A atriz Raquel Lee Boileau, conhecida por seus papéis em produções da Disney e pelo documentário ‘Quiet on Set: O Lado Sombrio da Fama Infantil’, moveu um processo civil de extrema gravidade contra a Walt Disney Company.
Na ação, protocolada pelo escritório nova-iorquino Wigdor LLP no Tribunal Superior de Los Angeles, a artista afirma ter sido “repetidamente estuprada, agredida sexualmente, abusada sexualmente e assediada sexualmente” durante as filmagens do filme ‘Ponto Nulo, Razão e Regressão’ (The Poof Point), realizado em Utah no ano de 2001, quando ela tinha 14 anos.
Segundo revelado pelo Deadline, o documento sustenta que a Disney tinha conhecimento das agressões no set e omitiu-se de tomar providências. A ação alega que a conduta do agressor, identificado no processo sob o pseudônimo “John Doe”, um funcionário adulto de meia-idade, era evidente aos demais adultos presentes.
Além de acusar a empresa de falhar na proteção da adolescente, o texto afirma que executivos repreendiam Lee por seu desempenho enquanto ela apresentava sinais visíveis de transtorno emocional. A petição contextualiza a acusação citando casos emblemáticos da indústria, como o de Harvey Weinstein, para argumentar que a Disney possui um histórico recorrente de blindagem a predadores sexuais.
“A Disney causou danos irreparáveis e devastadores e deve ser responsabilizada”, aponta a defesa, requerendo indenização não especificada por negligência, falta de fiscalização e omissão investigativa.
Fontes do veículo indicam que a empresa tomou conhecimento formal das alegações recentes em junho, quando os advogados Doug Wigdor e Jane Kim buscaram um acordo extrajudicial sem sucesso. Esta não é a primeira vez que o caso desdobra-se na Justiça. Em 2015, representada pela advogada Gloria Allred, Lee celebrou um acordo confidencial por valor irrisório com um ex-integrante da equipe da produção de 2001.
O sigilo desse termo justifica a preservação da identidade do acusado sob a alcunha “John Doe” na nova ação. Procurados, nem Allred nem o advogado da outra parte à época quiseram se manifestar. A viabilidade jurídica da nova ação deve-se a alterações recentes na legislação da Califórnia.
Leis aprovadas no estado estenderam o prazo de prescrição para vítimas de abuso infantil e, sob determinados critérios, estabelecem indenizações multiplicadas caso fique comprovado que instituições ocultaram ativamente os crimes.
Apesar dos episódios relatados no filme de 2001, Raquel Lee manteve vínculos profissionais com a Disney ao longo dos anos, incluindo dublagens para a franquia ‘A Família Orgulhosa’ (The Proud Family).
Em nota sobre o novo processo, os advogados da atriz declararam: “Como ex-promotores do governo, nossa mensagem para a indústria do entretenimento é simples: essa conduta é imperdoável, e aqueles envolvidos, direta ou indiretamente, devem ser responsabilizados”.

