O aclamado cineasta sul-coreano Park Chan-wook foi anunciado nesta quinta-feira (26) como presidente do júri da competição oficial da 79ª edição do Festival de Cannes, realizado entre os dias 12 e 23 de maio de 2026, na França. Ele se torna o primeiro diretor sul-coreano a liderar o júri principal do evento, um marco histórico para o cinema do país.
Park mantém uma relação histórica com o festival, onde venceu o Grand Prix com Oldboy – Dias de Vingança (2003) e o prêmio de Melhor Diretor por Decisão de Partir (2022), consolidando-se como um dos autores mais prestigiados da Croisette. O diretor sul-coreano e os jurados escolherão o sucessor de Foi Um Simples Acidente, vencedor de 2025 da Palma de Ouro entregue pela atriz Juliette Binoche ao cineasta iraniano Jafar Panahi.
É importante destacar que o também consagrado diretor Bong Joon-ho já havia atuado como presidente do júri da Caméra d’Or em 2011 — prêmio dedicado ao melhor primeiro filme do festival —, mas nunca comandou o júri da competição principal, embora seja, até hoje, o único sul-coreano vencedor da Palma de Ouro, por Parasita (2019).
Diretor vive grande fase com ‘A Única Saída’
Em paralelo à nomeação histórica, Park Chan-wook lançou em janeiro nos cinemas brasileiros A Única Saída, seu mais novo thriller satírico. O longa explora a obsessão pelo sucesso, o ego masculino e os efeitos corrosivos da sociedade capitalista e ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Veneza 2025.

Sua filmografia é marcada por clássicos modernos como Lady Vingança (2005), além de obras como Eu Sou um Cyborg, e Daí? (2006) e A Criada (2016). Sua obra é frequentemente comparada à de mestres como Alfred Hitchcock, cuja influência é visível em sua abordagem visual e temática, marcada por obsessões psicológicas, tensão erótica e dilemas morais complexos.
Brasil pode marcar presença no júri
Com a escolha de Park Chan-wook, cresce também a expectativa sobre a composição do júri, e existe a possibilidade de uma presença brasileira entre os jurados, com o ator e diretor Wagner Moura surgindo como um nome forte nos bastidores.
Nos últimos anos, o Brasil tem ampliado sua presença em grandes júris internacionais. O cineasta Kleber Mendonça Filho integrou o júri da competição oficial de Cannes em 2021, após conquistar o Prêmio do Júri em Cannes com Bacurau (2019).

Já a atriz Fernanda Torres participou do júri do Festival de Veneza no ano passado, após o reconhecimento internacional de sua atuação em Ainda Estou Aqui (2024), premiado na edição anterior do evento. Ainda no final do ano passado, Karim Aïnouz foi integrante do júri da 22ª edição do Festival de Marrakech, presidido exatamente por Bong Joon-ho.
Um dos grandes autores do cinema contemporâneo
“A inventividade de Park Chan-wook, seu domínio visual e sua capacidade de capturar as múltiplas pulsões de mulheres e homens com destinos singulares proporcionaram ao cinema contemporâneo momentos verdadeiramente antológicos”, declararam Iris Knobloch, presidente do Festival de Cannes, e Thierry Frémaux, delegado-geral do evento em release enviado à imprensa.
“Estamos entusiasmados em celebrar seu imenso talento e, de forma mais ampla, esse cinema poderoso de um país profundamente conectado aos questionamentos do nosso tempo.”, encerram os elogios ao cineasta de 62 anos.
Este é o primeiro grande anúncio da 79ª edição do Festival de Cannes, que deve revelar alguns dos principais filmes do próximo circuito de premiações, a exemplo de O Agente Secreto, Valor Sentimental e Anora. A seleção oficial, composta normalmente por cerca de 22 filmes, será anunciada em meados de abril.
