Há oito anos, uma produtora e gestora cultural do interior de Minas Gerais decidiu apostar em um festival numa cidade linda, aconchegante, cercada pelas belezas do ‘Mar de Minas’. Assim, nasceu a Mostra de Cinema de Fama, que chega em 2025 na sua oitava edição, sempre trazendo novidades.

À frente de tudo o que esse festival representa está a mineira Aryanne Ribeiro, uma mulher batalhadora que tem na ponta do seu discurso – e eficiência como gestora – o compromisso com o cinema como ferramenta de pertencimento, memória e transformação. Durante a edição 2025 do festival, tivemos a oportunidade de conversar com ela e entender um pouco da trajetória que construiu o festival até aqui – e os próximos voos que vem pela frente:

1) Quais os maiores obstáculos para realizar essa edição?
Aryanne Ribeiro: “A gente tem duas questões importantes. A primeiro é o orçamento. A segunda é conseguir alcançar o público, fazer com que as pessoas saiam de casa e vão pra praça ou para uma sala de cinema assistir a filmes nacionais e curtas-metragens. Temos trabalhado para mostrar a essas pessoas como tudo isso funciona, o que significam esses filmes. Essa comunicação tem sido um dos grandes desafios dessa edição.”
2) Todo Festival de cinema tem a possibilidade de abrir a porta talvez para uma nova sala de cinema na cidade.
Aryanne Ribeiro: “É o nosso sonho! Ter uma sala de cinema, um espaço de oficinas e diálogos sobre cultura. É um sonho e um objetivo a gente construir esse espaço e que a gente possa permanentemente exibir filmes por aqui.”

3) Como você está vendo o atual cenário do audiovisual no Brasil?
Aryanne Ribeiro: “Temos questões políticas neste momento. Temos lutado pelo VOD, e que vai trazer muitas possibilidades de avanço, outros caminhos de orçamento pra dar continuidade no trabalho. Será um grande passo se conseguirmos alcançar o que está sendo proposto. Está sendo difícil o diálogo, a construção, mas esse é o caminho. Outro ponto são os arranjos regionais e outras perspectivas que tem surgindo. Nós, enquanto política pública, sempre esbarramos na estruturação como um todo, e acaba não se pensando a médio e longo prazo. Temos um ecossistema do audiovisual que começou a ser descoberto há pouco tempo. Antes, só se investia em produção, e isso, por si só, não é suficiente para sustentar esse ecossistema.”

4) Qual o legado que você quer deixar dessa 8ª edição da Mostra de Cinema de Fama?
Aryanne Ribeiro: “Para que possamos olhar para nós mesmos. Trazer sempre o tema dos territórios, dos interiores, é muito importante, pois nos reconhecemos na tela e nos espaços.”

5) Sobre a edição do ano que vem, já tem alguma novidade?
Aryanne Ribeiro: “Sempre queremos avançar em relação à última edição, e já temos planos. Um deles é a criação de uma sala de cinema. A ideia não é perder a tradição da praça, com o telão nesse espaço tão representativo em frente à igrejinha, mas sim criar um outro ambiente para que consiga complementar ainda mais o festival.”
