O grupo Paramount Global optou por emitir um cheque de US$16 milhões para o presidente dos Estados Unidos Donald Trump em vez de lutar contra o que chamou de um processo “sem mérito” (via Variety).
Nesta última terça-feira à noite (1), a empresa disse que pagará o montante em questão a Trump para resolver um processo judicial vinculado ao programa ’60 Minutes’, acreditando que o pagamento ajudará a companhia e acelerará um acordo planejado com a Skydance Media, mesmo que isso corra o risco de manchar uma das marcas mais históricas da CBS.
A Paramount revelou em um comunicado que concordou em pagar os US$16 milhões a Trump para encerrar o processo aberto pelo próprio presidente que acusou o programa supracitado de editar enganosamente uma entrevista com a então candidata presidencial Kamala Harris e enganar os eleitores dos EUA, embora tanto a empresa quanto especialistas jurídicos tenham dito que a posição de Trump sobre o assunto era fraca.
O episódio de ’60 Minutes’ em questão foi ao ar em outubro de 2024 e ocorreu entreo correspondente Bill Whitaker e Harris, do Partido Democrata dos EUA, apresentada em uma edição especial do programa quatro semanas antes da eleição para presidente.
O processo movido por Trump, aberto em um tribunal federal no Distrito Norte do Texas em novembro, alegava que o programa tentou enganar os eleitores ao exibir duas edições diferentes de comentários feitos na entrevista com Harris, então rival de Trump na disputa pela Casa Branca.
A CBS havia buscado o arquivamento do caso. Entretanto, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) posteriormente abriu uma investigação sobre o assunto, e a CBS e os advogados de Trump contrataram um mediador. A Paramount agendou uma reunião corporativa anual com investidores para hoje (2), onde se espera eleger três novos diretores.
O coautor de Trump no caso era Ronny Jackson, um deputado conservador do Partido Republicano cuja presença permitiu ao presidente encaminhar o caso a um juiz federal receptivo em Amarillo, Texas: o Juiz Distrital Matthew J. Kacsmaryk. A ação foi movida cinco dias antes de Trump vencer a eleição presidencial de 2024, que o levou de volta à Casa Branca apenas quatro anos após sua derrota para o democrata Joe Biden.
A cruzada de Trump contra a CBS e o programa ’60 Minutes’ representou uma extraordinária e perturbadora demonstração de poder político por parte de um presidente em exercício.
