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PRIMEIRA MÃO: Allison Janney fala sobre trabalhar com suas INSPIRAÇÕES na 2ª temporada de ‘Palm Royale’


Após um ótimo primeiro ano, ‘Palm Royale’ retornou com sua aguardada 2ª temporada, que chegou recentemente ao catálogo da Apple TV.

Estrelada por Kristen WiigLaura Dern, a trama nos leva para a idílica e intocável high society de Palm Beach, na Flórida, no final dos anos 1960 – e acompanha a forasteira Maxine Dellacorte-Simmons (Wiig), que luta para conquistar um lugar em meio a um seleto grupo através do clube de campo mais exclusivo da cidade, o Palm Royale, aprendendo no processo o que ela fará e o que não fará para alcançar seu objetivo. E, após um bombástico season finale, as expectativas para as desventuras de Maxine estão mais altas do que nunca.

Recentemente, o CinePOP teve a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa com a vencedora do Oscar Allison Janney, que interpreta a imponente Evelyn Rollins na atração. Evelyn nutre de um desprezo significativo por Maxine e pela presença disruptiva da nouveau-riche na alta sociedade de Palm Springs – e, para a segunda temporada, as duas forjam uma aliança inesperada contra as forças que a querem longe dali.



Confira a conversa:

Há muito a destacar sobre ‘Palm Royale’, principalmente os incríveis figurinos. Como foi interpretar Evelyn através dos figurinos e torná-los seus?

Um dos maiores prazeres de participar de ‘Palm Royale’ é, sem dúvida, vestir os figurinos que Alex Friedberg, nosso brilhante figurinista, que encontrou, reaproveitou e criou para nós. É tudo. Eu sei quem é Evelyn quando visto um de seus caftãs ou um de seus vestidos — ela está sempre impecavelmente vestida.

E é uma alegria para cada ator da série ver o que Alex preparou para nós em seguida. E o mesmo vale para os cenários. Éum deleite para os olhos em termos de design. Sinto que me transporta da melhor maneira possível.

A comédia sempre foi vista como uma forma de sobreviver a momentos difíceis. Isso ainda é verdade para você, como artista?

Acho que a comédia e o humor são necessários para sobreviver em qualquer mundo em que você se encontre. Acho que é assim que se aprende, ter senso de humor sobre si mesmo, rir é viver. Esse é o segredo da vida, eu acho: o riso. E esse é o segredo da comédia, obviamente. 

Apesar de uma óbvia rixa com Maxine, o primeiro episódio da 2ª temporada traz Evelyn unindo forças com ela. Como foi desenvolver esse novo arco ao lado de Kristen Wiig?

Em primeiro lugar, Kristen Wiig é uma das minhas ídolas. Tenho a oportunidade de trabalhar com duas delas na série, Carol Burnett e Kristen Wiig. Eu fico deslumbrada toda vez que vejo a Kristen. E a relação que se desenvolve entre a Maxine e a Evelyn nesta temporada é deliciosa. É muito tensa.

E também é hilária. Especialmente para Evelyn, ela não quer Maxine em sua vida, mas começa a perceber que ela é meio que um mal necessário. E isso se desenvolve ao longo da temporada, mostrando essas duas mulheres se respeitando e precisando uma da outra da melhor maneira possível, em um exemplo de empoderamento feminino, por assim dizer.

A icônica Carol Burnett retorna nesta temporada, e Patti LuPone também faz parte do elenco. Você se lembra da primeira vez que ouviu falar delas ou as viu performar?

Bem, Carol Burnett… eu me lembro dela desde pequena, assistindo aos seus programas e percebendo que era isso que eu queria fazer. Eu a achava incrível. Eu a idolatrava. Eu a considerava uma mentora extraordinária, alguém para se inspirar, para ver como ela abriu caminho para que todas nós pudéssemos ser mulheres na televisão. É sempre uma luta para as mulheres estarem em um mundo dominado por homens. E Carol simplesmente rompeu barreiras de maneiras que foram realmente inspiradoras para mim.

E Patti LuPone, vindo do teatro, eu a idolatro. Ela é da realeza. E tê-la por perto, contracenando com ela, vendo-a simplesmente se apropriar do material e dominá-lo, foi uma verdadeira aula. Ela é brilhante. E a Carol é uma companhia muito divertida no set, simplesmente estar com ela é um sonho realizado.

Além disso, meu pai acha que minha carreira foi legitimada porque estou trabalhando com Carol Burnett.

A série tem alguns momentos muito engraçados e outros mais obscuros. Como você consegue equilibrar esses mometos como atriz?

Eu interpreto a verdade em cada cena. Mesmo quando sei que estou fazendo uma comédia, não interpreto a comédia em si. Eu simplesmente interpreto a verdade de que, na comédia, as apostas são sempre altas. E enquanto você estiver ancorado nessa realidade, o humor acontece fora dela. O humor está no roteiro e na forma como é dirigido, ele brilha.

Mas eu não penso nisso. Eu apenas me concentro na realidade do que estou tentando fazer naquela cena. E é sempre algo extravagante, o que torna tudo divertido.

O que você acredita que faz ‘Palm Royale’ se conectar com o público de hoje – especialmente para aqueles procurando por histórias sobre mulheres imperfeitas, mas poderosas?

Bem, em primeiro lugar, o tema geral de ‘Palm Royale’ sempre foi o desejo de pertencer, o desejo de fazer parte de algo de que você não faz parte. Toda mulher deseja isso: Evelyn deseja poder e status; Maxine deseja ser vista por essas mulheres na sociedade Palm Royale.

Ela quer ser aceita. Todo mundo quer aceitação e validação, o que é um tema universal, eu acho. E nesta temporada, vemos as mulheres se transformarem porque, conforme a segunda temporada avança, Evelyn perde sua riqueza e seu status. Mas ela não recua. Ela se adapta. E isso é o que é fantástico nessas mulheres, elas são adaptáveis.

Elas são sobreviventes. Acho que encontram o poder supremo na reinvenção feminina e na amizade. E é maravilhoso vê-las perceber que talvez dinheiro e status não sejam o poder supremo, mas sim a liberdade.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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