seu parceiro. Para termos uma ideia, um crítico definiu o longa como ‘Blade Runner encontra
M. Night Shamalan já havia falado sobre fantasmas e super-heróis, e chegava a vez do autoral cineasta dar sua opinião sobre invasões
Esta não pode ser considerada uma ameaça tão local assim, mas levamos em conta porque tudo ocorre em Nova York, mesmo que a cidade seja quase inteiramente dizimada. A criatura monstruosa e gigantesca chega como um verdadeiro Godzilla, deixando um grupo de amigos totalmente pedido em meio ao caos. A graça de
Grande homenagem feita por J.J. Abrams para Steven Spielberg e seu cinema de início de carreira, digamos das décadas de 1970 e 1980. Passado nos 70´s, temos uma grande sensação de época e pertencimento trazidos pela direção de arte e figurinos. Tudo isso, muitos anos antes de Stranger Things. Assim como na série de sucesso da Netflix,
Este filme protagonizado por Emile Hirsch (Na Natureza Selvagem) naufragou nas bilheterias e logo foi esquecido. No entanto, antes de descartamos totalmente o terror, vale apresentar certos diferenciais curiosos contidos nele. Primeiro, por ser inteiramente passado na Rússia, cenário inusitado para um filme de terror Hollywoodiano, ainda mais na véspera de ano novo. Segundo, pelo design e natureza destas bizarras
Um dos filmes mais criativos do gênero, que este humilde colega que vos fala teve oportunidade de assistir em tela grande (durante o Festival do Rio). Logo depois, o filme caiu no mercado de vídeo. Definido como
Não seria um topo de lista digno sem em primeiro lugar estar ele, o 



