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Primeiras Impressões | 5ª temporada de ‘Only Murders in the Building’ apresenta um dos mistérios mais suculentos da série


Crítica livre de spoilers.

Only Murders in the Building permanece como uma das séries mais populares da atualidade – e não é por qualquer motivo. Desde sua estreia em 2021, a mistura de comédia e mistério liderada pelos incríveis Steve Martin, Martin Short e Selena Gomez transformou-se em uma das produções mais elogiadas da década, construindo narrativas complexas que conquistaram o público pelas múltiplas reviravoltas e por incursões que exploram a própria essência do ser humano. Pegando páginas emprestadas de nomes como Agatha Christie e Rian Johnson, o projeto alcançou uma popularidade inenarrável que, ano após ano, reitera seu merecido status no cenário do entretenimento.

Agora, está na hora de voltarmos ao Arconia com o lançamento dos três primeiros episódios da aguardada 5ª temporada – divulgados hoje, 9 de setembro, no catálogo do Disney+. A história tem início logo depois do impressionante cliffhanger do ciclo anterior, que mostrou a morte do amado porteiro Lester (Teddy Coluca) e que colocou nossos três detetives amadores e podcasters, Charles, Oliver e Mabel, no radar de uma poderosa e rica mulher chamada Sofia Caccimelio (Téa Leoni), que pede a ajuda deles para encontrar o marido desaparecido, o intrigante e sombrio Nicky (Bobby Cannavale). Aparentemente sem relação um com o outro, ambos os casos são abraçados pelo nosso “trio de ouro”, que descobre que as coisas são bem mais estranhas do que imaginavam – lançando-os em viagem pelo submundo das máfias nova-iorquinas.



Um dos aspectos mais interessantes da série como um todo é a forma como cada enredo busca elementos diferentes que abrangem a multiplicidade do gênero de mistério: aqui, Martin e John Hoffman, cocriadores da atração, resolvem voltar no tempo e trazer as icônicas e lendárias famílias italianas que sagraram seus respectivos grupos mafiosos em Nova York, mergulhando de cabeça em uma estética metalinguística e referencial de diversos nomes que exploraram esses enredos nos anos 1970 e 1980, como Martin Scorsese e Francis Ford Coppola. Alimentando a contínua convergência entre passado e presente que explode nos corredores do Arconia, cada elemento é pensado com maestria e cautela, nos deixando ansiosos e atiçados para o que o próximo capítulo nos aguarda – e, considerando alguns deslizes enfrentados na temporada anterior, esse “retorno à glória” é mais que bem-vindo.

A verdade é que, de maneira inesperada, Lester e Nicky estão conectados por um ardiloso negócio de que ambos participavam e que data da ascensão de Lester como o porteiro do condomínio de luxo. Afinal, Nicky o contratou como braço-direito de uma espécie de organização secreta cujas reuniões ocorrem – ou ao menos ocorriam – num cômodo subterrâneo do edifício conhecido como Sala de Veludo, que funcionava como centro de encontro dos nomes mais importantes e perigosos da cidade. E, quando o corpo do desaparecido é encontrado em uma das lavanderias que pertence ao seu legado, as coisas ficam ainda mais complexas, levando os protagonistas a ir ainda mais além para encontrarem o culpado e provar que nada daquilo é mera coincidência.

Como já é de esperar, o trabalho de Martin, Short e Gomez é o elemento de maior sucesso da obra, colocando o trio como uma força-motriz essencial para que as engrenagens continuem em movimento. Colocando ainda mais aspectos complexos a cada uma das performances, os atores protagonistas são engolfados em um arco narrativo que singra entre a frustração e a complacência consigo mesmos, utilizando esse impressionante e assombroso caso para se manterem vivos e sentirem que estão fazendo algo de importante – Mabel lidando com um “fantasma do passado” que volta sem aviso prévio, Charles voltando a alucinar com pessoas mortas e Oliver percebendo que sua excêntrica e narcisista personalidade pode responder a algumas questões bem óbvias.

E, seguindo os passos das iterações predecessoras, nossos heróis são acompanhados de um time de atores e atrizes que nos arrebata desde os primeiros segundos de cena – que inclui os previamente mencionados Leoni, Cannavale  e Coluca, além de breves aparições, por enquanto, de Logan Lerman, Christoph Waltz, Renée Zellweger, Beanie Feldstein e Keegan-Michael Key (cada um enfeitando as telinhas com o melhor de uma comédia exagerada nas doses corretas, ou com uma presença vilanesca que puxa elementos clássicos de soap operas e filmes neo-noir).

Os três primeiros episódios da 5ª temporada de Only Murders in the Building se inicia de maneira sólida, apresentando aos inveterados fãs um dos mistérios mais suculentos e intrincados de toda a série até agora. Dando as cartas do jogo de maneira incisiva e frenética, a fórmula eternizada pela produção pode até ser repetitiva, mas felizmente conta com o comprometimento de uma equipe muito talentosa para mostrar que ainda há história a serem contadas no Arconia.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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